Jovens de 22 anos criam solução de inteligência artificial para clínicas de saúde e já atraem investidores
Do Espírito Santo para o mercado de tecnologia, os capixabas Miguel Monjardim e Bruno Pimentel, ambos de 22 anos, transformaram uma amizade de infância em um negócio que começa a ganhar espaço no setor de saúde. A dupla é responsável pelo desenvolvimento do Ailum, uma plataforma baseada em inteligência artificial voltada para a gestão de clínicas.
A história dos dois começa ainda na infância, muito antes de qualquer plano empresarial. Entre escola, rotina familiar e convivência cotidiana, a relação evoluiu até se transformar, anos depois, em uma sociedade com foco em inovação.
O movimento acompanha uma tendência nacional. Levantamento do Sebrae, com base na PNAD Contínua, aponta que o Brasil alcançou quase 5 milhões de jovens empreendedores em 2024. Em uma década, a participação desse público entre os donos de negócios cresceu mais de 20%, refletindo mudanças no perfil do empreendedor brasileiro.
Paralelamente, a inteligência artificial deixou de ser apenas uma tendência para se consolidar como ferramenta prática nas empresas. Dados do AI Index Report 2025 indicam que mais de 75% das companhias no mundo já utilizam algum tipo de IA em seus processos. A consultoria McKinsey estima que a tecnologia pode adicionar até US$ 4,4 trilhões por ano à economia global.
É nesse cenário que surge o Ailum. A plataforma desenvolvida pelos capixabas atua diretamente na operação das clínicas, desde o primeiro contato com o paciente até o acompanhamento clínico. A tecnologia organiza atendimentos, realiza agendamentos, confirma consultas, conduz cobranças e mantém o relacionamento com os pacientes. Também auxilia os profissionais de saúde na organização de prontuários, estruturação de informações e realização de teleconsultas.
Investimento e validação
Mesmo em fase inicial, o projeto já recebeu um aporte superior a R$ 500 mil de investidores-anjo ligados aos setores de construção civil e automotivo. A rodada avaliou a empresa em aproximadamente R$ 12 milhões.
O investimento acompanha um movimento crescente do mercado, que tem direcionado recursos para soluções com aplicação prática de inteligência artificial e potencial de escala.
A origem da ideia está diretamente ligada à trajetória dos fundadores. Miguel começou a trabalhar ainda na adolescência com marketing e passou a atender clínicas privadas, onde identificou uma falha recorrente na conversão de pacientes.
“Muitas vezes o paciente chegava até a clínica, demonstrava interesse, mas não recebia resposta no tempo certo ou não era conduzido até o agendamento. Isso acontecia com frequência, sem que o médico tivesse clareza do impacto disso no resultado”, afirma.
Enquanto isso, Bruno seguiu pela área técnica. Estudante do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), no curso de Engenharia Aeronáutica, ele desenvolveu experiência com sistemas e automação em projetos de grande escala.
A decisão de empreender juntos surgiu da combinação dessas vivências. “Percebemos que não era uma dor pontual. Clínicas inteiras operam sem processo comercial estruturado, dependendo de esforço humano para dar conta de tudo. A gente entendeu que dava para organizar isso de forma mais consistente”, explica Bruno.
Funcionamento da plataforma
Integrado ao WhatsApp, principal canal de comunicação entre clínicas e pacientes, o Ailum passa a conduzir o atendimento de forma automatizada. A ferramenta interpreta mensagens, responde de forma contextual, sugere horários, agenda consultas e mantém o acompanhamento dos pacientes ao longo do tempo.
Além da parte comercial, a tecnologia também atua na organização clínica. O sistema auxilia na construção de prontuários, organiza o histórico do paciente em uma linha do tempo estruturada e permite a realização de teleconsultas com registro automático das informações.
“Ela consegue operar sozinha, realmente sendo um ‘copiloto’ para o gestor, com o diferencial de conduzir toda a gestão e ainda oferecer um serviço personalizado de acordo com cada clínica”, afirma Miguel.
Em um dos primeiros testes, a plataforma foi capaz de atender e agendar mais de 30 pacientes em um único dia, além de manter o acompanhamento ativo desses contatos.
Atuação em escala
Apesar da origem capixaba, a proposta da empresa não se limita ao mercado local. “O problema que a gente resolveu com o Ailum não é local. Ele se repete em qualquer clínica que dependa de atendimento e organização de agenda. Desde o início, a ideia foi construir algo que pudesse crescer em escala”, destaca Miguel.
A trajetória dos dois empreendedores reflete um movimento crescente no país, em que jovens têm optado por desenvolver soluções próprias a partir de problemas concretos, muitas vezes antes mesmo de consolidar uma carreira tradicional.
