Sedentarismo, sono ruim, estresse crônico, alimentação rica em ultraprocessados e isolamento social estão entre os fatores que sobrecarregam o coração e afetam a saúde ao longo dos anos
Cansaço frequente, pouca disposição para caminhar, noites mal dormidas, ganho de peso e alterações de humor podem ter diferentes causas. Mas, quando persistem, são sinais de que a saúde merece atenção. No Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, o cardiologista da MedSênior Augusto Neno chama a atenção para hábitos cotidianos que podem sobrecarregar o sistema cardiovascular e comprometer a qualidade de vida.
“Coração e envelhecimento caminham juntos. Quando descuidamos do coração, antecipamos problemas típicos da idade, como perda de mobilidade, piora da memória, visão e audição comprometidas”, explica o médico.
Segundo Neno, os cuidados cardiovasculares também beneficiam outras partes do organismo. “Um coração saudável depende de vasos sanguíneos saudáveis. São esses vasos que levam oxigênio e nutrientes para todas as células. Quando a circulação é prejudicada, todo o corpo sente”, acrescenta.
O especialista destaca que alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso, da pressão arterial, da glicose e do colesterol, além de não fumar e dormir bem, ajudam a proteger a saúde. “Quando melhoramos a saúde cardiovascular, protegemos os vasos sanguíneos do cérebro, dos olhos, dos ouvidos, dos rins, das pernas. O impacto é global: da cabeça à ponta dos pés, o corpo envelhece de forma mais lenta e com mais qualidade”, reforça.
Cinco hábitos que podem prejudicar o coração
1. Sedentarismo
Passar longos períodos sentado e praticar pouca atividade física prejudica a circulação e a eficiência do sistema cardiovascular. A falta de movimento também favorece o ganho de peso, pode piorar a resistência à insulina e está associada a fatores como pressão alta. Com o tempo, pode contribuir para a perda de massa muscular e força, dificultando a mobilidade e tarefas do dia a dia.
2. Sono irregular ou insuficiente
Dormir pouco ou ter noites de má qualidade pode afetar a pressão arterial, os processos inflamatórios e hormônios ligados ao apetite e ao estresse. Quando o problema persiste, também pode contribuir para ganho de peso e aumentar o risco de alterações cardiovasculares. A falta de sono reparador ainda prejudica memória, atenção, humor e imunidade.
3. Estresse crônico
Preocupações constantes, sobrecarga emocional e dificuldade para relaxar podem manter o organismo em estado de alerta. O estresse prolongado pode afetar a pressão arterial, o sono e o controle de doenças como o diabetes. Também pode favorecer hábitos prejudiciais à saúde, como comer em excesso, fumar ou aumentar o consumo de álcool.
4. Alimentação rica em ultraprocessados
Produtos com excesso de sal, açúcar e gorduras saturadas podem contribuir para alterações no colesterol, nos triglicerídeos e na pressão arterial. Ao longo do tempo, esse padrão alimentar está associado a maior risco de doenças cardiovasculares. Em contrapartida, uma alimentação baseada em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, azeite e peixes pode ajudar a proteger a saúde.
5. Isolamento social e solidão
A falta de convívio e de vínculos pode afetar a saúde mental e dificultar os cuidados com doenças crônicas. Pessoas isoladas também podem se movimentar menos, dormir mal e adotar uma alimentação menos equilibrada. Para os idosos, a convivência com familiares e a participação em grupos, igrejas, clubes e atividades coletivas podem contribuir para o bem-estar e a manutenção da autonomia.
