O Espírito Santo deve alcançar seu próximo pico de produção de petróleo e gás natural em 2027. A projeção consta na 9ª edição do Anuário da Indústria de Petróleo e Gás Natural no Estado, lançada nesta terça-feira (14) pelo Observatório Findes. O documento reúne dados atualizados do setor e apresenta estimativas de investimentos e evolução da produção até os próximos anos.
De acordo com o levantamento, entre 2025 e 2027, a produção de petróleo no Estado deve crescer, em média, 13,5% ao ano. A expectativa é que o volume atinja 248,4 mil barris de óleo por dia, além de 6,2 milhões de metros cúbicos diários de gás natural. O avanço será impulsionado principalmente pela produção offshore, com crescimento médio anual de 13,8%, apoiado pela entrada em operação de novos projetos e pela ampliação de campos já existentes.

O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona (foto), destacou o papel estratégico do setor para a economia capixaba.
“Ela foi importante há 20 anos e continua sendo hoje. No último ano, reassumimos a segunda posição entre os maiores produtores de petróleo do país, após seis anos. Para este ano, a expectativa é de continuidade do crescimento, e seguimos atentos ao próximo pico de produção e às formas de fazer com que ele gere impacto positivo em diferentes segmentos econômicos do Estado.”
A gerente executiva do Observatório Findes e economista-chefe da entidade, Marília Silva, ressaltou a relevância econômica da atividade.
“Esse é um segmento que gera empregos com salários melhores e que demanda diversos segmentos. Os dados do Ministério do Trabalho mostram que no Estado temos 652 empresas que fazem parte da cadeia produtiva do petróleo e gás, que juntas geram 17,2 mil empregos formais diretos, com salário médio de R$ 7.954,70”, afirmou.
Segundo o anuário, o crescimento projetado até 2027 está associado à aceleração da produção do FPSO Maria Quitéria, no campo de Jubarte, ao início da operação no campo de Wahoo e à expansão das atividades no campo de Golfinho. Esses fatores devem sustentar o avanço da produção no curto prazo.

A partir de 2028, no entanto, a tendência é de declínio natural da produção nos campos capixabas, em função do amadurecimento das áreas exploradas. Nesse contexto, ganha relevância o mercado de descomissionamento offshore, voltado à desativação de estruturas de produção.
Atualmente, 26 projetos de descomissionamento já estão aprovados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), somando investimentos estimados em R$ 4,8 bilhões. A avaliação é que esse cenário abre espaço para a estruturação de uma nova cadeia produtiva no Estado, com potencial para atrair empresas especializadas e consolidar o Espírito Santo como referência nacional nesse segmento.

Indicadores do setor no Espírito Santo
Produção de petróleo: 192,9 mil barris por dia em 2025 (2ª posição no país)
Produção de gás natural: 5,08 milhões de m³/dia em 2025 (4ª posição no país)
Reservas de petróleo: 94,5% localizadas em áreas offshore
Projeção de crescimento: 13,5% ao ano (petróleo) e 10,6% (gás) entre 2025 e 2027
Investimentos previstos até 2031: R$ 38,4 bilhões
Empresas na cadeia produtiva: 652
Empregos formais: 17,2 mil
Salário médio: R$ 7.954,70 no ES (R$ 8.409,99 no Brasil)
O Anuário da Indústria de Petróleo e Gás no Espírito Santo consolida dados sobre produção, investimentos, arrecadação de royalties, número de poços perfurados e outros indicadores do setor. Produzido desde 2017 pelo Observatório Findes, o estudo conta com apoio de entidades do segmento e do Governo do Estado.
