Após os 60 anos, a pele perde parte da sua proteção natural e fica mais suscetível ao ressecamento, fissuras e doenças dermatológicas nos meses mais frios
Com a chegada do inverno, é comum que os cuidados com a saúde se concentrem na prevenção de doenças respiratórias, como gripes e pneumonias. No entanto, outro órgão também sofre com a queda das temperaturas e merece atenção especial, principalmente entre pessoas com mais de 60 anos: a pele.
De acordo com a dermatologista da MedSênior, Luana Vieira Mukamal, o processo natural de envelhecimento provoca alterações estruturais que tornam a pele mais fina, sensível e vulnerável às condições típicas da estação.
“Com o passar dos anos, ocorre perda de colágeno e elastina, redução da produção de óleo pelas glândulas sebáceas e diminuição dos lipídios responsáveis por proteger a barreira cutânea. Como consequência, a pele retém menos água, resseca com mais facilidade e fica mais suscetível a irritações e lesões”, explica.
Segundo a especialista, o inverno potencializa esse quadro. O clima mais seco, o vento frio, os banhos quentes e prolongados e até a menor ingestão de água favorecem o ressecamento da pele, que pode evoluir para problemas mais sérios.
“Além da sensação de pele áspera e repuxando, são comuns descamação, vermelhidão e coceira intensa. Em situações mais graves, podem surgir pequenas fissuras, principalmente nas pernas, braços, mãos e pés”, afirma.
Essas rachaduras comprometem a barreira natural da pele e facilitam a entrada de microrganismos, aumentando o risco de infecções. A coceira persistente também interfere na qualidade do sono e no bem-estar dos idosos. Além disso, doenças como dermatite atópica, dermatite seborreica, eczema asteatósico e psoríase podem surgir ou apresentar agravamento durante o período mais frio.
“Quando a barreira cutânea está fragilizada, a pele perde água com mais facilidade, fica inflamada e mais sensível. Pessoas com predisposição genética, alergias ou doenças inflamatórias costumam apresentar piora dos sintomas no inverno”, destaca a médica.
Outro fator que merece atenção são as roupas típicas da estação. Tecidos de lã ou materiais sintéticos em contato direto com a pele podem aumentar a irritação e intensificar a coceira. A recomendação é utilizar peças de algodão como primeira camada, deixando tecidos mais ásperos apenas na parte externa.
A dermatologista também orienta substituir, sempre que possível, o sabonete comum por óleos de banho, que ajudam a preservar a hidratação natural da pele. Outra medida importante é aplicar um hidratante adequado ao tipo de pele nos primeiros minutos após o banho, quando a pele ainda está levemente úmida, favorecendo a retenção de água.
Além dos cuidados externos, a alimentação e a hidratação têm papel fundamental na saúde da pele. Segundo Luana Mukamal, uma dieta rica em frutas, verduras e legumes fornece vitaminas, minerais e antioxidantes importantes para a renovação celular e para a manutenção da barreira cutânea.
“Mesmo durante o inverno, quando a sensação de sede costuma diminuir, é essencial manter uma boa ingestão de água ao longo do dia. A hidratação começa de dentro para fora”, reforça.
Cuidados essenciais com a pele no inverno após os 60 anos
Prefira banhos rápidos e com água morna, evitando temperaturas muito elevadas.
Utilize óleo de banho ou sabonetes suaves apenas nas áreas necessárias, sem esfregar excessivamente a pele.
Aplique hidratante nos primeiros três minutos após o banho, com a pele ainda úmida.
Dê preferência a roupas de algodão em contato direto com a pele e utilize lã ou tecidos mais ásperos apenas como segunda camada.
Mantenha uma boa ingestão de água, mesmo sem sentir sede.
Tenha uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e legumes.
Evite buchas, esfoliantes, perfumes aplicados diretamente sobre a pele e cosméticos muito perfumados.
Em caso de coceira persistente, fissuras, manchas ou agravamento de doenças dermatológicas, procure avaliação médica.
