O mercado de trabalho capixaba alcançou em março o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020. Foram criados 7.392 empregos com carteira assinada no Espírito Santo, número quase quatro vezes superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando o saldo foi de 1.875 vagas. O desempenho reforça a recuperação da economia estadual após o fechamento de mais de 10 mil postos de trabalho em dezembro do ano passado.
O levantamento foi realizado pelo Connect Fecomércio-ES, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Os setores de serviços e comércio lideraram a geração de vagas, somando 4.394 novos empregos. Foram 2.965 postos criados em serviços e 1.429 no comércio, que reverteu o cenário negativo observado no início do ano e no mesmo período de 2025.
De acordo com o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, o resultado reflete um ambiente econômico mais favorável para contratações. “O resultado positivo ocorreu em todos os setores e mostra um ambiente econômico mais favorável para contratações, impulsionado tanto pela retomada do consumo quanto pela melhora gradual das condições econômicas”, destacou.
Com o resultado de março, o Espírito Santo passou a contabilizar 935.791 vínculos formais de trabalho, crescimento de 2% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O setor terciário permanece como principal empregador do estado, concentrando 71,6% dos empregos formais, sendo 46,1% em serviços e 25,5% no comércio.
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o saldo chegou a 12.814 empregos formais, avanço de 51,8% em relação aos três primeiros meses de 2025. Segundo Spalenza, a recuperação do comércio chamou atenção por ocorrer antes do período tradicional de maior contratação do setor. “Isso indica uma antecipação da recomposição das vagas e um ambiente de maior confiança por parte das empresas”, avaliou.
Dentro do comércio, o varejo foi o principal destaque, com 764 vagas criadas, impulsionado principalmente pelos supermercados, responsáveis por 750 novos postos. O atacado gerou 491 empregos, com destaque para os segmentos de alimentos, bebidas e materiais de construção. Já o comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas abriu 174 vagas.
O setor de serviços manteve a liderança na geração de empregos e respondeu por 53,1% das vagas criadas no estado no primeiro trimestre. Entre os segmentos que mais contrataram em março estão saúde humana e serviços sociais, com 916 vagas, além das áreas de informação e comunicação, atividades imobiliárias e serviços administrativos.
A indústria e a construção civil também apresentaram desempenho positivo, com a criação de 1.423 e 1.338 empregos, respectivamente. Na agropecuária, foram abertas 238 vagas, com expectativa de crescimento nos próximos meses devido ao início da safra do café.
Outro fator que pode favorecer a expansão do mercado formal de trabalho é a redução gradual da taxa básica de juros. Segundo Spalenza, a queda da Selic contribui para estimular investimentos e fortalecer o consumo das famílias. “A redução dos juros, mesmo ainda em patamar elevado, ajuda a estimular investimentos e fortalecer o consumo das famílias. Esse cenário tende a favorecer novas contratações ao longo dos próximos meses”, afirmou.
Interior lidera geração de empregos no trimestre
Os dados também mostram a força do interior na criação de vagas. Embora os municípios da Grande Vitória tenham respondido por 3.329 empregos em março, o equivalente a 45% do total, o interior liderou tanto o saldo mensal, com 4.063 vagas, quanto o acumulado do primeiro trimestre, com 7.666 postos de trabalho.
Entre os municípios, a Serra liderou a geração de empregos em março, com 1.610 vagas, seguida por Vitória (1.089) e Vila Velha (426). No acumulado de 2026, Aracruz aparece como o principal destaque, com 1.970 empregos criados, impulsionado principalmente pelo setor industrial. Linhares, Cachoeiro de Itapemirim, Colatina e São Mateus também registraram resultados positivos.
Para Spalenza, a interiorização das oportunidades fortalece o desenvolvimento regional. “Quando a geração de empregos avança no interior, o desenvolvimento econômico se torna mais equilibrado e sustentável. Isso amplia a circulação de renda nas diferentes regiões do estado e reduz a concentração econômica na Grande Vitória”, concluiu.
