Atividade econômica capixaba avançou 4,4%, contra 1,9% no país; indústria cresceu 12,4% e puxou o resultado
A economia do Espírito Santo cresceu mais que o dobro da média brasileira nos primeiros seis meses de 2026. A atividade econômica capixaba avançou 4,4% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) nacional registrou crescimento de 1,9%.
Os números são do Indicador de Atividade Econômica (IAE-FINDES), elaborado pelo Observatório Findes e divulgado nesta quarta-feira (16), em Vitória. O principal motor do desempenho capixaba foi a indústria, que cresceu 12,4% no semestre. Os serviços avançaram 1,6%, enquanto a agropecuária apresentou retração de 0,4%.
Dentro da indústria, o destaque ficou para o setor extrativo, que disparou 36,3%. A produção de petróleo e gás natural aumentou 49,1%, enquanto a pelotização de minério de ferro avançou 18,7%. A produção média de petróleo chegou a 244,8 mil barris por dia e a de gás natural alcançou 6,95 milhões de metros cúbicos diários. O desempenho foi favorecido, entre outros fatores, pelo aumento da capacidade produtiva do navio-plataforma Maria Quitéria, no campo de Jubarte, e pelo início das operações do campo de Wahoo.
A produção de pelotas também contribuiu para o resultado. A Vale produziu 10,8 milhões de toneladas de pelotas de minério de ferro no Estado, alta de 28%, enquanto a Samarco registrou 7,7 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério, crescimento de 8%. Outros segmentos industriais avançaram: energia e saneamento cresceram 7,9% e a construção, 2,7%. Na contramão, a indústria de transformação recuou 2%.
Para o presidente da Findes, Paulo Baraona (foto acima), os números demonstram a força da indústria, mas o desafio é transformar o crescimento em desenvolvimento duradouro. “Mas crescer não basta. É indispensável criar condições para que esse crescimento gere mais valor agregado, mais produtividade, mais empregos qualificados e mais oportunidades para as empresas capixabas”, afirmou.
O setor de serviços também terminou o semestre no positivo, com crescimento de 1,6%. Transportes avançaram 2,9%, comércio, 2%, e os demais serviços, 1,4%. Já a agropecuária recuou 0,4%, pressionada principalmente pela queda de 7,5% na pecuária. A agricultura ficou praticamente estável, com alta de 0,1%.
Para 2026, a estimativa do IAE-FINDES é de crescimento de 3,7% da economia capixaba. A projeção apresentada para o Brasil é de 1,9%. Segundo a economista-chefe da Findes, Marília Silva, a diferença está relacionada principalmente ao peso da indústria na estrutura produtiva do Espírito Santo, especialmente da atividade extrativa.
