Com 90 milhões de brasileiros sem acesso à coleta de esgoto, especialistas defendem que o saneamento básico precisa ocupar espaço central no debate público
Saúde, educação, economia e meio ambiente. Poucos temas impactam tantas áreas da vida quanto o saneamento básico. Apesar disso, o assunto ainda permanece restrito a especialistas e gestores públicos. É justamente essa lacuna que a plataforma Saneamento Salva, criada pelo Instituto Aegea, pretende reduzir. O tema foi debatido nesta terça-feira (16), no Centro de Convenções de Vitória, durante o seminário “Saneamento e Saúde”, que marcou o lançamento da iniciativa no Espírito Santo.
O evento reuniu representantes do Ministério Público do Espírito Santo, da Cesan, da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP), além de gestores das prefeituras de Cariacica, Serra e Vila Velha, agentes comunitários de saúde e lideranças locais.
O principal palestrante foi Edison Carlos (foto acima), presidente do Instituto Aegea e uma das principais referências nacionais em saneamento. Segundo ele, o setor ainda recebe menos atenção do que deveria, apesar de seu impacto direto na qualidade de vida da população.
“O saneamento é a infraestrutura mais importante na proteção da saúde e da vida das pessoas. Não existe nada mais importante para aumentar a expectativa de vida do que água tratada e sistema de esgoto. O básico está no nome”, afirmou.
De acordo com Edison Carlos, cerca de 90 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à coleta de esgoto e aproximadamente 30 milhões vivem sem água tratada. Para ampliar o alcance dessas informações, o Instituto Aegea criou a plataforma Saneamento Salva, com linguagem acessível e conteúdo voltado à conscientização da população.
Os impactos da falta de saneamento são amplos. Segundo o especialista, ao menos 25 doenças estão associadas à ausência de água tratada e esgotamento sanitário adequado, entre elas diarreia, hepatite, leptospirose, verminoses, esquistossomose e dengue. Problemas respiratórios também podem ser agravados em ambientes sem condições adequadas de higiene.
Espírito Santo como referenciado
O Espírito Santo foi escolhido para o lançamento estadual da plataforma por ser considerado referência nacional na área. Segundo os organizadores, o estado manteve políticas públicas voltadas ao saneamento independentemente das mudanças de governo.
Na Serra, a cobertura de esgotamento sanitário passou de 58% para mais de 90% desde o início da parceria entre Cesan e Aegea. Em Cariacica, a meta é atingir 95% de cobertura até 2033.
Para Bruna Buldrini, presidente das unidades da Aegea no Espírito Santo, o avanço do saneamento depende também do engajamento da sociedade.
“É um convite para que cada capixaba se torne multiplicador dessa causa. Cada nova ligação de esgoto representa uma família com mais dignidade, saúde e qualidade de vida. O saneamento só se completa quando a sociedade entende seu valor e cobra avanços”, destacou.
A plataforma Saneamento Salva é gratuita e reúne informações sobre os impactos do saneamento na saúde, na economia e no desenvolvimento social.
