Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) pode abrir caminho para que aposentados e participantes de fundos de pensão recuperem valores pagos a mais de Imposto de Renda. No julgamento do Tema Repetitivo 1.224, a Primeira Seção da Corte reconheceu que as contribuições extraordinárias destinadas a cobrir déficits em entidades fechadas de previdência complementar também podem ser deduzidas do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), respeitando o limite de 12% da renda tributável anual. Na prática, a decisão pode permitir a recuperação de valores pagos indevidamente nos últimos cinco anos. O entendimento já foi comunicado a todo o Judiciário e diferentes varas do país vêm aplicando a tese em novos processos. Nos últimos anos, fundos de pensão como Petros, Funcef e Postalis instituíram planos de equacionamento de déficit, que resultaram na cobrança de contribuições extraordinárias de participantes. Até então, apenas as contribuições ordinárias eram consideradas para dedução no Imposto de Renda, enquanto os valores extras não eram incluídos nas declarações. Segundo o advogado Bruno Melo Motta, o STJ reconheceu que essas contribuições também possuem natureza previdenciária. “O STJ reconheceu que as contribuições extraordinárias também têm natureza previdenciária. Elas servem para garantir o pagamento futuro dos benefícios. Por isso, devem receber o mesmo tratamento tributário das contribuições normais, dentro do limite de 12% previsto em lei”, explica. Com a decisão, podem ter direito à restituição aposentados vinculados a fundos de pensão e trabalhadores da ativa que pagaram contribuições extraordinárias e recolheram Imposto de Renda nos últimos cinco anos sem incluir esses valores na dedução. O advogado chama atenção para o prazo para buscar o direito. “A prescrição é de cinco anos contados da entrega da declaração. Quem demorar pode perder o direito de recuperar parte dos valores. Por isso é importante fazer a análise o quanto antes”, orienta Bruno Melo Motta. Ainda não há orientação formal da Receita Federal sobre a aplicação administrativa da decisão. “A retificação direta pode gerar questionamentos e retenção em malha. O mais seguro é fazer um cálculo técnico, verificar se há espaço dentro do limite de 12% em cada ano e, havendo crédito, avaliar a via judicial adequada”, afirma o advogado. Como a decisão não teve modulação de efeitos, é possível buscar a restituição referente aos últimos cinco anos, com atualização pela taxa Selic. Para muitos aposentados que enfrentaram descontos elevados nos planos de equacionamento de seus fundos de pensão, a medida pode representar uma recuperação financeira relevante.
Anvisa alerta para risco de danos ao fígado associados a suplementos com cúrcuma
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta de farmacovigilância sobre o uso de medicamentos e suplementos alimentares que contêm cúrcuma, também conhecida como açafrão. A medida foi adotada após investigações internacionais identificarem casos raros, porém graves, de inflamação e lesões no fígado relacionadas ao consumo de cápsulas ou extratos concentrados da substância. De acordo com a Anvisa, as análises apontaram suspeitas de intoxicação hepática em pessoas que utilizaram produtos com cúrcuma ou curcuminóides. Os casos estão especialmente associados a formulações e tecnologias que aumentam significativamente a absorção da curcumina pelo organismo, elevando os níveis da substância muito acima daqueles obtidos no consumo alimentar comum. O tema também vem sendo acompanhado por outras autoridades regulatórias internacionais. Agências da Itália, Austrália, Canadá e França já emitiram alertas semelhantes após registros de casos de intoxicação hepática relacionados ao uso de suplementos com cúrcuma, o que levou, em alguns países, à retirada de produtos do mercado e à exigência de avisos de segurança nos rótulos. Na França, por exemplo, a Agência Nacional de Segurança Sanitária da Alimentação, do Meio Ambiente e do Trabalho (ANSES) identificou dezenas de relatos de efeitos adversos associados ao consumo de suplementos com cúrcuma ou curcumina, incluindo casos de hepatite, registrados no sistema de nutrivigilância. O alerta divulgado pela Anvisa traz orientações voltadas a profissionais de saúde, fabricantes de medicamentos e suplementos alimentares, além de consumidores. Uso culinário é considerado seguro A Anvisa esclarece que o alerta não se refere ao uso da cúrcuma na alimentação cotidiana. O pó utilizado como tempero na culinária é considerado seguro e não está associado aos riscos identificados, já que não existem evidências de toxicidade relacionadas ao consumo da cúrcuma como alimento ou aditivo alimentar. A diferença está na concentração da substância presente em medicamentos e suplementos, que costuma ser muito maior e formulada para ter maior absorção pelo organismo. Sinais de alerta A agência orienta que alguns sintomas podem indicar possíveis problemas hepáticos e devem levar à procura de avaliação médica. Entre eles estão: • pele ou olhos amarelados (icterícia); • urina muito escura; • cansaço excessivo sem causa aparente; • náuseas e dores na região do abdômen. Caso esses sinais apareçam, a recomendação é interromper imediatamente o uso do produto e buscar orientação de um profissional de saúde. Suspeitas de eventos adversos podem ser notificadas por meio do sistema VigiMed, no caso de medicamentos, ou pelo e-Notivisa, quando se tratar de suplementos alimentares. Medidas preventivas Como medida preventiva, a Anvisa determinou a atualização das bulas dos medicamentos Motore® e Cumiah®, que passarão a incluir avisos de segurança relacionados ao possível risco de efeitos hepáticos. No caso dos suplementos alimentares, a agência informou que será iniciado um processo de reavaliação técnica do uso dessas substâncias. Também será exigida a inclusão de advertências obrigatórias nos rótulos sobre a possibilidade de efeitos adversos associados ao consumo.
Casagrande participa de encontro com empresários na Serra para falar sobre economia do ES
A Associação dos Empresários da Serra (ASES) realiza, nesta terça-feira (10), a 231ª edição do Café de Negócios (Caneg). O encontro abre a agenda de eventos da entidade em 2026 e contará com a participação do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, que apresentará a palestra “Cenário Econômico do Espírito Santo 2026”. O evento acontece a partir das 7h40, no Steffen Centro de Eventos, em Jardim Limoeiro, na Serra, reunindo empresários, lideranças e representantes de diversos setores produtivos para uma manhã de debates, networking e troca de informações sobre o ambiente de negócios no Estado. Tradicional na agenda empresarial capixaba, o Caneg se consolidou como um espaço de diálogo entre a iniciativa privada e o poder público, promovendo discussões sobre temas estratégicos para o desenvolvimento econômico da Serra e de todo o Espírito Santo. A escolha do tema acompanha o momento de planejamento das empresas para o novo ciclo econômico, em que empresários buscam compreender tendências, desafios e perspectivas de crescimento que impactam diretamente o ambiente de negócios. Para a presidente da ASES, Leonelle Lamas, a participação do governador contribui para fortalecer o diálogo institucional e ampliar o acesso dos empresários a informações importantes para a tomada de decisões. “Ouvir o governador sobre as perspectivas econômicas do Espírito Santo é fundamental para que os empresários possam planejar investimentos, gerar empregos e tomar decisões mais seguras. O Caneg é um espaço de conexão, escuta e construção coletiva de soluções para o desenvolvimento da Serra e de todo o Estado”, destaca. 231º Café de Negócios da ASES – CANEG Tema: Cenário Econômico do Espírito Santo 2026 Palestrante: Renato Casagrande Terça-feira, 10 de março A partir das 7h40 Steffen Centro de Eventos – Serra/ES Inscrições: www.caneg.com.br
João Gualberto – “O racismo como instituição imaginária”
Li recentemente uma coletânea de artigos organizada por Selma Pantoja e Estevam Thompson denominada Em torno de Angola: narrativas, identidades e conexões atlânticas. São comunicações apresentadas em um seminário internacional que teve o mesmo nome da obra. O evento, por sua vez, foi realizado na Universidade de Brasília em 2011, através de dois de seus programas de pós-graduação que se ocupam dos chamados Estudos Atlânticos. Esse esforço para a formação de um fórum internacional de pesquisas e debates históricos, culturais e literários parte de uma releitura de eventos da história nos três continentes banhados pelo Atlântico: Europa, África e América. O que se vê nos vários artigos que compõem o livro é a descrição, com detalhes, dessa tragédia moderna chamada escravidão negra. Todos sabemos que o aprisionamento e a escravização de povos vencidos em guerras sempre fizeram parte da história da humanidade; inclusive os povos originários tanto da América quanto da África praticavam a escravidão. Isso sem contar com o passado bíblico que também conhecemos do Velho Testamento. Entretanto, a escravidão negra que marcou o chamado mercantilismo e que vigorou em boa parte do mundo ocidental até o século XIX é uma instituição muito diferente daquela havida nos povos da Antiguidade. Muito mais complexa, e com desdobramentos mais profundos no nível da construção imaginária das sociedades que compõem o nosso mundo. Só os muito ingênuos, mal informados ou mal-intencionados podem acreditar que a base desse processo era desempenhada por africanos que, por ganância, prendiam pessoas de outros grupos para vendê-las aos mercadores europeus. O sistema criado pela mais extrema perversidade dos povos europeus era uma verdadeira cadeia de produção de escravizados e de morte. Todo um aparato estatal e comercial, muito lucrativo, teve que ser criado para sustentar um comércio que enriqueceu muita gente e que foi mesmo o centro econômico de sociedades como a brasileira daqueles tempos. Presídios, estruturas de poder voltadas para garantir a busca e o aprisionamento, e o fortalecimento de elementos culturais eram necessários para sustentar a escravização de milhões de pessoas durante séculos. A leitura de Em torno de Angola não deixa dúvidas quanto à complexidade dessa máquina que engendrou desespero, sacrifício e morte de tantos irmãos africanos, tendo produzido a maior diáspora de todos os tempos. Mas também produziu fortunas extraordinárias e deixou um rastro de desigualdades até os dias atuais. O racismo, o desprezo pelos diferentes na cultura e na cor é uma delas, e que está infelizmente novamente na pauta. É só observar o que se passa com o ideal da supremacia branca no mundo de Donald Trump, e ainda a aversão do mundo tido como desenvolvido pelos povos nascidos nos países pobres. Creio que toda a engenharia social que esteve por trás do comércio atlântico de seres humanos não seria possível sem que houvesse uma ideia de que o europeu era superior, que portava uma semente do progresso que os povos originários da América e da África não tinham. Foi essa superioridade que permitiu que o mundo não europeu fosse todo desorganizado para dar lugar a um casamento desigual de culturas. O racismo foi o suporte narrativo e intelectual dessa monstruosidade chamada escravidão moderna, sobretudo a dos africanos, mas também a dos indígenas no Brasil e de outros povos originários do que se chamava Novo Mundo. Cornelius Castoriadis, em um texto chamado Reflexões sobre o Racismo, publicado no livro O Mundo Fragmentado, faz uma afirmativa que me parece definitiva para a nossa análise: “Na minha opinião, a ideia central é a seguinte: o racismo participa de alguma coisa muito mais universal do que aceitamos admitir habitualmente. O racismo é uma transformação ou um descendente especialmente violento e exacerbado (arrisco-me até mesmo a dizer: uma especificação monstruosa) de uma das características empiricamente quase universais das sociedades humanas. Trata-se da aparente incapacidade de constituir-se como si mesmo sem excluir o outro; em seguida, uma aparente incapacidade de excluir o outro sem desvalorizá-lo, chegando finalmente a odiá-lo.” Para o filósofo grego, que produziu toda a sua obra radicado em Paris na segunda metade do século XX, o ódio ao diferente, a intolerância de qualquer ordem, vem dessa incapacidade de ser sem excluir e odiar o outro. É a raiz da intolerância religiosa e de gênero, por exemplo, em nossos dias no Brasil. O ser que não precisa excluir e odiar para ficar de pé, para existir com autonomia, é um ideal social importante nos dias atuais. Vencer o racismo também é vencer a existência de pessoas que se instituem pelo ódio.
Jacqueline Moraes: “Dia Internacional da Mulher reforça importância da luta por direitos”
O Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), é um marco da luta histórica das mulheres por direitos e igualdade. A avaliação é da secretária de Estado das Mulheres do Espírito Santo, Jacqueline Moraes, que destacou a importância da data para reconhecer conquistas, mas também para reforçar que ainda há desafios a serem enfrentados. Segundo a secretária, o momento é de celebrar as mulheres que vieram antes e contribuíram para ampliar direitos e oportunidades. Ao mesmo tempo, ela ressalta que a luta continua presente no cotidiano de milhões de brasileiras. “8 de Março, Dia Internacional da Mulher, e essa data é muito importante para todas as mulheres, porque ela marca de fato a luta das mulheres pelos seus direitos, e até hoje nós ainda estamos nessa luta. É muito importante celebrar as mulheres que vieram antes de nós pavimentando esse caminho, mas saber e ter a consciência de que nós precisamos continuar a nossa luta”, afirmou. Jacqueline Moraes destacou que uma das principais frentes de atuação da Secretaria de Estado das Mulheres tem sido o enfrentamento a todas as formas de violência contra meninas e mulheres. De acordo com ela, o trabalho inclui a integração de políticas públicas e o fortalecimento da rede de proteção em todo o Estado. Confira aqui a mensagem da secretária gravada especialmente para o News ES. “A nossa luta tem sido travada todos os dias, principalmente no enfrentamento a todas as formas de violência contra meninas e mulheres. Nós, da Secretaria do Estado das Mulheres, estamos desenvolvendo um trabalho muito importante de integração das políticas públicas com toda rede de proteção”, disse. Entre as ações em andamento estão o fortalecimento das estruturas municipais voltadas às políticas para as mulheres e o funcionamento de equipamentos especializados de acolhimento, como os Centros de Núcleo Margarida, voltados ao atendimento de mulheres vítimas de violência, além da manutenção da casa-abrigo. A secretária também destacou iniciativas voltadas à autonomia econômica das mulheres, como feiras empreendedoras e programas de inclusão produtiva que oferecem capacitação e oportunidades de geração de renda. “Nós temos projetos das feiras empreendedoras e da inclusão produtiva das mulheres, onde trazemos mulheres para se profissionalizar, se capacitar e gerar sua própria renda, porque isso gera autonomia”, afirmou. Outro eixo de atuação citado por Jacqueline Moraes é o desenvolvimento do Plano Nacional e Estadual da Política do Cuidado, além da implementação do protocolo “Não é Não”, voltado à prevenção e ao enfrentamento da violência contra mulheres em diferentes espaços. “É um dia de luta. Nós reafirmamos a importância dessa data e queremos desejar a todas as mulheres um feliz Dia Internacional das Mulheres. E a nossa luta sempre vai continuar com o mesmo rumo, com o mesmo foco”, concluiu.
Moderniza-ES: Sejus amplia Escritórios Sociais para cinco municípios capixabas
O Governo do Estado, por meio da Secretaria da Justiça (Sejus), vai ampliar as ações de reintegração social com a implantação de novos Escritórios Sociais nos municípios de Cachoeiro de Itapemirim, Colatina, Linhares, São Mateus e Vitória. A iniciativa reforça a política estadual de atendimento às pessoas egressas do sistema prisional. A expansão faz parte do Programa de Ampliação e Modernização do Sistema Prisional (Moderniza-ES) e conta com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O investimento previsto é de R$ 21,8 milhões. Os Escritórios Sociais oferecem atendimento a pessoas que deixaram o sistema prisional, com orientações e encaminhamentos para cursos de capacitação, emissão de documentos e acesso a oportunidades de trabalho. Os espaços também prestam suporte nas áreas de educação, cultura, esporte e assistência social. Atualmente, o serviço já funciona em Vitória, Piúma, Cachoeiro de Itapemirim e São Mateus. A previsão é que as novas unidades entrem em funcionamento em até 90 dias e passem a integrar a rede de execução da Política Nacional de Atenção às Pessoas Egressas do Sistema Prisional (PNAPE). Segundo o coordenador-geral do Moderniza-ES, Vinícius Teixeira, a ampliação da rede fortalece a política de reinserção social no Estado. “A expansão dos Escritórios Sociais para diversos pontos do território do Estado, notadamente em cidades que possuem estruturas penitenciárias, está alinhada às diretrizes do Conselho Nacional de Justiça e ao principal objetivo do programa que é fortalecer as ações de reinserção social no Estado”, afirmou. O secretário de Estado da Justiça, Rafael Pacheco, destaca que o atendimento aos egressos e às suas famílias é uma medida importante para a segurança pública. “A expansão dos Escritórios Sociais pelo Moderniza-ES é uma estratégia de enfrentamento à criminalidade. Ao oferecermos suporte ao egresso, com capacitação e acesso ao trabalho, promovemos mais cidadania e o fim da reincidência. Menos pessoas voltando ao crime impacta diretamente em uma sociedade mais segura”, disse.
Boletos do IPTU 2026 começam a ser entregues em Vila Velha
A Prefeitura de Vila Velha inicia neste sábado (7) a entrega dos carnês do IPTU e da Taxa de Coleta de Lixo de 2026 para os contribuintes do município. A distribuição será feita por servidores municipais identificados e deve alcançar mais de 250 mil domicílios nas cinco regiões administrativas da cidade. De acordo com a Secretaria Municipal de Finanças, a entrega dos boletos deve ser concluída antes do vencimento da primeira parcela e da cota única, marcado para o dia 10 de abril. Os contribuintes também já podem acessar as guias de pagamento de forma digital, pelo site oficial da Prefeitura, em totens de autoatendimento ou presencialmente na Secretaria de Finanças, localizada na sede da Prefeitura, na Avenida Santa Leopoldina, em Coqueiral de Itaparica. Quem optar pelo pagamento em cota única até 10 de abril terá 8% de desconto. Também será possível parcelar o valor em até seis vezes, sem desconto. Os pagamentos podem ser realizados via PIX ou nos bancos conveniados: Banestes, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Sicoob, Santander e Itaú. Segundo a secretária municipal de Finanças, Adinalva Prates, o pagamento do tributo contribui diretamente para investimentos na cidade. “Manter o IPTU e a Taxa de Coleta de Lixo em dia é um compromisso com a própria cidade. Cada contribuinte que cumpre sua obrigação ajuda a Prefeitura a investir mais em saúde, educação, infraestrutura e serviços essenciais que chegam na ponta, no bairro, na porta de casa”, afirmou. Cronograma de pagamento 1ª parcela ou cota única – 10/04/2026 2ª parcela – 11/05/2026 3ª parcela – 10/06/2026 4ª parcela – 10/07/2026 5ª parcela – 10/08/2026 6ª parcela – 10/09/2026
Entre a medicina e a gestão: a missão de BrunelaCroce no cuidado de mais de 100 mil vidas no Espírito Santo
Diretora técnica do Hospital Vitória Apart, médica capixaba fala sobre desafios, propósito e o espaço das mulheres na saúde Cuidar de pessoas sempre foi o que moveu a médica BrunelaCroce. Aos 36 anos, o cuidado ganhou outra dimensão na vida da cardiologista: ela é responsável pela assistência de mais de 100 mil vidas todos os meses no Espírito Santo. Diretora técnica do Hospital Vitória Apart, Brunela lidera uma ampla rede de serviços do grupo Athena Saúde no Estado. Sob sua responsabilidade estão 11 centros médicos, que realizam cerca de 60 mil consultas mensais, além de quatro Pronto Atendimentos na Grande Vitória, responsáveis por 35 mil atendimentos por mês. Isso tudo, sem esquecer da gestão do hospital Vitória Apart, na Serra, e da nova unidade hospitalar em Vila Velha, que abrirá as portas até o fim de março. Brunela não veio de uma família de médicos. O interesse pela profissão surgiu de forma intuitiva, ainda jovem, baseado na vontade de cuidar das pessoas. Formada em medicina há 11 anos, com especialização em clínica médica e cardiologia, ela iniciou a transição na carreira em 2023, quando passou aos poucos a trocar o consultório pela gestão hospitalar. No mês da mulher, sua trajetória reflete uma mudança cada vez mais visível no mercado de trabalho: o avanço feminino em posições estratégicas de liderança. “Sempre me interessei em cuidar e acolher pessoas. Eu me sentia preenchida quando estava cuidando de alguém. Quando entendi que a medicina era uma forma direta de fazer isso, percebi que era ali que eu queria estar. Quando iniciei a transição de carreira, confesso que achei que não daria conta. Mas a gente vai dando conta, e hoje eu sou muito feliz e realizada fazendo o que eu faço”, afirma. No começo, ela conciliava a função administrativa com atendimentos em consultório. Mas desde o ano passado, passou a se dedicar integralmente à gestão. A rotina exige decisões estratégicas constantes e uma habilidade essencial: lidar com pessoas. “O gestor é, acima de tudo, um resolvedor de problemas. E precisa realmente gostar de resolver problemas. O grande desafio é conciliar decisões difíceis do ponto de vista estratégico e, ao mesmo tempo, manter um time engajado e compreendendo o todo — o quanto cada pessoa é importante na sua posição. Existem diversas formas de cuidar do ser humano. O cuidado médico é uma delas, mas cuidar dos colaboradores, pensar no serviço que vai atender aquele paciente, estruturar equipes…tudo isso também é uma extensão desse cuidado”, explica a diretora técnica do Hospital Vitória Apart. Um novo hospital A nova unidade do Hospital Vitória Apart, em Vila Velha, vai abrir as portas para o público ainda neste mês de março. Com 30 leitos de enfermaria, 10 leitos de UTI adulto, Pronto-Socorro adulto e pediátrico, além de centro cirúrgico e serviços de exames de imagem, o hospital vai contar com atendimento em clínica médica, cardiologia, gastroenterologia e ortopedia, para adultos e crianças. Estruturar um hospital do zero é o maior desafio de Brunela Croce até aqui. “Quando você assume um serviço que já está rodando, a estrutura existe, é tudo mais simples. Mas construir uma base, estruturar um serviço, exige conhecimento de várias áreas: governança, regulação, dimensionamento de equipes. É um dos maiores desafios da minha trajetória até aqui. Acender um hospital que estava apagado na região, trazer um serviço diferenciado e de qualidade, é motivo de muita alegria para mim e mostra como o Espírito Santo e o Brasil têm avançado em muitas áreas, incluindo a área da saúde”, avalia a médica. No cenário atual, ela também observa avanços na presença feminina em cargos de liderança na medicina — espaços que, até pouco tempo atrás, eram majoritariamente masculinos. “O mercado hoje respeita um pouco mais o espaço da mulher. As oportunidades que chegaram até mim vieram pelo trabalho, eu nunca me senti em desvantagem. Fico muito feliz de ocupar um lugar que durante muito tempo foi predominantemente masculino”, afirma. Se a carreira é intensa, Brunela faz questão de destacar que a base para sustentar esse ritmo está fora do hospital: a família. “Só sou funcional no trabalho porque sou extremamente realizada na minha vida pessoal. Meu marido e meus pais são minha rede de apoio. Eles garantem o meu bem-estar psicológico e permitem que eu consiga ser a profissional que sou”. Entre números, decisões estratégicas e equipes multidisciplinares, Brunela Croce resume sua trajetória de forma simples: encontrou na gestão hospitalar uma nova forma de exercer a mesma vocação que a levou à medicina. “Eu realmente me encontrei na gestão. No fundo, continuo fazendo o que sempre quis: cuidar de pessoas.”
Serviços e comércio concentram 84,1% das mulheres no mercado de trabalho capixaba
As mulheres ocupam papel central na economia do Espírito Santo, especialmente nos setores de serviços e comércio. Juntas, essas duas áreas concentram 84,1% das mulheres inseridas no mercado de trabalho no estado, o que corresponde a 756.166 profissionais. Os dados fazem parte do relatório Retrato das Mulheres no Mercado de Trabalho no Espírito Santo, elaborado pelo Connect Fecomércio-ES. O setor de serviços responde sozinho por 66,4% das mulheres ocupadas, com 597.010 trabalhadoras, enquanto o comércio reúne outras 159.156 profissionais, equivalentes a 17,7%. Segundo o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, o levantamento evidencia a forte presença feminina no setor terciário da economia capixaba. “Os dados mostram que a empregabilidade feminina no Espírito Santo está fortemente ancorada no setor terciário, o que revela tanto a relevância econômica dessas atividades quanto um padrão estrutural de segmentação de gênero”, explicou. Entre os setores econômicos, o de serviços é o único no estado em que as mulheres são maioria, representando 57,6% do total de ocupados. A presença feminina é ainda mais expressiva nas atividades ligadas à chamada economia do cuidado. No Espírito Santo, as mulheres representam 78,1% dos trabalhadores da educação, 73,5% da saúde humana e serviços sociais e 95,8% dos serviços domésticos. Juntas, essas áreas concentram metade das mulheres ocupadas no setor de serviços. Em contraste, a participação feminina permanece menor em setores tradicionalmente masculinos. Na indústria, as mulheres representam 28,4% dos trabalhadores; na agropecuária, 23,6%; e na construção civil, apenas 4,2%. Juntas, essas atividades concentram somente 15,9% das mulheres ocupadas no estado. “Há uma sub-representação clara das mulheres em setores que, historicamente, oferecem maior estabilidade e melhores salários. Ampliar a presença feminina nesses segmentos é estratégico para reduzir desigualdades e promover maior diversidade produtiva”, afirmou Spalenza. Apesar de apresentarem maior nível de escolaridade, as mulheres ainda enfrentam desigualdade salarial. No mercado formal capixaba, elas ocupam 40,1% dos empregos com carteira assinada, somando 365.415 postos de trabalho. A remuneração média feminina é de R$ 2.773, cerca de 23,8% inferior à dos homens, que recebem em média R$ 3.637. Entre trabalhadores com ensino superior completo, a diferença salarial chega a 41,4%. “A maior qualificação feminina não tem sido acompanhada de valorização proporcional. Isso evidencia padrões estruturais de desigualdade que ainda persistem”, observou o coordenador. O levantamento também aponta a força do empreendedorismo feminino no estado. O Espírito Santo conta atualmente com 205.833 mulheres empreendedoras, sendo 28.856 empregadoras e 176.977 que trabalham por conta própria. Esse grupo representa 22,9% das mulheres ocupadas, embora elas ainda correspondam a apenas 28,8% dos empregadores e 34,2% dos trabalhadores autônomos. Outro fator que impacta a participação feminina no mercado é a chamada dupla jornada. As mulheres capixabas dedicam, em média, 21,5 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados com pessoas — cerca de 9,6 horas a mais que os homens. Esse tempo adicional influencia diretamente a inserção no mercado, a progressão na carreira e até a saúde das trabalhadoras. Mesmo com a taxa de desocupação no Espírito Santo atingindo 3,1% no segundo trimestre de 2025, a menor da série histórica, as mulheres ainda enfrentam maior desemprego: 4,2%, contra 2,3% entre os homens. Elas representam 58,5% das pessoas desocupadas no estado, o equivalente a cerca de 38 mil mulheres. A análise foi elaborada com base em dados da PNAD Contínua (IBGE), da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS/MTE) e do Painel de Informações do Trabalho Doméstico, do Ministério do Trabalho e Emprego. Análise dos municípios A desigualdade de gênero também aparece quando se observam os empregos formais nos municípios capixabas. Entre as 78 cidades do estado, apenas Itapemirim (53,6%) e Alegre (50,2%) possuem maioria feminina entre os trabalhadores formais. No recorte salarial, apenas dois municípios apresentam remuneração média feminina superior à masculina: Itapemirim, com diferença de 13,3%, e Santa Leopoldina, com 2,2%. Nos demais municípios capixabas, as mulheres recebem menos que os homens, mantendo a diferença média estadual de 23,8%. A pesquisa completa está disponível no site portaldocomercio-es.com.br.
Operadora capixaba é destaque em livro do Ministério da Ciência e Tecnologia sobre inovação
A operadora de saúde MedSênior passou a integrar um grupo de 12 empresas brasileiras destacadas no livro “Lei do Bem: duas décadas de fomento à inovação no Brasil”, publicação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com a Unesco. A empresa é a única representante do Espírito Santo na obra e também a única do setor de saúde entre os casos selecionados, que incluem organizações como Banco do Brasil, Natura e Embraer. A publicação celebra os 20 anos da Lei do Bem, considerada a principal política pública de incentivo à pesquisa, desenvolvimento e inovação no país. Desde 2019, a MedSênior utiliza os incentivos fiscais previstos na legislação para ampliar investimentos em pesquisa e desenvolvimento voltados ao aprimoramento de seus modelos de assistência em saúde. Entre as iniciativas estruturadas a partir dessa estratégia está o Medicine Innovation Lab (MIL), núcleo responsável por desenvolver e impulsionar projetos de inovação dentro da operadora. O laboratório reúne profissionais de diferentes áreas e atua no desenvolvimento de soluções baseadas em automação, inteligência artificial, análise de dados e inovação aberta. De acordo com a empresa, o MIL já conectou mais de 80 empresas ao ecossistema de inovação da MedSênior. Atualmente, mais de 270 mil beneficiários são impactados por soluções digitais e novos modelos de cuidado desenvolvidos a partir dessas iniciativas. Entre as ferramentas utilizadas estão plataformas de big data e inteligência artificial voltadas à análise preditiva de riscos em saúde, tecnologias assistivas para ampliar a autonomia de pacientes idosos e sistemas integrados de prontuário digital que buscam melhorar a coordenação do cuidado e a gestão clínica.