Recursos destinados a drenagem, contenção de encostas e proteção costeira buscam reduzir impactos de eventos extremos e aumentar a resiliência do estado
A intensificação dos eventos climáticos extremos, impulsionada por fenômenos como El Niño e La Niña, reforça a necessidade de medidas de prevenção e adaptação no Espírito Santo. Diante desse cenário, o Estado tem ampliado investimentos em infraestrutura e proteção ambiental para reduzir os impactos de desastres naturais e aumentar a segurança da população.
Uma das principais iniciativas é a contratação de R$ 1,4 bilhão em crédito para obras de drenagem urbana e contenção de encostas, com foco na redução de alagamentos e deslizamentos, especialmente na Região Metropolitana da Grande Vitória. O pacote também prevê intervenções em 217 quilômetros de rodovias estaduais e ações em municípios do interior, como Pancas e Divino de São Lourenço.
Segundo o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Santos (União), os investimentos buscam romper o ciclo de danos e reconstrução após desastres.

“São intervenções que evitam perdas recorrentes e oferecem mais segurança para quem vive em áreas vulneráveis”, afirmou.
Em 2025, a Assembleia também autorizou empréstimo de R$ 350 milhões para obras de proteção costeira e combate à erosão no litoral capixaba, com recursos do Fundo Clima.
O Espírito Santo é apontado pelo BNDES como o estado brasileiro com o maior número de projetos vinculados ao Fundo Clima. Entre as ações estão recuperação de rios urbanos, dragagem, ampliação de faixas de areia e fortalecimento da infraestrutura costeira. O Programa Capixaba de Mudanças Climáticas reúne mais de 70 projetos, incluindo sistemas de monitoramento e alerta, obras em encostas e iniciativas para minimizar enchentes.
A experiência recente reforça a importância dessas medidas. Após as fortes chuvas que atingiram 13 municípios do sul capixaba em março de 2024, o Estado antecipou a vigência do Cartão Reconstrução para apoiar famílias afetadas durante os períodos chuvosos seguintes.
Para a Defesa Civil Estadual, todos os municípios capixabas apresentam algum tipo de risco climático, embora as regiões serrana e sul exijam atenção especial. O coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Benício Ferrari Júnior, alerta que chuvas intensas podem agravar deslizamentos e enchentes, sobretudo em áreas ocupadas de forma irregular.
O monitoramento realizado pelo Centro de Inteligência da Defesa Civil (Cidec), que funciona 24 horas por dia, utiliza modelos matemáticos, radares e imagens de satélite para identificar riscos e emitir alertas à população e aos municípios.
Além das ações governamentais, especialistas destacam que a sociedade também desempenha papel fundamental na prevenção. Evitar o descarte irregular de lixo, preservar áreas permeáveis e não ocupar encostas classificadas como de risco são medidas que ajudam a reduzir alagamentos e salvar vidas. Para moradores de áreas vulneráveis, a orientação é manter planos de emergência e seguir os alertas emitidos pela Defesa Civil.
