Além da reposição hormonal, medicamentos não hormonais entram na discussão sobre o cuidado de sintomas como ondas de calor, alterações do sono e queixas geniturinárias
O tratamento da menopausa já não se resume à reposição hormonal. Com o avanço das pesquisas sobre os mecanismos dos sintomas do climatério, outras estratégias passaram a ser consideradas. A escolha depende dos sintomas, do histórico de saúde e das necessidades de cada mulher.
A queda dos hormônios ovarianos, especialmente do estrogênio, pode causar ondas de calor, suor noturno, alterações do sono, mudanças de humor e sintomas geniturinários. “Hoje, não devemos pensar na menopausa como uma condição com uma única receita. A escolha da estratégia depende dos sintomas, da idade, do tempo desde a menopausa, do histórico de saúde e dos riscos e benefícios para cada paciente”, explica a endocrinologista e metabologista Gisele Lorenzoni.
Entre as novidades estão medicamentos não hormonais que atuam sobre a via das neuroquininas, envolvida no controle da temperatura corporal pelo cérebro. O fezolinetant e o elinzanetant são exemplos de tratamentos voltados aos sintomas vasomotores. Em vez de repor estrogênio, eles interferem em mecanismos associados às ondas de calor.
“Essa é uma mudança interessante porque temos uma alternativa que não depende da reposição de estrogênio. Ela pode ser especialmente relevante para mulheres que possuem contraindicação à terapia hormonal ou que optam por não utilizá-la”, afirma a médica.
A terapia hormonal continua entre as opções para sintomas vasomotores importantes, mas sua indicação exige avaliação individual. Segundo Gisele, mudanças recentes nas informações de segurança de determinados produtos não significam uma recomendação geral para todas as mulheres. “A retirada de algumas advertências não deve ser interpretada como uma liberação geral da terapia hormonal. Continuamos precisando avaliar contraindicações, fatores de risco, idade, tempo desde a menopausa e o tipo de terapia que será utilizada. A decisão deve ser compartilhada entre médica e paciente”, ressalta.
Também há estratégias não hormonais já utilizadas, como determinados antidepressivos e medicamentos neuromoduladores. O cuidado pode variar conforme as queixas — incluindo sintomas urinários e genitais, alterações do sono e questões sexuais — e deve considerar possíveis efeitos adversos e interações. “Estamos saindo de uma visão em que a menopausa era tratada de maneira muito padronizada. Hoje, temos mais ferramentas e, consequentemente, mais possibilidades de personalizar o cuidado”, conclui Gisele.
