Um desabafo da atriz Isis Valverde nas redes sociais voltou a chamar atenção para um desafio enfrentado diariamente por pessoas com doença celíaca: a falta de informações claras sobre a presença de glúten nos cardápios de restaurantes, bares e outros estabelecimentos. Ao defender uma identificação mais transparente dos alimentos, a atriz levantou uma discussão que vai além da conveniência e envolve saúde e segurança alimentar.
A doença celíaca é uma condição autoimune desencadeada pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, na cevada e no centeio. Segundo a nutricionista da Bluzz Saúde, Dra. Milena Zambom, o consumo dessa proteína provoca uma reação do organismo que compromete o intestino delgado.

“A doença celíaca é uma doença autoimune causada pela ingestão de glúten em pessoas geneticamente predispostas. Ela provoca inflamação e lesão no intestino delgado, prejudicando a absorção de nutrientes”, explica.
Os sintomas podem variar bastante entre os pacientes, o que faz com que o diagnóstico nem sempre seja rápido. Entre os sinais mais comuns estão diarreia, dor abdominal, distensão abdominal, perda de peso, anemia e fadiga. “O diagnóstico pode demorar porque os sintomas variam muito e podem ser semelhantes aos de outras doenças”, afirma a especialista.
Após o diagnóstico, não existe tratamento medicamentoso capaz de substituir a mudança alimentar. A única forma de controlar a doença é retirar completamente o glúten da rotina.
“O tratamento é a exclusão total e permanente do glúten, com acompanhamento nutricional para evitar deficiências e orientar sobre alimentação segura”, destaca a nutricionista.
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, não é preciso consumir grandes quantidades para que ocorram danos ao organismo. “Pequenas quantidades já podem causar inflamação intestinal, mesmo sem sintomas aparentes”, alerta.
Outro ponto que merece atenção é a chamada contaminação cruzada, quando alimentos naturalmente livres de glúten entram em contato com utensílios, superfícies ou produtos contaminados durante o preparo.
“É quando um alimento sem glúten entra em contato com alimentos ou utensílios contaminados. Isso pode ser suficiente para desencadear a resposta imunológica”, explica.
Segundo a especialista, o glúten não está presente apenas em pães, bolos e massas. Molhos industrializados, temperos prontos, embutidos, chocolates, sorvetes, suplementos alimentares e até alguns medicamentos também podem conter a proteína, tornando a leitura dos rótulos indispensável.
Nesse contexto, a identificação adequada dos alimentos nos estabelecimentos comerciais representa uma importante medida de proteção aos consumidores.
“A identificação facilita escolhas seguras, evita a ingestão acidental de glúten e aumenta a segurança alimentar”, afirma.
Ela ressalta, porém, que a sinalização dos cardápios, por si só, não é suficiente. “É essencial evitar contaminação cruzada, utilizando utensílios exclusivos, superfícies limpas, armazenamento separado e equipe treinada.”
A nutricionista também faz um alerta para quem decide eliminar o glúten da alimentação por conta própria. “Não há benefícios comprovados para pessoas saudáveis, e a exclusão sem necessidade pode comprometer a qualidade da alimentação.”
Para quem recebeu recentemente o diagnóstico, a orientação é buscar acompanhamento profissional para aprender a adaptar a rotina alimentar. “É importante aprender a ler rótulos, evitar a contaminação cruzada e manter uma alimentação equilibrada e variada.”
Ao fazer refeições fora de casa, Dra. Milena recomenda que o consumidor não se limite às informações do cardápio. “Os erros mais comuns são confiar apenas na descrição dos pratos, não perguntar sobre o preparo e desconsiderar o risco de contaminação cruzada.”
Por fim, ela destaca que familiares, amigos e estabelecimentos têm papel importante na inclusão de quem convive com a doença. “Respeitar a restrição ao glúten, evitar contaminação cruzada, oferecer opções seguras e buscar informação sobre a doença são atitudes que tornam a alimentação mais segura e inclusiva.”
