Especialistas defendem investimentos em adaptação, prevenção de riscos e infraestrutura resiliente diante do aumento dos eventos climáticos extremos
As mudanças climáticas já fazem parte da rotina de milhões de pessoas em todo o mundo. Ondas de calor mais intensas, chuvas extremas, secas prolongadas e incêndios florestais têm se tornado cada vez mais frequentes, evidenciando os impactos de um planeta em aquecimento.
Na Semana Mundial do Meio Ambiente, celebrada entre esta sexta-feira (5) e 9 de junho, o tema ganha ainda mais relevância diante dos alertas de organismos internacionais sobre a elevação das temperaturas globais e a possibilidade de formação de um novo fenômeno El Niño nos próximos meses.
Dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM) mostram que os últimos anos estão entre os mais quentes já registrados. O cenário aumenta a preocupação de especialistas com a intensificação dos eventos climáticos extremos e seus reflexos sobre a população, a economia e os recursos naturais.
Para a diretora-executiva do Instituto Ideias, Luana Romero (foto), a crise climática deixou de ser uma preocupação para o futuro e passou a representar um desafio imediato para governos e sociedades.
“O clima já mudou e os efeitos estão sendo sentidos pelas pessoas no dia a dia. O aumento das temperaturas, as enchentes, os períodos de estiagem e os desastres naturais demonstram que estamos vivendo uma nova realidade climática”, afirma.
Segundo ela, os impactos ultrapassam as questões ambientais e atingem diretamente áreas essenciais para a vida da população.
“Quando uma seca compromete o abastecimento de água, uma enchente destrói comunidades ou uma onda de calor aumenta os casos de doenças, estamos falando de impactos sociais, econômicos e humanos. A crise climática afeta a segurança alimentar, a saúde pública, a infraestrutura das cidades e a qualidade de vida da população”, destaca.
O possível retorno do fenômeno El Niño também amplia as preocupações. Embora seja um evento natural, seus efeitos ocorrem em um contexto de temperaturas globais mais elevadas, impulsionadas pelo aquecimento do planeta.
No Brasil, especialistas apontam que o fenômeno pode provocar aumento da ocorrência de tempestades, prejuízos à produção agrícola, pressão sobre os sistemas de abastecimento de água e energia, além da ampliação dos riscos relacionados a desastres naturais.
Diante desse cenário, o Dia Mundial do Meio Ambiente reforça uma constatação cada vez mais evidente: a crise climática não é mais uma previsão, mas uma realidade já presente.
A discussão, agora, não se concentra mais sobre a possibilidade de ocorrência dos impactos, mas sobre a capacidade de governos, empresas e cidadãos de responderem a eles de forma rápida e eficiente. A velocidade dessas ações será determinante para reduzir vulnerabilidades, proteger vidas e tornar as cidades mais preparadas para enfrentar os desafios das próximas décadas.
Adaptação e prevenção
De acordo com Luana Romero, enfrentar a crise climática exige uma combinação de planejamento, investimentos e participação social. Entre as medidas consideradas prioritárias estão o fortalecimento da infraestrutura urbana, a ampliação das áreas verdes, a modernização dos sistemas de drenagem, a proteção dos recursos hídricos e o incentivo ao uso de energias renováveis.
A especialista também ressalta a importância da educação ambiental e do engajamento coletivo na construção de soluções duradouras.
“As mudanças climáticas exigem uma responsabilidade compartilhada. Governos, empresas e cidadãos têm papel fundamental na construção de territórios mais preparados para enfrentar eventos extremos e reduzir vulnerabilidades”, afirma.
