Intervenção reúne jovens e artistas a partir das 9 horas e integra a programação do Mês das Juventudes da Serra A Praça Central de Laranjeiras, na Serra, recebe na manhã desta terça-feira (22) uma intervenção de grafite com a participação de jovens e artistas convidados. A atividade começa às 9 horas e faz parte da programação do Mês das Juventudes da Serra. Durante a ação, telas de madeirite instaladas na praça serão utilizadas para a produção de trabalhos inspirados nas culturas urbanas, nos territórios onde vivem os participantes e nas diferentes relações dos jovens com a cidade. A iniciativa também pretende ampliar o debate sobre a presença da juventude nos espaços públicos. A proposta aborda temas como direito à cidade, identidade, memória e a participação dos jovens na produção cultural e na ocupação dos espaços urbanos. O grafite foi escolhido como linguagem principal da intervenção por sua ligação com a cultura urbana e pelo uso do espaço público como meio de expressão artística e social. Os trabalhos produzidos pelos artistas convidados terão continuidade na programação do Festival Serra+ Juventudes, marcado para o dia 26 de setembro. As obras serão expostas durante o evento, permitindo que o público acompanhe parte do resultado da intervenção realizada em Laranjeiras. Serviço Intervenção de grafite “Juventude, Arte Urbana e Direito à Cidade” Data: terça-feira (22) Horário: 9 horas Local: Praça Central de Laranjeiras, Avenida Primeira Avenida, Parque Residencial Laranjeiras, Serra Participação: jovens e artistas convidados Foto: Magnific
Um ano após resgate em alto-mar, história de Maikel Santos vira animação
Curta inspirado nos quatro dias em que o criador da Macakids ficou à deriva estreia em 26 de setembro, no Cinemark do Shopping Vitória Exatamente um ano depois de ser resgatado após passar quase quatro dias à deriva em alto-mar, o empresário Maikel Santos, criador da Macakids, verá a experiência que viveu chegar às telas do cinema. No próximo sábado (26), estreia no Cinemark do Shopping Vitória o curta de animação “Uma Aventura no Mar Sem Fim”, inspirado no episódio ocorrido em setembro de 2025. Com 13 minutos de duração, o filme será apresentado inicialmente em uma sessão para convidados e funciona como episódio piloto de um projeto que prevê uma série de 26 capítulos. A produção leva a história de sobrevivência para o universo infantil da Turma Macakids, formada por personagens que vivem na fictícia Ilha Macakids. Em setembro do ano passado, Maikel pilotava uma lancha durante uma pescaria com um amigo quando os dois desapareceram. Eles permaneceram quase quatro dias no mar, enfrentando falta de água potável, fome e condições adversas, até serem encontrados com vida próximos ao litoral do Rio de Janeiro. O caso mobilizou familiares, amigos e equipes envolvidas nas buscas e teve repercussão no Espírito Santo. Na animação, a experiência é adaptada para abordar temas como coragem, esperança, fé e superação. O curta utiliza cenários em 3D, trilha sonora original e contou com consultoria pedagógica para adequar a narrativa ao público infantil. O elenco de vozes reúne nomes da dublagem brasileira. Arthur Salerno interpreta Caco; Mauro Ramos, Macacreia; Claudio Galvan, Tonico e Baleia Balu; Bianca Alencar, Estrelinha Maitê; Bia Vasconcellos, Zuri; Laura Castro, Drika; Fernando Mendonça, Picareta; Lucas Gama, Rudá; e Oberdan Júnior, Babu. O próprio Maikel Santos participa da produção dando voz ao personagem Pelota. Parte dos dubladores estará em Vitória para a estreia. A exibição também coincide com o lançamento do Macakids Club, plataforma digital voltada para crianças e famílias. Disponível para Android e iOS, o serviço reúne vídeos, músicas, histórias, jogos e conteúdos educativos. A proposta inclui atividades relacionadas a português, matemática, história, inglês e inteligência emocional. Segundo a Macakids, a plataforma não terá anúncios e contará com recursos que permitem o acompanhamento dos responsáveis. A iniciativa amplia a atuação da marca, criada em Vitória há mais de uma década e que desenvolve desenhos, músicas, produtos licenciados e projetos voltados ao público infantil. Para Maikel, a escolha da data liga diretamente o novo projeto ao episódio vivido em 2025. “Há um ano eu estava vivendo uma situação que jamais imaginei enfrentar. Voltar para casa foi uma segunda chance e tenho muita gratidão a Deus por estar aqui. Hoje, poder transformar essa experiência em uma história para as crianças tem um significado ainda maior”, afirma. “‘Uma Aventura no Mar Sem Fim’ fala de fé, coragem, esperança e de não desistir, mesmo nos momentos mais difíceis. Ver tudo isso ganhar vida através da Turma Macakids é emocionante e também uma forma de compartilhar os valores em que acreditamos”, completa Maikel. Serviço Estreia: “Uma Aventura no Mar Sem Fim” Data: 26 de setembro de 2026, sábado Local: Cinemark – Shopping Vitória Sessão: exclusiva para convidados Duração: 13 minutos Projeto: episódio piloto de uma série prevista para 26 episódios Macakids Club: disponível para Android e iOS
Produtores de Vila Velha ampliam criação de tilápia e camarão da Malásia
Propriedades na região de Xuri investem em novos tanques e projetam aumento da produção aquícola Produtores rurais de Vila Velha estão ampliando a criação de tilápias e camarão da Malásia na zona rural do município. O avanço da atividade foi acompanhado durante uma visita técnica realizada na última sexta-feira (18) em propriedades da região de Xuri. A produção vem sendo desenvolvida após cerca de um ano de experiências e capacitações com consultoria do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Nesse período, produtores implantaram e aperfeiçoaram sistemas de criação de peixes e camarões em tanques. Uma das propriedades visitadas foi a de Ely de Oliveira, que estima alcançar uma produção de 27 toneladas de tilápia por ciclo de seis meses. Até o fim deste ano, a previsão é de que três toneladas estejam prontas para comercialização. Atualmente, a propriedade conta com cinco tanques circulares, três com 8,20 metros de dimensão e dois com seis metros. Segundo Ely, a estrutura começou a ser desenvolvida a partir de experiências realizadas com caixas d’água após a capacitação. O produtor pretende chegar a dez tanques e avalia também iniciar a criação de camarão da Malásia. Outro produtor de Xuri, José Luiz Helmer, mantém cinco tanques suspensos. Três são destinados à criação de camarão da Malásia e dois à produção de tilápias. A intenção é aperfeiçoar o sistema e aumentar gradualmente a capacidade produtiva. A visita reuniu técnicos das secretarias municipal e estadual de Agricultura e Pesca e da Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura. Entre os temas discutidos esteve a organização dos produtores em associações, considerada uma alternativa para facilitar o acesso a linhas de financiamento, programas de incentivo e políticas públicas voltadas à aquicultura. Foto: PMVV
João Gualberto – “Histórias capixabas”
Escrevi, há algumas semanas, uma crônica sobre o Tenente Evaristo, um policial sanguinário que andou apavorando o Espírito Santo no início do século passado. Na verdade, comentei o livro escrito por Ângelo Guarniello e publicado em 1904, sobre a presença do oficial da Polícia Militar no Rio Pardo, município capixaba que hoje se chama Iúna. Nele, são contadas muitas histórias acerca da perversidade desse personagem. O escritor teve mesmo que abandonar a cidade, onde seus livros foram queimados, e foi embora para o Paraná, onde ajudou a fundar a Academia de Letras. Era comum, aliás, no tempo dos coronéis, que agregados e capangas fizessem com violência o serviço sujo da política. Alguns tinham até cargos públicos na estrutura policial de então. Não era raro que bandos de jagunços armados, a soldo dos chefes políticos locais, cometessem muitas atrocidades. As façanhas do Tenente Evaristo, contadas no livro, eram bastantes comuns na época. Iúna, onde se passa a ação, teve seu território marcado pela violência e pelas mortes de mando. Falo isso porque morei na infância naquela cidade, onde meu pai foi juiz de direito, e tenho bem viva na memória os casos que lá ocorriam, tantos anos depois dos fatos protagonizados pelo terrível tenente da polícia militar. Paulo Cezar Dutra, experimentado repórter policial e jornalista político, andou pesquisando o tema e lembrou,em um de seus textos, de uma citação feita por Danuza Leão, em seu livro Quase Tudo, que conta, como ela mesma diz no título, quase tudo da sua vida. Um texto maravilhoso, leve como ela costumava escrever, que começa por sua infância parcialmente vivida no Espírito Santo. Ela diz no texto que a mãe dela se chamava Altina e tinha o apelido de Tinoca, e que o seu avô era italiano, que veio cedo para o Brasil com a família para tentar a sorte justamente em Rio Pardo, no Espírito Santo. Esse avô se chamava Braz Lofego e era comerciante no Rio Pardo. Ele tinha uma irmã chamada Nóbila, que também era italiana. Ela estava casada e com dois filhos, quando apareceu por lá o tenente Evaristo. A tia de Danuza se apaixonou por ele. Um dia, como a autoraregistra no livro, Nóbila sumiu. O irmão Braz jádesconfiava de alguma coisa, pegaram a estrada a cavalo, e, muitas léguas depois, encontraram quem buscavam e o fuzilaram no ato. Nóbila havia fugido do marido e da família com uma empregada, e a combinação era que ela e o Tenente se encontrariam em Cachoeiro, no único hotel da cidade, o que, em si, já era um escândalo para a época. Quando soube da notícia da morte do homem que amava, vestiu-sede preto, e para sempre. Nunca mais voltou para o marido, que cuidou dos filhos, nunca mais pisou na casa de nenhum parente, mas nunca deixou, lembra Danuza, de usar sapatos de salto alto. Uma pequena tragédia pessoal, mas que mostra muito bem o papel feminino no mundo dos coronéis. Essa mulher jovem, que ousou viver a sua vida, ficou reclusa até o seu último dia. O registro é que morreu em idade avançada. Quando a vingança mais dura se impôs em nome da honra, os irmãos de Nóbila não pensaram na sua dor, nem na de seus filhos. Era imperativa a vingança, pois honra se lavava com sangue. No mundo violento dos coronéis, essa era a lei; aliás, eles faziam as leis. Os bandos quando invadiam uma casa dos adversários políticos de seus chefes, matavam impiedosamente os homens e violentavam as mulheres. Um capanga de um líder do interior não matava mulheres, servia-se delassexualmente dias a fio. Como fez o Tenente Evaristo em vários episódios de sua curta, mas violentíssima vida.Essas histórias capixabas aproximam-se das outras que se passaram nos mais variados territórios brasileiros, em toda parte. O lado sofisticado dos velhos caciques políticos, os artigos que escreviam nos jornais republicanos, os discursos parlamentares, as práticas positivistas eram uma face mais visível do progresso, do desenvolvimento econômico. A outra face era a da violência como arma eleitoral e política, a da intolerância contra os padrões morais que alicerçavam a ordem. Essas histórias vão surgindo de forma fragmentada e são peças de quebra-cabeças que compõem o nosso imaginário social
Empreendimento na Enseada Azul dedica módulo exclusivo a wellness com vista para o mar
Projeto prevê academia, sauna, hidromassagem, salas de massagem e área de relaxamento em estrutura separada das unidades residenciais Um empreendimento em construção na Península de Guaibura, na Enseada Azul, em Guarapari, terá um módulo destinado a atividades físicas e de bem-estar. O espaço faz parte do projeto do Manami Ocean Living, da Invite Inc. Chamado de Wellness, o módulo terá academia, sauna, hidromassagem, salas de massagem e área de relaxamento. De acordo com a empresa, a estrutura foi posicionada de forma a aproveitar a vista para o mar e a iluminação natural ao longo do dia. O projeto também prevê áreas verdes e intervenções paisagísticas. Segundo a incorporadora, o planejamento busca reduzir impactos sobre as características naturais da Península de Guaibura, onde há vegetação e presença de animais da região. A CEO da Invite, Cecília Zon, afirma que a decisão de concentrar essas estruturas em um módulo separado levou em consideração também a oferta de espaços para exercícios físicos nas proximidades do empreendimento. “Quando concebemos o Manami, entendemos que viver bem não está restrito ao apartamento. É poder se exercitar, relaxar, contemplar o mar e estar próximo da natureza. Foi por isso e também entendendo o contexto da região, que carece de um espaço voltado para exercícios físicos, que o Wellness ganhou um módulo inteiro e uma localização muito especial, onde o mar acompanha a paisagem do nascer ao pôr do sol”, afirma Cecília. O Manami Ocean Living terá 72 apartamentos. Conforme o projeto, as unidades terão piscina aquecida privativa e integração entre sala, cozinha e varanda. Também estão previstas áreas comuns com piscinas adulto e infantil, piscina com hidromassagem, solarium, pool bar, lounge gourmet e espaço gourmet. O empreendimento está localizado entre as praias de Guaibura e Peracanga. O projeto prevê ainda acessos às praias do Jogo da Baleia e do Buzo, na região da Enseada Azul.
TCE-ES alerta para El Niño e recomenda ações contra falta d’água e alagamentos
Tribunal orienta Estado e municípios a anteciparem campanhas, simulados de emergência e medidas de prevenção diante dos riscos climáticos previstos para 2026 e 2027 O Espírito Santo deve se preparar para um período de extremos climáticos, com riscos que vão da escassez de água a alagamentos, incêndios e aumento de doenças. Diante desse cenário, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES) apresentou mais de 50 recomendações ao Governo do Estado e às prefeituras para enfrentar os possíveis impactos do El Niño no biênio 2026/2027. Entre as medidas estão campanhas para estimular o uso racional da água e prevenir a dengue, além da realização de simulados com moradores e estudantes para que a população conheça previamente rotas de fuga e pontos de encontro em situações de emergência. Segundo informações utilizadas pelo TCE-ES, análises do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e simulações do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF) indicam que o El Niño de 2026 poderá atingir intensidade elevada, com aquecimento superior a 2°C acima da média no Pacífico Central. O relatório também considera dados de órgãos meteorológicos dos Estados Unidos e da Austrália. As orientações do Tribunal buscam fazer com que Estado e municípios se antecipem aos possíveis impactos, planejando contratações preventivas e reservando recursos para enfrentar riscos climáticos, hídricos, sanitários e epidemiológicos. O cenário pode envolver alterações importantes nos regimes de chuva e temperatura, com períodos de estiagem e ocorrência de eventos extremos. Para a coordenadora do Núcleo de Fiscalização de Meio Ambiente, Saneamento e Mudanças Climáticas do TCE-ES, Ana Emilia B. Thomaz, preparar a população antes de uma situação de emergência é fundamental. “Plano de contingência, rota de fuga e ponto de encontro só têm valor se a população souber que existem. Por isso, o TCE-ES recomenda que estado e municípios comuniquem isso com antecedência, evitando que a urgência do momento da crise seja o primeiro contato do cidadão com as orientações de segurança — informação salva vidas”, afirmou. O Tribunal também recomenda a capacitação integrada de equipes das áreas de Defesa Civil, saneamento, saúde e obras para situações que combinem estiagem, eventos extremos e epidemias. Outra orientação é fortalecer e capacitar brigadas de incêndio, especialmente em áreas de proteção ambiental, além de promover campanhas sobre os riscos de queimadas durante períodos de seca e ondas de calor. A população também deverá ser orientada sobre o descarte correto do lixo. Resíduos levados para sistemas de drenagem e cursos d’água podem obstruir o escoamento da chuva e aumentar o risco de inundações e alagamentos. As recomendações ainda incluem uma articulação entre órgãos como Agerh, Cesan, Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec), Seama, Sesa, Idaf e Serviço Geológico do Brasil para compartilhamento de informações e alinhamento das ações de monitoramento e prevenção. O TCE-ES informou que divulgará uma série de materiais detalhando as recomendações relacionadas ao El Niño. Além das medidas de comunicação e prevenção, as orientações abrangem áreas como Saúde, Educação e Assistência Social.
Gustavo Varella – “O reboco caiu”
Qualquer pedreiro de obra pequena, desses que nunca abriram um livro de engenharia e levantaram metade das casas deste país, sabe de cor uma receita a que chama traço: tantas latas de brita, tantas de areia, uma de cimento, água até dar o ponto. Sabe também, sem que ninguém lhe tenha ensinado a palavra proporção, que o cimento é a menor parte da mistura e a única em que não se pode economizar — posto que a brita dá a dureza, a areia dá o volume, mas é aquele pó cinzento, caro e minoritário, que faz das três coisas uma só. Quando o dono da obra resolve poupar no saco de cimento, o resultado tem nome no canteiro: concreto magro. Fica de pé. Por um tempo, fica de pé. Nações, convenhamos, fazem-se com a mesma receita, e a proporção varia menos do que o orgulho de cada uma gostaria — seja o país rico ou pobre, antigo ou recém-inaugurado, e sem que cor, sexo, religião ou saldo bancário decidam em qual lata cada um vai parar. Há a brita: gente que vive da oportunidade e só dela, e que tanto pode morar num barraco quanto numa cobertura, porque o que a define não é a conta, é a régua — tudo se mede pelo proveito próprio, às vezes até dentro da lei, que também a lei tem as suas frestas para quem sabe procurá-las. Para a brita, autoridade é acidente de percurso: foge-se dela, compra-se, contorna-se. Apanhada, mergulha o tempo necessário para que o assunto esfrie e volta à tona sem um arranhão, seja qual for o governo, seja qual for o valor da moda. É dura, não se liga a nada e sobrevive a qualquer demolição — aliás, é o que sobra dela. Há a areia, muito mais numerosa: gente que nunca soube bem onde acaba o público e começa o privado, que obedece por medo, por cansaço ou por costume, que anda em bando e reclama em coro. Para a areia ninguém presta, toda instituição é um antro e a culpa é sempre do grupo que acabou de chegar ao poder — sem que lhe ocorra que o grupo anterior, o seu, fez rigorosamente o mesmo, e que o próximo fará igual debaixo do seu aplauso. A areia vai para onde a empurram, e é peneirada e reaproveitada a cada eleição. E há o cimento. Não é classe, não é partido, não é diploma. É o gari que varre direito a rua que ninguém fiscaliza, o empresário que paga o imposto xingando mas paga, a mãe que manda o filho voltar à padaria para devolver o troco que veio a mais, o policial que não aceita, o servidor que atende, o professor que insiste, o juiz que se mantém fiel ao juramento mesmo diante das hipocrisias e dos desatinos dos últimos andares da própria carreira, o advogado que — sabendo melhor do que ninguém o quanto o sistema manca — continua a dizer ao cliente que o caminho é o processo e não o atalho. Gente que erra, que se indigna, que cobra, que muda de opinião, mas que não perde de vista uma ideia singela e caríssima: a de que existe uma construção comum, e de que vale a pena pôr nela o seu tempo, o seu talento e a educação dos seus filhos. Todos nós, é claro, já nos matriculamos neste terceiro grupo antes do fim do parágrafo. Convém desconfiar da pressa. Ninguém nasce cimento nem morre brita: transita-se, e o que interessa é em que direção. Com brita e areia as nações sempre conviveram, aos trancos e barrancos. O que nenhuma aguenta é perder a liga. E os vícios de cima, note-se, não são novidade, nem o cimento alguma vez foi ingênuo: sempre soube que havia ferrugem dentro da viga. A diferença é que, durante muito tempo, houve reboco. Havia quem se encarregasse de cortar o que podia, esconder o que não podia e repintar a mancha na véspera da reunião de condomínio — e o morador, não vendo, concedia à estrutura o benefício da dúvida. O reboco caiu. Hoje a ferragem está à mostra na rua, fotografada por todos os celulares, a rachadura verdadeira ao lado da inventada, sem que o morador tenha como distinguir uma da outra — e quando os próprios engenheiros responsáveis pela obra resolvem discutir em praça pública, de dedo em riste, qual deles comprometeu a fundação, já não há laudo que tranquilize ninguém. Não se prega aqui a volta do reboco. A mancha nunca foi a doença; doença era o que a tinta escondia, e estrutura que só se sustenta enquanto ninguém a vê não merece o nome. Mas é preciso entender o que essa exsudação diária faz com quem segura o prédio. Faz isto: ensina. Cada episódio que escorre lá de cima é uma aula, e a lição é sempre a mesma — a brita se deu bem. O pai que pregava respeito ouve do filho a pergunta para a qual já não tem resposta. O empresário faz a conta do que lhe custa ser correto ao lado de quem não é. O servidor sério percebe que a seriedade não lhe rendeu nada além de trabalho. E o cimento não desaparece, que ninguém se console com essa imagem heroica: o cimento migra. Um dia começa a proteger-se, a cuidar só do seu, a procurar também a sua fresta, e virou brita; ou encolhe os ombros, diz que não vai dar em nada, e virou areia. Há aqui uma diferença que importa. O “ninguém presta” da areia é barato: quem nunca acreditou nada perde ao descrer. O “não vai dar em nada” na boca de quem foi cimento é outra coisa — é o extrato de uma conta em que se depositou a vida inteira e de onde outros sacaram. Porque autoridade, e convém lembrá-lo a quem a exerce, é crédito emprestado. Depositou-o o pai quando mandou o filho respeitar o guarda, a professora quando mandou respeitar a
Vitória e Domingos Martins recebem concertos gratuitos de música barroca
“Ecos do Barroco” terá obras de Vivaldi, Purcell e Telemann, além de oficina de violoncelo e ensaio aberto para estudantes A música barroca vai ocupar espaços de Vitória e Domingos Martins com apresentações gratuitas do concerto “Ecos do Barroco”, da orquestra A Trupe Barroca. O espetáculo integra a série Uma Nova Música Antiga e terá sessões na Catedral Metropolitana de Vitória e no Auditório do Colégio Mariano, em Domingos Martins. Os espaços contam com acessibilidade e as apresentações terão intérprete de Libras e audiodescrição realizada pela própria equipe. O repertório reúne obras de três nomes fundamentais do barroco europeu: Henry Purcell, Georg Philipp Telemann e Antonio Vivaldi. Algumas das composições serão apresentadas pela primeira vez no Espírito Santo, ampliando o contato do público capixaba com obras ainda pouco difundidas nas salas de concerto brasileiras. Os violoncelistas Christian Munawek e Hermann Schreiner serão os solistas convidados. Entre os destaques estão dois concertos para violoncelo de Vivaldi. A execução seguirá princípios da interpretação historicamente informada, buscando reproduzir características de sonoridade, articulação, fraseado e estilo dos séculos XVII e XVIII. A direção musical e a regência são do maestro Sérgio Dias, que desenvolve à frente de A Trupe Barroca um trabalho dedicado aos repertórios barroco e clássico. A direção artística é de Washington Sielemann, fundador do grupo e responsável pela concepção e curadoria de projetos voltados à música histórica e à formação de público. Hermann Schreiner é atualmente primeiro violoncelo da Orquestra Sinfônica de Córdoba, na Argentina, e possui experiência em grupos de música antiga da Europa e da América Latina. Já Christian Munawek, radicado no Espírito Santo, integra o Quarteto Anima, colabora com A Trupe Barroca e participa de diferentes projetos da cena musical capixaba. Além dos concertos, a programação inclui a Oficina de Violoncelo Barroco e Moderno, ministrada por Schreiner na Casa da Música Sônia Cabral, em Vitória. As inscrições para alunos já foram encerradas, mas interessados poderão acompanhar as atividades como ouvintes. A oficina abordará técnicas dos instrumentos moderno e barroco, além de articulação, fraseado, ornamentação e estilos históricos. O projeto também realizará um ensaio aberto destinado a estudantes de escolas públicas. Os alunos poderão acompanhar a preparação da orquestra, conhecer os instrumentos e entender o trabalho desenvolvido pelo maestro, solistas e músicos. A atividade terá ainda uma contextualização sobre Purcell, Telemann e Vivaldi e sobre o período histórico em que suas obras foram produzidas. Criada em 2018, a série Uma Nova Música Antiga busca democratizar o acesso à música de concerto e formar novos públicos. A iniciativa combina apresentações gratuitas, atividades pedagógicas e ações de aproximação entre músicos, estudantes e comunidades, inclusive fora dos espaços tradicionalmente associados à música de concerto. “Ecos do Barroco” conta com patrocínio da EDP, parceria do Instituto Brasileiro de Cultura e Artes (IBRAC), apoio cultural da Catedral Metropolitana de Vitória e da Prefeitura de Domingos Martins, por meio das secretarias de Cultura e Turismo e de Educação. A realização é da WS Projetos Criativos e da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), por meio da Secretaria da Cultura do Espírito Santo. SERVIÇO Concerto “Ecos do Barroco” — Vitória Data: 24 de setembro de 2027 Horário: 20h Local: Catedral Metropolitana de Vitória Entrada gratuita Acessibilidade, intérprete de Libras e audiodescrição. Concerto “Ecos do Barroco” — Domingos Martins Data: 26 de setembro de 2027 Horário: 10h Local: Auditório do Colégio Mariano Entrada gratuita Acessibilidade, intérprete de Libras e audiodescrição. Oficina de Violoncelo Barroco e Moderno Professor: Hermann Schreiner Local: Casa da Música Sônia Cabral, Vitória 21 de setembro: das 8h às 12h 22 a 25 de setembro: das 13h às 17h Inscrições encerradas, com participação permitida como ouvinte.
André Hees – “Deu no NYT: as lições do maior jornal do mundo”
O jornal mais importante do mundo, The New York Times, completou 175 anos nesta sexta-feira, 18 de setembro. A edição comemorativa lembra que o telefone foi inventado há 150 anos e a televisão, há menos de 100 anos. A população dos EUA era de 24 milhões de habitantes, hoje está em 350 milhões. O atual publisher do jornal, Arthur Gregg Sulzberger, pertencente à quinta geração da família, escreveu um artigo em que fala sobre a sua visão do ofício, tão incompreendido nos dias atuais. “No Times, acreditamos que o papel de um jornal é buscar a verdade, ajudar as pessoas a entenderem o mundo e cobrar responsabilidade do poder. Isso significa fornecer às pessoas informações necessárias para a tomada de decisões. Quando erramos, somos transparentes com o público e buscamos evitar futuros erros. Hoje, porém, o futuro da imprensa livre é incerto nos EUA”, diz Sulzberger. Não somente lá. O modelo de negócios baseado em publicidade perdeu receita, que migrou para as grandes plataformas digitais. E o conteúdo produzido por empresas jornalísticas é “roubado” pelas grandes empresas de tecnologia por trás da inteligência artificial – a expressão roubado, “stolen” no original, é dele, e parece bem apropriada. Ao longo desses anos todos, o Times cobriu a Segunda Guerra, o assassinato de Martin Luther King, o ataque às Torres Gêmeas. “Já tive colegas que foram sequestrados, presos e baleados durante o trabalho. Um sobreviveu a uma explosão de mina terrestre, outro a uma queda de helicóptero, muitos foram investigados e processados”, lembra o publisher. Manter essa máquina funcionando exige recursos e coragem. Trabalhei mais de 20 anos em jornal, conheci as principais redações do Brasil e algumas de outros países como Estados Unidos, Colômbia, Venezuela e Equador. Atualmente, como profissional de comunicação que atua em assessoria e consultoria, costumo citar, em media trainings, a frase de um grande jornalista, Carl Bernstein, famoso pelo caso Watergate: “Jornalismo é a melhor versão possível da verdade”. É o primeiro rascunho da história, é o relato mais preciso dos acontecimentos com as informações disponíveis no momento. Com a revolução digital, as redes sociais e a polarização política, contudo, o que se percebe é que muita gente não quer exatamente uma imprensa independente: quer uma imprensa militante, que vocalize a sua visão de mundo, dentro da lógica de polarização estimulada pelas redes. O que as pessoas veem nas suas redes é um espelho de suas preferências. Na imprensa, não é bem assim: a notícia surpreende e nem sempre agrada. Fatos considerados desagradáveis então passam a ser descartados como fakes e as fake news agradáveis são tomadas como verdade. O próprio conceito de verdade factual começa a ficar meio fluido. Qualquer um pode produzir conteúdo com um celular na mão. Mas produzir informação de qualidade exige recursos. Exige tempo, exige profissionais qualificados, tecnologia de produção e distribuição. Um registro em frente ao NYT, em outubro de 2025 As novas tecnologias, as redes e a IA representam um grande avanço sem dúvida, mas a verdade é que temos um elefante na sala. Os veículos tradicionais, que têm compromisso com a busca da verdade, perderam receita e audiência, especialmente nas últimas duas décadas. E as redes sociais, que não têm o menor compromisso com nada a não ser com o próprio faturamento, ampliam a cada dia a audiência e a influência. Não por acaso, teorias conspiratórias, fake news e grupos extremistas ganharam terreno nesse período. E a lógica da polarização das redes invadiu a política. Diante do impasse, não vejo saída a curto prazo, mas não parece haver dúvidas sobre a necessidade de alguma regulamentação das redes e da IA, que de fato ameaçam o futuro da humanidade. O que cada um pode fazer, no momento, é aprimorar a busca do conhecimento e da informação de qualidade, como a que vemos no portal News Espírito Santo. *André Hees é jornalista e consultor em comunicação, com 35 anos de carreira
Namika é campeã mundial e capixaba Maylla segue na briga pelo título em Jacaraípe
Japonesa Namika Yamashita confirmou o título mundial nesta sexta-feira; Maylla Venturin é a única brasileira nas semifinais da categoria Pro do Wahine Bodyboarding Pro O mar de Jacaraípe foi palco da definição do título mundial feminino de bodyboarding nesta sexta-feira (18). A japonesa Namika Yamashita confirmou a conquista do Circuito Mundial de 2026 durante o ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro, enquanto a capixaba Maylla Venturin manteve o Brasil na disputa pelo título da etapa, que chega ao dia decisivo neste sábado (19), na Praia do Solemar, na Serra. Namika garantiu antecipadamente o título mundial ao avançar nas quartas de final da categoria Pro. A japonesa venceu a portuguesa Joana Schenker por 11,25 a 7,50 e chega às semifinais já como campeã da temporada. “Estou muito feliz por conquistar o título de campeã mundial. Ainda não caiu totalmente a ficha, mas acho que vou começar a sentir essa emoção daqui a pouco. A disputa continua, e agora quero buscar a vitória nesta etapa”, afirmou. Entre as brasileiras, Maylla Venturin assumiu o protagonismo na reta final. A capixaba venceu a japonesa Yuka Nishimura em uma bateria equilibrada, somando 12,25 pontos, contra 11,50 da adversária. Com a classificação, Maylla tornou-se a única representante do país ainda na disputa pelo título da categoria Pro. Na semifinal, Maylla terá pela frente a portuguesa Alice Teotónio, de apenas 17 anos. Alice eliminou a também capixaba Luna Hardman nas quartas por uma diferença de apenas 0,40 ponto: 13,00 a 12,60. Luna chegou à sexta-feira ainda com chances matemáticas de conquistar o título mundial, mas a vitória de Namika encerrou a disputa pela liderança do circuito. A outra semifinal da Pro será entre a portuguesa Filipa Broeiro e a nova campeã mundial Namika Yamashita. Pentacampeã mundial e idealizadora do Wahine, a capixaba Neymara Carvalho também se despediu da disputa pelo título da etapa nas quartas de final. Depois de avançar com uma boa atuação na sexta rodada, Neymara foi superada por Filipa Broeiro por 12,15 a 10,75. Após a eliminação, a atleta destacou seu compromisso com a renovação da modalidade. “Eu estou no esporte, quero títulos, quero vitórias, mas é muito mais do que isso. Eu quero ver a renovação do esporte. Amo incentivar a nova geração”, declarou. Alice Teotónio, além da vaga na Pro, também avançou às semifinais da categoria Júnior após superar a brasileira Sophia Veiga por 12,00 a 7,50. Ela enfrentará Melissa Souza, enquanto a outra semifinal terá a portuguesa Luana Dourado diante da francesa Émie Padois. Na categoria Master, Soraia Rocha enfrentará Joselani Amorim em uma das semifinais. Do outro lado da chave, a portuguesa Marta Leitão terá pela frente a brasileira Elizangela Fragoso. As decisões das três principais categorias acontecem neste sábado, no Final Day da competição. O ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro reúne 79 atletas de oito países e distribui US$ 45 mil em premiação, a maior da história do circuito feminino em uma etapa mundial. Além das categorias Pro Women, Junior Women e Master Women, o evento conta com disputas inclusivas para PCD e a categoria Mães & Filhas. A janela do evento segue até domingo (20), na Praia do Solemar, em Jacaraípe. Crédito das fotos: IBC ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro/Tâmina Adorian