A economia do Espírito Santo registrou crescimento de 2,2% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado, desempenho superior ao da média brasileira, que avançou 1,8%. Os dados são do Indicador de Atividade Econômica (IAE-FINDES), elaborado pelo Observatório Findes, e apontam a indústria como principal responsável pelo resultado positivo.
O setor industrial cresceu 11,2% no período, impulsionado principalmente pela indústria extrativa, que avançou 35% com o aumento da produção de petróleo, gás natural e minério de ferro. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a produção média de petróleo no Estado aumentou 35,9%, enquanto a de gás natural registrou alta de 69,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Além da indústria extrativa, os segmentos de energia e saneamento cresceram 2%, favorecidos pelo maior consumo de energia elétrica, e a construção civil avançou 1,3%, impulsionada pelos investimentos em infraestrutura e pelo aquecimento do mercado imobiliário. Já a indústria de transformação apresentou retração de 1,9%, apesar do crescimento em setores como derivados de petróleo, minerais não metálicos e metalurgia.

O setor de serviços também apresentou desempenho positivo, com alta de 1,2%, refletindo o crescimento do comércio, do transporte e de outras atividades. O comércio avançou 1,6%, com aumento nas vendas de móveis, eletrodomésticos, medicamentos e materiais de construção. Na contramão, a agropecuária recuou 11,4%, influenciada principalmente pela queda da produção agrícola em culturas como milho, tomate, arroz, cana-de-açúcar e pimenta-do-reino.
Para o presidente da Findes, Paulo Baraona, o resultado confirma o
protagonismo da indústria no desenvolvimento econômico capixaba.
“O resultado reforça o papel da indústria como uma das principais alavancas do desenvolvimento capixaba. Quando a indústria cresce, ela movimenta toda a economia, fortalece cadeias produtivas, amplia investimentos, gera empregos e cria oportunidades para a população”, destacou.
Já a economista-chefe do Observatório Findes, Marília Silva, destacou que a expansão da produção de petróleo e gás tem impactos positivos sobre diversos setores da economia estadual.
O estudo também alerta para os desafios do cenário internacional. As oscilações no preço do petróleo, provocadas pelas tensões no Oriente Médio, podem elevar os custos de combustíveis e pressionar a inflação brasileira. Segundo a Findes, esse cenário tende a reduzir o ritmo de queda da taxa Selic ao longo de 2026, mantendo um ambiente de maior cautela para a economia nacional.
