Estudante cria plataforma com IA para personalizar estudos e reduzir desigualdades na educação

Ferramenta desenvolvida por Catarina Cavalcante já é utilizada em escolas e projetos sociais e foi apresentada durante simpósio nacional realizado em Vitória

Uma experiência pessoal diante da dificuldade de estudar para uma prova acabou se transformando em um projeto que busca enfrentar um dos maiores desafios da educação brasileira. Aos 16 anos, a estudante Catarina Cavalcante, da Escola Britânica do Rio de Janeiro, desenvolveu o EduChat, uma plataforma baseada em inteligência artificial criada para auxiliar alunos na organização dos estudos, na revisão de conteúdos e no desenvolvimento de uma aprendizagem mais personalizada.

A iniciativa foi apresentada durante o Simpósio Brasileiro de Sistemas de Informação (SBSI), realizado em Vitória. Durante a palestra “IA na Educação: Reduzindo Desigualdades e Transformando a Aprendizagem”, Catarina compartilhou sua trajetória e explicou como a tecnologia pode contribuir para ampliar o acesso a oportunidades educacionais, especialmente entre estudantes em situação de vulnerabilidade social.

Segundo a jovem, a ideia surgiu quando utilizou ferramentas de inteligência artificial para ajudá-la a estudar para uma prova de Física. A experiência trouxe resultados positivos em seu próprio desempenho escolar e despertou o desejo de criar uma solução capaz de beneficiar outros estudantes.

O EduChat funciona como uma espécie de tutor virtual personalizado. A plataforma utiliza inteligência artificial para elaborar planos de estudo, organizar rotinas, identificar dificuldades de aprendizagem e apoiar revisões de conteúdo. O sistema também incorpora elementos de gamificação e busca estimular a autonomia dos estudantes, oferecendo acompanhamento adaptado às necessidades individuais de cada usuário.

“O que estou tentando criar é uma ferramenta que possa ajudar a diminuir essa desigualdade, proporcionando oportunidades e recursos que muitos alunos não têm acesso hoje”, afirmou Catarina durante a apresentação.

A ferramenta já foi testada em uma escola comunitária do Rio de Janeiro e também em projetos educacionais desenvolvidos em comunidades de maior vulnerabilidade social. De acordo com a estudante, os resultados observados indicam melhora no engajamento dos alunos, na organização da rotina de estudos e no desempenho acadêmico.

No Espírito Santo, o EduChat vem sendo utilizado dentro da Corte de Lovelace, iniciativa do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) voltada ao incentivo de meninas na área da tecnologia. O projeto reúne adolescentes de diferentes realidades sociais, incluindo jovens de baixa renda e mães adolescentes, oferecendo atividades ligadas à programação, pensamento computacional e robótica.

Segundo os organizadores, a proximidade de idade entre Catarina e as participantes contribui para a identificação das estudantes com a proposta. Além de servir como apoio aos estudos, a plataforma também atua como ferramenta de incentivo ao protagonismo feminino nas áreas de ciência e tecnologia.

Durante a palestra, Catarina destacou que um dos diferenciais do EduChat é a capacidade de criar um ambiente educacional contínuo, no qual o estudante pode receber orientação personalizada a qualquer momento. A proposta é complementar o trabalho realizado pelas escolas, ajudando os alunos a desenvolver hábitos de estudo mais eficientes e maior autonomia no processo de aprendizagem.

A jovem também discutiu os desafios para ampliar o uso da inteligência artificial na educação pública e defendeu que essas tecnologias podem desempenhar papel estratégico na construção de um sistema educacional mais acessível, inclusivo e alinhado às demandas do século 21.

Além de liderar o desenvolvimento do EduChat, Catarina participa de programas internacionais de liderança em inteligência artificial e já apresentou suas iniciativas em eventos como o Rio Innovation Week. Atualmente, ela busca ampliar parcerias com escolas, instituições públicas e projetos sociais para expandir o alcance da plataforma.

SBSI

O Simpósio Brasileiro de Sistemas de Informação (SBSI) é promovido anualmente pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC), por meio da Comissão Especial de Sistemas de Informação (CESI). Em sua 22ª edição, realizada entre os dias 25 e 28 de maio no Hotel Senac Ilha do Boi, em Vitória, o evento reuniu pesquisadores, estudantes, profissionais e empresários para debater os avanços e os desafios da inteligência artificial aplicada aos sistemas de informação.

A edição deste ano teve organização do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e abordou temas relacionados às aplicações da inteligência artificial em áreas como educação, saúde, indústria e gestão pública, além de discutir questões ligadas à ética, privacidade, transparência e impactos sociais dessas tecnologias.

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Diretor de conteúdo – Eduardo Caliman

Jornalista formado pela Ufes (1995), com Master em Jornalismo para Editores pelo CEU/Universidade de Navarra – Espanha. Iniciou a carreira em A Tribuna e depois atuou por 21 anos em A Gazeta, como repórter, editor de Política, coordenador de Reportagens Especiais e editor-executivo. Foi também presidente do Diário Oficial, subsecretário de Comunicação do ES e, de 2018 a 2024, coordenador de comunicação institucional no sistema OAB-ES/CAAES.

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