Do Espírito Santo à África: empresário capixaba investe em mineração de ouro em Moçambique

O ouro voltou ao centro da economia global nos últimos anos, impulsionado por tensões geopolíticas, inflação persistente e incertezas monetárias. Nesse cenário, o metal retomou o papel de reserva de valor em períodos de instabilidade.

Entre 2022 e 2024, o ouro acumulou valorização superior a 30% no mercado internacional. Em três anos, o crescimento ultrapassa 50%, influenciado por fatores como conflitos regionais, aumento da dívida pública global e maior desconfiança em moedas fiduciárias. Em 2026, o metal atingiu recorde histórico acima de R$ 800 mil o quilo, reforçando seu caráter estratégico para investidores e bancos centrais.

Esse contexto tem impulsionado o avanço da mineração em novas fronteiras, especialmente na África, continente que concentra algumas das maiores reservas minerais ainda pouco exploradas do mundo. Estimativas geológicas apontam que a região possui milhares de toneladas de ouro disponíveis para exploração nas próximas décadas.

É nesse cenário que se insere a atuação do empresário capixaba Laercio Augusto Delunardo Atanásio, à frente da BMX, empresa que vem estruturando operações de mineração de ouro em Moçambique.

Investimento direto na extração do ouro

Segundo o empresário, a decisão de investir na extração mineral foi resultado de um planejamento de longo prazo. “Foram mais de cinco anos de estudo, entendimento geológico e construção de relacionamento local antes de iniciarmos efetivamente a operação”, afirma.

Moçambique tem se consolidado como um dos países africanos com maior potencial mineral, reunindo reservas de ouro, rubis, grafite e gás natural. Nos últimos anos, grandes projetos internacionais têm direcionado investimentos bilionários ao país, ampliando seu protagonismo no setor.

A BMX iniciou suas operações há cerca de dois anos e já atua com produção contínua. A empresa prepara agora uma nova etapa de expansão. “Entramos em um novo ciclo, com novas áreas de exploração, ampliação de plantas de processamento e parcerias estratégicas que devem acelerar o crescimento da operação”, diz Atanásio.

Os desafios e oportunidades de empreender na África

Empreender no continente africano ainda é visto com cautela por parte do mercado brasileiro, mas, segundo o empresário, o cenário é de oportunidades. “A África ainda é pouco compreendida no Brasil. Existe uma percepção de dificuldades, mas também um potencial significativo de crescimento econômico”, afirma.

Ele compara o momento atual de países africanos ao processo de desenvolvimento observado em economias asiáticas nas últimas décadas, com avanço em infraestrutura, energia, mineração e agricultura.

Moçambique vive um período de atração de capital internacional, com projetos relevantes que vêm redesenhando a economia local e ampliando o interesse de investidores globais.

Estratégia baseada em crescimento gradual

A estratégia da BMX tem como base o crescimento progressivo das operações. “Na mineração, consistência é mais importante do que velocidade. Primeiro é preciso garantir a viabilidade geológica, estruturar a operação e consolidar a produção”, explica.

Atualmente, a empresa trabalha na abertura de novas frentes de mineração e na ampliação da capacidade de processamento, com planos de aumentar a presença no país e alcançar escala internacional.

África no radar da mineração global

Para analistas do setor, a mineração africana deve ganhar ainda mais relevância nos próximos anos, diante da combinação entre abundância de recursos naturais e espaço para desenvolvimento tecnológico.

“A África ainda possui milhares de toneladas de ouro a serem exploradas. Algumas empresas serão responsáveis por essa produção nas próximas décadas. Trabalhamos para que a BMX esteja entre elas”, afirma o empresário.

Projeto mira longo prazo em mercado estratégico

A iniciativa acompanha uma tendência global de busca por novas áreas de produção de commodities. Com o ouro consolidado como ativo estratégico, projetos em regiões emergentes tendem a ganhar protagonismo no cenário internacional.

“O ouro é um ativo que atravessa gerações. O que estamos construindo é uma empresa preparada para atuar nesse mercado no longo prazo”, afirma Atanásio.

sobre nós

Diretor de conteúdo – Eduardo Caliman

Jornalista formado pela Ufes (1995), com Master em Jornalismo para Editores pelo CEU/Universidade de Navarra – Espanha. Iniciou a carreira em A Tribuna e depois atuou por 21 anos em A Gazeta, como repórter, editor de Política, coordenador de Reportagens Especiais e editor-executivo. Foi também presidente do Diário Oficial, subsecretário de Comunicação do ES e, de 2018 a 2024, coordenador de comunicação institucional no sistema OAB-ES/CAAES.

compromisso e propósito

O NewsEspíritoSanto nasceu com compromisso de levar informação precisa, relevante e independente para os capixabas. Nosso propósito é ser uma fonte confiável para quem busca entender os acontecimentos do Estado, valorizando a transparência, a ética e a pluralidade.

Política de Privacidade: acesse aqui

contato

E-mail:

contato@newsespiritosanto.com.br

WhatsApp:

27 999204119

Participe do conteúdo do News ES: encaminhe a sua sugestão de pauta para o nosso e-mail.