A tarifa adicional de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros começa a valer nesta sexta-feira (24). Somada à alíquota de 25% anunciada anteriormente, em 15 de julho, a medida pode elevar a tributação para 37,5% sobre mais de 480 produtos exportados pelo Espírito Santo ao mercado norte-americano. Ao todo, mais de 500 itens da pauta exportadora capixaba passam a ser atingidos por pelo menos uma das duas tarifas.
O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, destaca que a entidade, em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), segue monitorando os desdobramentos do novo ciclo tarifário adotado pelos Estados Unidos.
Segundo ele, o Espírito Santo está entre os estados brasileiros mais dependentes das exportações para o mercado norte-americano, que continua sendo o principal destino dos produtos capixabas.
“Em 2025, 27% das exportações do Estado tiveram como destino os Estados Unidos, o equivalente a US$ 2,8 bilhões”, afirma.
Baraona ressalta que a saída mais adequada para a situação é a construção de um entendimento entre os dois países.
“O melhor caminho é o diálogo técnico e diplomático entre os países, com negociação e previsibilidade, para preservar a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.”
O presidente da Findes acrescenta que a entidade continuará trabalhando para ampliar a presença dos produtos capixabas em outros mercados internacionais e reduzir a dependência de um único parceiro comercial.
“Ao mesmo tempo, seguiremos trabalhando para diversificar a pauta exportadora capixaba, ampliar a presença do Espírito Santo em outros mercados e proteger a competitividade da nossa indústria.”
Observatório Findes avalia impactos das novas tarifas
Levantamento realizado pelo Observatório Findes analisou os possíveis efeitos das medidas anunciadas pelo governo norte-americano sobre as exportações capixabas realizadas em 2025. O estudo utilizou dados do Comex Stat e as listas oficiais divulgadas pelos Estados Unidos, identificando quatro cenários distintos para os produtos exportados pelo Espírito Santo.
Cenário 1 – Produtos sujeitos às duas tarifas (37,5%)
Neste grupo estão os produtos atingidos simultaneamente pelas tarifas de 25% e de 12,5%, resultando em uma tributação total de 37,5%.
Mais de 480 produtos se enquadram nessa situação. Em 2025, eles responderam por US$ 231,6 milhões em exportações, o equivalente a 8,2% das vendas capixabas destinadas aos Estados Unidos.
Entre os principais itens estão:
Rochas naturais, como granitos, mármores e outras pedras de cantaria;
Ovos;
Chocolates.
Cenário 2 – Produtos tributados apenas em 12,5%
Um total de 18 produtos será afetado exclusivamente pela tarifa adicional de 12,5%.
Apesar da quantidade reduzida de itens, eles representam cerca de US$ 850,7 milhões em exportações, correspondendo a aproximadamente 30% de tudo o que o Espírito Santo vende aos Estados Unidos.
Entre os principais produtos estão:
Pedras de cantaria e outras rochas naturais;
Minério de ferro;
Alguns tipos de celulose (exceto o principal produto do setor);
Determinados pescados.
Cenário 3 – Produtos tributados apenas em 25%
Esse cenário reúne 12 produtos da pauta exportadora capixaba que permaneceram sujeitos apenas à tarifa de 25%.
Em 2025, esses itens movimentaram cerca de US$ 19,6 mil em exportações, participação considerada praticamente irrelevante na pauta destinada ao mercado norte-americano.
Entre eles estão:
Açúcares;
Sementes;
Legumes.
Cenário 4 – Produtos isentos das duas tarifas
O levantamento também aponta que 160 produtos permanecem fora das duas novas tarifas anunciadas em julho de 2026.
Esses itens somaram aproximadamente US$ 915 milhões em exportações no ano passado, representando quase 33% de todas as vendas do Espírito Santo para os Estados Unidos.
Entre os principais produtos isentos estão:
Celulose semibranqueada (principal produto do setor);
Petróleo;
Café não torrado;
Café solúvel;
Motores elétricos;
Gengibre.
Setor do aço continua sujeito à tarifa de 50%
Embora diversos produtos tenham sido enquadrados nas novas medidas anunciadas em julho, o setor siderúrgico continua submetido a uma tarifa específica de 50%, em vigor desde 2025.
Segundo a Findes, essa cobrança não está relacionada às tarifas adicionais impostas ao Brasil em julho de 2026 e decorre de uma política tarifária específica dos Estados Unidos para o setor do aço.
Em 2025, os produtos siderúrgicos representaram aproximadamente 30% das exportações capixabas destinadas ao mercado norte-americano, movimentando cerca de US$ 862 milhões.
