Estudo com quase 88 mil pessoas mostra que 26,1% dos adultos convivem com doenças musculoesqueléticas crônicas
Dor no joelho ao subir uma escada, incômodo no ombro ao levantar o braço ou desconforto depois da academia e de horas diante do computador. Problemas muitas vezes associados ao envelhecimento estão aparecendo com frequência também entre jovens e adultos em plena idade produtiva.
Um estudo publicado em 2025, com base em dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 87.648 brasileiros, apontou que 26,1% dos adultos convivem com doenças musculoesqueléticas crônicas. O grupo inclui problemas que atingem articulações, músculos, tendões e ligamentos. Entre pessoas de 35 a 49 anos, a prevalência é quase duas vezes maior do que entre os adultos mais jovens.
Às vésperas do Dia do Ortopedista, celebrado em 19 de setembro, especialistas chamam a atenção para uma mudança no perfil de quem chega aos consultórios. Sedentarismo, excesso de exercícios sem preparação adequada, movimentos repetitivos e longos períodos diante do computador estão entre os fatores relacionados às queixas.
“Hoje recebemos muitos pacientes entre 30 e 45 anos com dores no joelho, no ombro e em outras articulações”, afirma o ortopedista Ricardo Luiz Gave Lima, do Instituto Santa Mônica de Ortopedia e Traumatologia (ISMOT). Segundo ele, a dor musculoesquelética deixou de ser uma questão concentrada no envelhecimento e passou a atingir também pessoas mais jovens.
Joelho e ombro entre as principais queixas
A popularização das atividades físicas também traz um desafio: praticar exercícios sem respeitar os limites do corpo. Estudos sobre lesões relacionadas à corrida apontam o joelho como a articulação mais afetada, respondendo por aproximadamente um terço das lesões registradas entre praticantes da modalidade.
O ortopedista Dhyego Bonelle de Sousa ressalta que a atividade física continua sendo fundamental para a saúde. O sinal de alerta aparece quando a dor se torna persistente durante ou depois dos exercícios.
“Muitas pessoas continuam treinando mesmo com sintomas e acabam agravando lesões que poderiam ser tratadas de forma mais simples”, explica.
Dor que permanece por dias ou semanas, perda de força, limitação dos movimentos, inchaço, desconforto que interrompe o sono e dificuldade para realizar tarefas comuns são alguns dos sinais que merecem avaliação médica.
O diagnóstico precoce pode ampliar as possibilidades de tratamento e evitar o agravamento do quadro. Dependendo da causa e das condições do paciente, as alternativas podem envolver fisioterapia, programas de reabilitação e outros procedimentos específicos indicados pelo especialista.
Para Ricardo Luiz Gave Lima, a principal orientação é não incorporar a dor à rotina como se fosse algo inevitável. “Quanto mais cedo identificamos a causa do problema, maiores são as chances de realizar um tratamento menos invasivo, recuperar a função, evitar a progressão da lesão e preservar a qualidade de vida”, conclui.
