Estudo aponta que produtividade teria de crescer mais de 8% para compensar eventual jornada de 40 horas semanais sem redução de salários
O Brasil poderia levar entre 17 e 30 anos para alcançar ganhos de produtividade suficientes para compensar os efeitos de uma eventual redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas, associada à mudança da escala 6×1. A estimativa consta de estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que analisa possíveis impactos da medida sobre produtividade, emprego formal e massa salarial.
A projeção considera um cenário em que as empresas mantêm o número de empregados e os salários, absorvendo a redução das horas trabalhadas sem diminuir a remuneração. Segundo o levantamento, o total de horas trabalhadas cairia cerca de 7,8%.
Para compensar essa redução, a produtividade por hora trabalhada teria de avançar entre 8,3% e 8,5%. A CNI calcula que, considerando o ritmo histórico de evolução da produtividade brasileira, seriam necessários de 17 a 30 anos para acumular um ganho dessa magnitude.
O estudo entra no debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, tema que ganhou espaço na discussão política e econômica do país. Para a indústria, uma eventual mudança precisa considerar seus efeitos sobre custos, geração de empregos e capacidade produtiva das empresas.
O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, defende que a discussão seja acompanhada de medidas voltadas ao aumento da produtividade brasileira. Segundo ele, a ampliação de direitos de forma sustentável depende também do crescimento da capacidade do país de gerar riqueza.
“Não podemos discutir a redução da jornada de forma isolada, sem enfrentar o desafio estrutural da baixa produtividade”, afirma Baraona. Para o presidente da Findes, investimentos em educação e qualificação profissional, inovação, tecnologia, segurança jurídica e melhoria do ambiente de negócios devem fazer parte desse processo.
