Conhecido em todo o Brasil por inspirar uma das músicas mais famosas de Jorge Ben Jor, o ex-atacante Fio Maravilha também deixou sua marca no futebol capixaba. Embora a lembrança mais comum seja a do folclórico jogador do Flamengo eternizado na canção “Fio Maravilha”, poucos sabem que ele defendeu a Desportiva Ferroviária nas temporadas de 1973 e 1974, justamente quando o clube iniciava sua trajetória no Campeonato Brasileiro.

Zagallo: técnico que indicou a contratação de Fio pela Desportiva
A história da chegada de Fio ao Espírito Santo envolve outro personagem lendário do futebol brasileiro. Em 1973, a Desportiva buscava reforços junto ao Flamengo para disputar pela primeira vez a principal competição nacional.

O alvo inicial da diretoria grená era um jovem meia de apenas 20 anos chamado Arthur Antunes Coimbra, o futuro Zico. O então técnico rubro-negro, Mário Jorge Lobo Zagallo, no entanto, vetou a negociação por acreditar que o jogador seria importante para o elenco. Como alternativa, indicou Fio Maravilha, que acabou acertando com a Locomotiva.
Na Desportiva, Fio disputou 14 partidas pelo Campeonato Brasileiro de 1973. Embora não tenha balançado as redes, sua contratação teve grande repercussão por se tratar de um jogador conhecido nacionalmente e identificado com o Flamengo. Naquele momento, o clube capixaba buscava fortalecer o elenco para representar o Espírito Santo em sua primeira participação na elite do futebol brasileiro.
O gol que virou música
Antes de chegar ao Espírito Santo, Fio Maravilha já havia entrado para a história do futebol brasileiro. Em janeiro de 1972, durante um torneio internacional no Maracanã, saiu do banco de reservas para marcar um golaço na vitória do Flamengo sobre o Benfica, de Portugal. A jogada encantou o cantor e compositor Jorge Ben, que transformou o lance na música “Fio Maravilha”, um dos maiores sucessos de sua carreira.

A canção atravessou gerações e fez do atacante um personagem da cultura popular brasileira. Curiosamente, anos depois, Fio chegou a entrar na Justiça reivindicando participação nos direitos autorais da música. O episódio levou Jorge Ben a alterar temporariamente o nome da composição para “Filho Maravilha”, até que os dois fizeram as pazes e o título original voltou a ser utilizado.

Depois da Desportiva
Após sua passagem pela Desportiva Ferroviária, Fio Maravilha ainda defendeu clubes como São Cristóvão, Olaria e Juventude, encerrando sua trajetória no futebol brasileiro antes de seguir para os Estados Unidos. No país norte-americano, atuou por equipes como New York Eagles, Monte Belo Panthers e San Francisco Mercury, ajudando na divulgação e no desenvolvimento do futebol em uma época em que a modalidade ainda buscava espaço por lá.
Depois de pendurar as chuteiras, permaneceu vivendo nos Estados Unidos, onde trabalhou como treinador e participou de projetos voltados à formação de jovens atletas. Enquanto sua carreira como jogador ficou marcada por um gol histórico e por uma música que atravessou gerações, sua passagem pela Desportiva Ferroviária segue como uma curiosidade pouco conhecida, mas que conecta o futebol capixaba a um dos personagens mais emblemáticos da história do esporte brasileiro.

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