Durante o Fórum IEL de Gestão 2026, Gabriela Garcia destacou o papel da liderança, da autonomia das equipes e da cultura organizacional na transformação de novas tecnologias em resultados
A adoção da inteligência artificial nas empresas exige mais do que investimentos em tecnologia. Para transformar novas ferramentas em resultados, as organizações precisam rever processos, estimular a autonomia das equipes e desenvolver uma cultura voltada à inovação. Essa foi a principal mensagem da palestra da especialista Gabriela Garcia, sócia-fundadora da NG Consulting Partners, durante o Fórum IEL de Gestão 2026, realizado no dia 29 de outubro, no Centro de Convenções de Vitória.
Com o tema “As 7 Regras da Liderança para Inovar na Era da IA”, Gabriela apresentou princípios para orientar gestores na incorporação da inovação às estratégias empresariais. Segundo ela, o diferencial competitivo não está apenas no acesso às tecnologias, mas na capacidade de identificar problemas, tomar decisões e transformar ideias em soluções que gerem valor.
“A tecnologia está cada vez mais acessível, mas isso não significa que todas as empresas terão a mesma capacidade de inovar. O diferencial está na liderança, na cultura organizacional e na forma como as decisões são tomadas”, afirmou a especialista.
Liderança e autonomia das equipes
Um dos principais pontos abordados foi a necessidade de descentralizar decisões e criar ambientes que permitam aos profissionais desenvolver e testar novas soluções. Gabriela citou o exemplo do iFood, que adota equipes descentralizadas para acelerar processos de inovação e reduzir a dependência de sucessivas etapas de aprovação.
A especialista também destacou que a escolha de ferramentas tecnológicas deve partir de problemas concretos enfrentados pelas organizações. Nesse modelo, a inteligência artificial deixa de ser um objetivo isolado e passa a funcionar como instrumento para melhorar processos, ampliar a produtividade e atender às necessidades dos negócios.
Outro aspecto considerado fundamental é a segurança psicológica no ambiente de trabalho. Segundo Gabriela, as empresas precisam permitir que seus profissionais apresentem ideias, questionem procedimentos e compartilhem experiências, inclusive quando os resultados não correspondem às expectativas.
A proposta não significa aceitar erros evitáveis, mas reconhecer que a experimentação envolve riscos e que o aprendizado obtido com os testes pode contribuir para o aperfeiçoamento das estratégias.
Testar antes de ampliar
Para demonstrar a importância de avaliar hipóteses antes de expandir projetos, Gabriela apresentou o caso da Liv Up, empresa do setor de alimentação. Inicialmente, a marca apostou em refeições com ingredientes separados, permitindo que os consumidores montassem seus próprios pratos. Os testes, porém, identificaram maior preferência por refeições prontas, o que levou à revisão da estratégia comercial.
O exemplo mostrou como a análise de dados e o comportamento dos consumidores podem orientar decisões e evitar investimentos em soluções que não correspondem às demandas do mercado.
A especialista também ressaltou a importância de estabelecer indicadores, responsabilidades e critérios de avaliação para os projetos de inovação. O objetivo é permitir que as empresas identifiquem quais iniciativas devem ser ampliadas, modificadas ou encerradas.
As sete regras para inovar
1. Durante a apresentação, Gabriela reuniu sete orientações para lideranças que desejam preparar suas organizações para os desafios da inteligência artificial:
2. Criar condições, não concentrar respostas: estimular a autonomia das equipes e descentralizar decisões.
3. Começar pelo valor, não pela tecnologia: identificar os problemas que precisam ser resolvidos antes de escolher as ferramentas.
4. Criar segurança para falar e aprender: desenvolver ambientes que incentivem ideias, questionamentos e aprendizado.
5. Construir cultura pelo sistema: incorporar a inovação aos processos internos e às práticas de gestão.
6. Conectar inovação à estratégia e à governança: definir responsabilidades e critérios para orientar decisões.
7. Experimentar pequeno e aprender com evidências: testar hipóteses, analisar dados e ajustar soluções antes de ampliar investimentos.
Transformar inovação em execução e escala: levar projetos bem-sucedidos para as operações das empresas, com acompanhamento de resultados.
Ao longo da palestra, Gabriela reforçou que a capacidade de inovar depende de mudanças na maneira como as organizações funcionam. A combinação entre liderança, autonomia, experimentação e planejamento estratégico foi apresentada como caminho para aproveitar as oportunidades abertas pela inteligência artificial.
O Fórum IEL de Gestão 2026 foi promovido pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi no Espírito Santo (IEL-ES). A programação reuniu empresários, executivos e especialistas para discutir os impactos da inteligência artificial sobre a gestão, a inovação e a competitividade das empresas.
O evento contou com patrocínio de Sicoob, Vale, Sebrae, Rede Vitória, Maely, Unimed, LeCard, Ivox, Marcopolo Volare, Terca, Cooabriel, Águia Branca, Uniube, Deloitte, Garoto e Divulgue. Também teve apoio governamental das prefeituras de Aracruz, Colatina e João Neiva, além do apoio institucional de Findes, Sesi, Senai, CNI, IEL, Fucape, Ufes/Fest, One Ice, Única e Ativa.
