Quando a Espanha entrou em campo contra Cabo Verde, poucos imaginavam que o principal personagem da partida seria um goleiro de 40 anos. Mas foi exatamente isso que aconteceu.
Com uma atuação histórica, o goleiro cabo-verdiano Vozinha realizou uma série de defesas decisivas e garantiu o empate sem gols da seleção africana contra uma das favoritas ao título mundial.
A atuação transformou o veterano em um dos rostos da longevidade esportiva nesta Copa do Mundo e reforçou uma tendência que também pode ser observada em craques como Cristiano Ronaldo e Lionel Messi: chegar aos 40 anos em alto nível não é mais uma exceção tão rara quanto parecia há algumas décadas.
Embora se trate de atletas de alto nível, que contam com toda estrutura e acompanhamento, é possível conquistar bons resultados e seguir ativo no esporte e na prática de exercícios mesmo sem ser profissional.
“Mudanças de comportamento e adoção de hábitos saudáveis podem ajudar qualquer indivíduo a chegar aos 40, 50 ou 60 anos com saúde, disposição e capacidade para praticar esportes”, afirma o personal trainer Marcio Vago, 56 anos, ele mesmo um atleta do fisiculturismo.
Para o professor, constância, disciplina e comprometimento, aliados a uma orientação adequada, são decisivos para se manter ativo, praticando o esporte de predileção.
Ao contrário do que muitos imaginam, a longevidade esportiva não depende apenas de talento ou genética. Ela é resultado de hábitos consistentes construídos ao longo da vida.
De acordo com o geriatra da MedSênior, Roni Mukamal, os atletas que conseguem manter um bom desempenho após os 40 costumam ter comportamentos comuns, mesmo em suas individualidades:
“Manter uma rotina regular de atividade física orientada por profissionais; não abrir mão do fortalecimento muscular; controlar o peso corporal; dormir adequadamente; respeitar os períodos de recuperação; e ter uma rotina de acompanhamento médico periódico são algumas boas práticas que valem para todos”, afirma.
Contar com orientação para a prática de exercícios é, sempre que possível, o mais recomendado, tanto na opinião do médico quanto do personal.
“É importante conhecer e respeitar os próprios limites, adaptando os treinos a cada fase da vida”, ressalta Vago.
A principal diferença é que, com o passar do tempo, o foco deixa de ser apenas desempenho e passa a incluir prevenção de lesões e preservação da capacidade funcional.
O que Messi, Cristiano Ronaldo e Vozinha têm em comum?
Embora em contextos diferentes, os três representam uma mudança importante na forma como o envelhecimento é encarado no esporte.
Cristiano Ronaldo segue impressionando pela condição física, resultado de uma rotina rigorosa de treinamento, alimentação e recuperação.
Messi, por sua vez, demonstra que experiência, inteligência tática e preparação adequada podem compensar a perda gradual de algumas capacidades físicas naturais da idade.
Vozinha mostrou ao mundo que reflexos, concentração, gana e vontade de vencer podem continuar fazendo a diferença mesmo aos 40 anos.
Fala, Doutor
Por Roni Mukamal
Quer seguir ativo? Aposte na musculação
Uma das maiores lições deixadas pelos atletas veteranos é a importância do fortalecimento muscular.
A partir dos 30 anos, o organismo começa a perder massa muscular de forma gradual. Esse processo tende a se acelerar após os 40 e pode comprometer força, equilíbrio, mobilidade e desempenho esportivo.
Por isso, programas de musculação e exercícios resistidos passaram a ocupar papel central tanto na preparação de atletas profissionais quanto na promoção da saúde da população em geral.
Músculos mais fortes ajudam a proteger articulações, reduzem o risco de quedas e favorecem a prática segura de atividades como corrida, futebol, ciclismo, natação e caminhadas.
Recuperação também é treino
Outro aspecto nem sempre ressaltado é a importância do período de recuperação muscular.
Sono adequado, hidratação, alimentação equilibrada e intervalos corretos entre os treinos são fatores que influenciam diretamente a capacidade de continuar praticando esportes por muitos anos.
É justamente por isso que atletas veteranos costumam dedicar tanto tempo aos cuidados fora dos gramados quanto aos treinamentos em si.
O maior adversário é o sedentarismo
Se existe um fator que acelera a perda de capacidade física com o envelhecimento, ele não é a idade: é o sedentarismo.
Pessoas que permanecem fisicamente ativas ao longo da vida costumam apresentar melhor condicionamento cardiovascular, menor risco de doenças crônicas, mais independência funcional e melhor qualidade de vida.
Mesmo quem nunca praticou esportes regularmente pode se beneficiar ao iniciar atividades físicas de forma gradual e orientada.
