Redução do número de devedores fortalece o consumo, amplia o acesso ao crédito e melhora a saúde financeira das famílias no Espírito Santo
A inadimplência voltou a recuar no Espírito Santo e alcançou, em abril, o menor patamar dos últimos cinco meses. Cerca de 39 mil capixabas conseguiram regularizar suas dívidas em atraso no período, contribuindo para a redução da taxa de inadimplentes para 32,6% da população, segundo levantamento do Connect Fecomércio-ES, com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O índice representa uma queda de 0,9 ponto percentual em relação a março e reforça uma trajetória positiva para a economia estadual. Além de aliviar o orçamento das famílias, a redução da inadimplência contribui para diminuir os gastos com juros, ampliar o acesso ao crédito e estimular o consumo, beneficiando diretamente os setores de comércio e serviços.
De acordo com o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, os efeitos da redução vão além da reorganização financeira das famílias. “A queda da inadimplência melhora a capacidade financeira dos consumidores, reduz despesas com juros e libera recursos para outras despesas e para o consumo. Além disso, quem regulariza sua situação tende a recuperar o acesso ao crédito, fortalecendo a atividade econômica”, destacou.
A melhora foi mais expressiva entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, faixa em que a inadimplência caiu de 38% para 36,8% entre março e abril. Já entre os consumidores com renda superior a esse valor, o índice permaneceu em apenas 8%, demonstrando maior estabilidade financeira.
A confiança na capacidade de quitar as dívidas também apresentou avanço. Entre as famílias de menor renda, 16,6% acreditam conseguir pagar integralmente suas contas em atraso. Entre aquelas com renda acima de 10 salários mínimos, esse percentual chegou a 50%, indicando uma percepção mais positiva sobre a própria situação financeira.
“Esse aumento na expectativa de pagamento é um sinal importante de melhora. Mostra que parte dos consumidores já percebe condições mais favoráveis para reorganizar suas finanças e retomar o equilíbrio do orçamento”, avaliou Spalenza.
Endividamento apresenta leve recuo
A pesquisa também apontou uma pequena redução no nível geral de endividamento das famílias capixabas. Em abril, 87,5% dos lares possuíam algum tipo de dívida ou compromisso financeiro parcelado, percentual ligeiramente inferior aos 87,8% registrados em março.
Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, o endividamento alcançou 88,8%. Já entre aquelas com renda superior, o índice ficou em 78,5%.
O cartão de crédito segue como a principal modalidade de endividamento, presente em 92,9% das famílias de menor renda e em 97,5% das famílias com renda mais elevada. Também aparecem entre as principais modalidades o crédito pessoal, o crédito consignado, o financiamento de veículos e os carnês. Entre os consumidores de maior renda, o financiamento imobiliário se destaca, alcançando 15,9% dos entrevistados.
Os dados revelam ainda diferenças importantes na capacidade de pagamento entre as faixas de renda. Enquanto 25,8% das famílias com renda de até 10 salários mínimos comprometem mais da metade dos rendimentos mensais com dívidas, entre as famílias de renda superior esse percentual é de apenas 8,3%.
