Marcelo Munhão – “O Brasil perdeu o futebol… ou perdeu sua identidade?”

Durante décadas, o Brasil foi sinônimo de excelência no futebol. Cinco títulos mundiais, jogadores geniais e um estilo que encantava o planeta fizeram do país a maior potência da história do esporte.

Hoje, a realidade é diferente. Continuamos produzindo talentos, mas deixamos de ser referência. O futebol brasileiro perdeu protagonismo e, principalmente, sua identidade.

Não existe uma única explicação para essa transformação, mas alguns fatores ajudam a compreendê-la.

O primeiro deles é a exportação cada vez mais precoce dos jovens atletas. Antes mesmo de amadurecerem em nossos clubes, os principais talentos seguem para a Europa. O futebol brasileiro tornou-se um grande fornecedor de matéria-prima, enquanto outros países colhem os frutos técnicos e esportivos.

Outro aspecto é o desaparecimento do futebol de rua, da várzea e dos tradicionais campinhos de terra. Foi nesses espaços que nasceram Pelé, Garrincha, Romário, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e tantos outros craques. Ali, o improviso valia mais que a prancheta; o drible era uma necessidade, não um fundamento ensinado.

Também houve uma profunda mudança na formação dos jogadores. O futebol moderno passou a privilegiar força física, intensidade, organização tática e disciplina coletiva. Essa evolução era inevitável, mas, em muitos casos, sufocou justamente aquilo que tornava o jogador brasileiro diferente: sua criatividade.

Dois momentos simbolizam essa mudança de paradigma.

A derrota para a Itália, na Copa de 1982, mostrou que talento, sozinho, já não bastava para vencer. Décadas depois, o inesquecível 7 a 1 diante da Alemanha, em 2014, expôs problemas muito mais profundos: gestão deficiente, formação de atletas, planejamento e atraso estrutural.

Enquanto isso, diversas seleções investiram pesadamente em ciência do esporte, categorias de base, gestão profissional e desenvolvimento de treinadores. O Brasil demorou a acompanhar essa transformação.

O desafio, portanto, não é abandonar o futebol moderno nem viver da nostalgia do passado.

É unir organização, inteligência tática e preparação física à criatividade que sempre fez do futebol brasileiro uma referência mundial.

Talvez o maior problema não seja termos perdido o “jogo bonito”.

Talvez seja termos deixado de formar jogadores capazes de reinventá-lo.

Porque títulos podem ser reconquistados. Mas identidade, quando perdida, exige muito mais do que uma boa geração para ser recuperada.

*Marcelo Munhão é empresário e apaixonado por futebol.

sobre nós

Diretor de conteúdo – Eduardo Caliman

Jornalista formado pela Ufes (1995), com Master em Jornalismo para Editores pelo CEU/Universidade de Navarra – Espanha. Iniciou a carreira em A Tribuna e depois atuou por 21 anos em A Gazeta, como repórter, editor de Política, coordenador de Reportagens Especiais e editor-executivo. Foi também presidente do Diário Oficial, subsecretário de Comunicação do ES e, de 2018 a 2024, coordenador de comunicação institucional no sistema OAB-ES/CAAES.

compromisso e propósito

O NewsEspíritoSanto nasceu com compromisso de levar informação precisa, relevante e independente para os capixabas. Nosso propósito é ser uma fonte confiável para quem busca entender os acontecimentos do Estado, valorizando a transparência, a ética e a pluralidade.

Política de Privacidade: acesse aqui

contato

E-mail:

contato@newsespiritosanto.com.br

WhatsApp:

27 999204119

Participe do conteúdo do News ES: encaminhe a sua sugestão de pauta para o nosso e-mail.