Noite em Vitória reuniu convidados e jornalistas em torno dos rótulos da Henrique Dal Castel, apresentados por pai e filho e acompanhados por menu especial
A Gran Cave, na Mata da Praia, em Vitória, recebeu na noite desta quinta-feira (6) um jantar harmonizado que uniu gastronomia, vinhos brasileiros de produção limitada e uma história familiar construída na Serra Gaúcha. O encontro reuniu convidados e jornalistas para conhecer os rótulos da Henrique Dal Castel, apresentados pelos próprios produtores.

A recepção foi conduzida por Francielly Ramos, sommelier da Gran Cave, que apresentou os convidados da noite e abriu espaço para que pai e filho contassem a trajetória da vinícola. O projeto nasceu de uma tradição familiar ligada à produção de vinhos e ganhou novos contornos a partir da união entre experiência, formação técnica e a decisão de apostar em pequenos lotes.
A história da Henrique Dal Castel começou a tomar a forma atual em 2018, inicialmente como um projeto quase experimental, com apenas 100 litros de vinho. Aos poucos, a produção cresceu e a marca foi oficialmente registrada em 2023. Hoje, a vinícola elabora cerca de 10 mil garrafas por safra e funciona como uma agroindústria familiar, com produção essencialmente artesanal e capacidade limitada.
Um dos diferenciais está justamente na escala. Pai e filho acompanham praticamente todo o processo, do trabalho no vinhedo à elaboração e finalização das garrafas. A propriedade mantém um pequeno vinhedo de aproximadamente meio hectare e também seleciona uvas de produtores da região da Serra Gaúcha.

A relação com a Gran Cave também tem um significado especial para os produtores. Foi em Vitória, no fim de 2024, que a Henrique Dal Castel realizou sua primeira degustação fora da própria vinícola. A Gran Cave também esteve entre os primeiros pontos de venda dos rótulos fora do Rio Grande do Sul. Atualmente, segundo os produtores, cerca de 90% da produção ainda é comercializada diretamente na vinícola.
Vinhos carregam homenagem aos filhos
A própria identidade dos rótulos revela o caráter familiar do projeto. Os vinhos tintos levam o nome Henrique, enquanto o espumante e o vinho branco recebem o nome Aline, em homenagem aos filhos. Segundo o produtor, a escolha nasceu da ideia de associar os vinhos às pessoas mais importantes de sua vida.
Durante a apresentação, o enólogo explicou que a proposta não é buscar uma produção padronizada em grande escala. Pelo contrário: as características de cada safra determinam quais vinhos serão produzidos. Alguns rótulos chegaram a ser elaborados somente uma ou duas vezes ao longo dos últimos anos, reforçando a proposta de exclusividade e respeito às condições de cada colheita.
A experiência na Gran Cave começou com o Aline Dal Castel Espumante Riesling Nature 2024, elaborado pelo método tradicional e com produção bastante restrita. Na sequência, o jantar percorreu diferentes estilos da vinícola: Aline Dal Castel Chardonnay 2025, Henrique Dal Castel Merlot 2022, Henrique Dal Castel Cabernet Franc Encontro 2021, Henrique Dal Castel Rebo 2023 e Henrique Dal Castel Ripasso Merlot e Ancellotta 2023/2024.
Cinco etapas de gastronomia e vinho
Os rótulos foram apresentados em uma sequência de cinco etapas gastronômicas.

O Chardonnay acompanhou ravioli aberto ao creme de queijo brie; o Merlot 2022 foi servido com arroz de pato; e o Cabernet Franc Encontro 2021 acompanhou mignon ao molho de cogumelos.
Na quarta etapa, o Henrique Dal Castel Rebo 2023 foi harmonizado com ancho com aligot.

Encerrando a experiência, o Ripasso Merlot e Ancellotta 2023/2024 acompanhou polenta com ragu de ossobuco. A proposta do jantar foi mostrar como os vinhos da Serra Gaúcha, especialmente aqueles de perfil mais gastronômico, podem ganhar diferentes expressões quando combinados aos pratos.
Ao longo da noite, os produtores também falaram sobre as transformações observadas na vitivinicultura brasileira. Na avaliação deles, safras mais secas e quentes registradas nos últimos anos na Serra Gaúcha vêm criando novas possibilidades não apenas para os tradicionais espumantes da região, mas também para vinhos brancos e tintos com maior maturação e potencial de guarda.
