Exercícios físicos após os 60 anos ajudam a preservar autonomia e garantem mais qualidade de vida

Às vésperas do Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, a data vai além das homenagens e reforça a importância de um envelhecimento ativo e saudável. Entre os principais fatores para chegar à terceira idade com independência e disposição está a prática regular de atividades físicas, capaz de promover benefícios mesmo para quem nunca se exercitou.

Especialistas destacam que iniciar uma rotina de exercícios após os 60 anos é não apenas possível, mas altamente recomendado. A atividade física melhora a capacidade funcional, reduz o risco de doenças crônicas e contribui para que o idoso mantenha sua autonomia nas tarefas do dia a dia.

Segundo a fisioterapeuta da Bluzz Saúde, Maria Verônica Costa Nunes, o corpo continua apresentando grande capacidade de adaptação durante o envelhecimento.

“Nunca é tarde para começar. Mesmo pessoas que passaram grande parte da vida sedentárias podem obter ganhos significativos ao adotar uma rotina de exercícios físicos.”

Entre os principais benefícios estão a prevenção de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer, além da melhora da qualidade do sono, da saúde mental, da função cognitiva e do controle do peso. A prática também fortalece a musculatura, melhora o equilíbrio, a mobilidade e ajuda a preservar a massa óssea, reduzindo o risco de quedas e fraturas.

O educador físico Patrick Paraguassú ressalta que o organismo continua respondendo positivamente aos estímulos do treinamento mesmo após os 60 anos.

“O aumento da força muscular e da densidade óssea, a melhora da saúde cardiovascular, do sono, do humor e da autonomia para realizar atividades cotidianas estão entre os principais resultados observados.”

Combinação de atividades potencializa os resultados

Os especialistas recomendam que a prática reúna diferentes modalidades para estimular força, resistência cardiovascular, equilíbrio e flexibilidade.

Musculação, caminhada, hidroginástica, pilates, treinamento funcional, yoga, dança e exercícios de alongamento e equilíbrio figuram entre as atividades mais indicadas para essa fase da vida.

Antes de iniciar qualquer programa de exercícios, porém, é indispensável passar por avaliação médica e contar com o acompanhamento de um fisioterapeuta ou profissional de Educação Física. A recomendação é começar de forma gradual, respeitando os limites individuais e aumentando a intensidade conforme a evolução do condicionamento físico.

Também é importante manter boa hidratação, utilizar calçados apropriados e interromper a atividade caso surjam sintomas como dor intensa, tontura, falta de ar importante ou dor no peito.

Força e mobilidade podem ser recuperadas

Ao contrário do que muitos imaginam, a perda de força, equilíbrio e mobilidade não é um processo irreversível.

Maria Verônica explica que o treinamento de força estimula o ganho de massa muscular, melhora a coordenação motora, a marcha e a capacidade funcional, tornando mais fáceis e seguras atividades simples, como levantar da cadeira, subir escadas ou carregar compras.

Segundo a fisioterapeuta, programas que combinam fortalecimento muscular, exercícios de equilíbrio e resistência podem reduzir em cerca de 23% a ocorrência de quedas entre idosos. Além disso, a atividade física aumenta a autoconfiança, reduz o medo de cair, ajuda no controle da ansiedade e da depressão e ainda favorece a saúde cerebral por estimular a produção de substâncias ligadas à função cognitiva.

Patrick reforça que a continuidade é determinante para manter os benefícios conquistados.

“Força, equilíbrio e mobilidade respondem muito bem ao treinamento em qualquer idade. O mais importante é manter uma rotina regular para preservar esses ganhos ao longo do tempo.”

Mitos ainda impedem muitos idosos de se exercitarem

Apesar dos inúmeros benefícios comprovados, muitos idosos ainda deixam de praticar atividades físicas por acreditarem em informações equivocadas.

Uma das ideias mais comuns é a de que “já passou da idade de começar”. Para os especialistas, esse é um dos maiores mitos relacionados ao envelhecimento. Outro equívoco frequente é imaginar que exercícios pioram a artrose ou desgastam as articulações. Na verdade, quando orientada, a prática fortalece a musculatura, protege as articulações e contribui para aliviar dores.

Também é incorreto acreditar que apenas caminhar basta. Embora seja excelente para a saúde cardiovascular, a caminhada deve ser complementada por exercícios de fortalecimento muscular, fundamentais para preservar a massa muscular, proteger os ossos e manter a independência funcional.

Outro mito recorrente envolve pessoas com hipertensão ou diabetes. Na maioria dos casos, a atividade física faz parte do tratamento dessas doenças e auxilia no controle dos sintomas, desde que seja realizada com acompanhamento profissional.

Neste Dia dos Avós, a principal mensagem dos especialistas é clara: envelhecer não significa abandonar o movimento. Com orientação adequada e prática regular, é possível conquistar mais força, equilíbrio, autonomia e qualidade de vida em qualquer idade.

sobre nós

Diretor de conteúdo – Eduardo Caliman

Jornalista formado pela Ufes (1995), com Master em Jornalismo para Editores pelo CEU/Universidade de Navarra – Espanha. Iniciou a carreira em A Tribuna e depois atuou por 21 anos em A Gazeta, como repórter, editor de Política, coordenador de Reportagens Especiais e editor-executivo. Foi também presidente do Diário Oficial, subsecretário de Comunicação do ES e, de 2018 a 2024, coordenador de comunicação institucional no sistema OAB-ES/CAAES.

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