Quem cai em um golpe digital costuma ter a mesma reação, aceitar a perda e seguir em frente, como se não houvesse nada a fazer. Entendo a decisão, mas, na maioria das vezes, essa desistência é apressada e custa caro. Nem sempre o prejuízo é de quem foi enganado. O banco, a plataforma de pagamento ou o aplicativo que abriram a porta para a fraude também podem ser obrigados a responder por ela. A lógica é simples: quem ganha dinheiro oferecendo um serviço digital tem o dever de mantê-lo seguro e assume o risco quando essa segurança falha. O Superior Tribunal de Justiça já firmou esse entendimento, ao reconhecer que os bancos respondem pelos golpes aplicados por terceiros quando a falha está dentro do próprio serviço que oferecem. Cito, por exemplo, nas contas invadidas, nos aplicativos e perfis clonados, nas compras e empréstimos que a vítima nunca fez e que mesmo assim aparecem em seu nome. Quando o banco deixa passar uma movimentação que claramente foge do perfil do cliente, um valor alto, em horário incomum, sem bloquear nem pedir uma confirmação, ele falhou em proteger quem confiou nele. E essa falha pode gerar o direito à devolução do dinheiro e a uma indenização. Preciso ser honesto sobre um ponto. Ter razão não garante, sozinho, receber de volta. Cada caso depende das provas, das circunstâncias e de como o golpe aconteceu. Existem situações em que a própria conduta da vítima acaba pesando contra ela, e a Justiça nega o pedido. Ainda assim, desistir antes de saber se há direito é o pior caminho, porque é justamente aí que se perde o que poderia ser recuperado. Se você passou por uma fraude digital, guarde tudo o que mostra o que aconteceu, as conversas, os comprovantes, os avisos que recebeu. E busque a orientação de um advogado antes de tratar o prejuízo como definitivo. Na minha experiência, boa parte do que a pessoa já dava como perdido ainda tinha caminho para discussão. *Renan de Angeli é advogado especialista em Direito Civil do escritório Abreu Júdice
Especialistas alertam para os cuidados com a saúde do coração durante o inverno
Baixas temperaturas podem elevar temporariamente a pressão arterial e aumentar o esforço do coração, especialmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas Com a chegada do inverno, é comum que as atenções se voltem para gripes, resfriados e outras doenças respiratórias. No entanto, a estação também exige cuidados com a saúde cardiovascular. As baixas temperaturas provocam adaptações naturais no organismo que podem aumentar temporariamente a pressão arterial e exigir mais do coração, tornando o período especialmente importante para quem convive com doenças crônicas. Segundo o cardiologista da MedSênior, Dr. Augusto Neno, o frio provoca a contração dos vasos sanguíneos para preservar a temperatura corporal. Embora seja uma resposta fisiológica normal, esse mecanismo pode representar um desafio maior para idosos e pessoas com hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca, doença coronariana, histórico de AVC, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ou doença renal crônica. “O inverno não deve ser motivo de preocupação, mas sim um convite para reforçar hábitos que já fazem parte de uma rotina saudável. Manter o uso correto das medicações, permanecer ativo, alimentar-se bem e realizar o acompanhamento médico são medidas que ajudam a proteger a saúde cardiovascular durante toda a estação”, destaca o especialista. Outro fator que merece atenção é a redução da prática de atividades físicas nos dias frios. Além de favorecer o sedentarismo, permanecer mais tempo em ambientes fechados pode dificultar o controle de doenças já existentes, especialmente entre a população idosa. De acordo com o cardiologista, o envelhecimento reduz a capacidade do organismo de se adaptar às variações de temperatura, tornando o acompanhamento médico e a continuidade do tratamento ainda mais importantes. “O cuidado com o coração durante o inverno faz parte de um conjunto de medidas que favorecem um envelhecimento mais saudável e ajudam a manter as doenças crônicas sob controle”, reforça. A geriatra da MedSênior, Dra. Fernanda Sperandio, lembra que os cuidados vão além da saúde cardiovascular. Mesmo com a menor sensação de sede durante o inverno, manter uma boa hidratação continua sendo essencial para o funcionamento do organismo. Ela também destaca que preservar uma rotina ativa contribui para manter o condicionamento físico, a força muscular e o equilíbrio, reduzindo o risco de quedas e promovendo mais qualidade de vida. Cuidados para passar o inverno com mais saúde Mantenha o uso regular dos medicamentos prescritos. Monitore a pressão arterial e a glicemia, quando houver orientação médica. Procure manter uma rotina de atividades físicas, mesmo que adaptada aos dias frios. Vista-se adequadamente para manter o corpo aquecido. Hidrate-se ao longo do dia, mesmo sem sentir sede. Mantenha a vacinação em dia. Evite o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Procure atendimento médico em caso de sintomas persistentes ou diferentes do habitual. Mantenha os ambientes ventilados sempre que possível. Adote medidas para prevenir quedas dentro de casa, principalmente entre idosos.
Cooperativa Vinícola Garibaldi leva lançamentos e rótulos premiados à Expovinhos 2026
Lançamentos, vinhos elaborados e espumantes premiados compõem o portfólio que a marca apresenta durante a feira em Vitória De olho em um mercado cada vez mais receptivo aos vinhos brasileiros, a Cooperativa Vinícola Garibaldi participa da 16ª edição da Expovinhos, que acontece nos dias 29 e 30 de julho, em Vitória. A vinícola gaúcha leva à feira um portfólio formado por lançamentos, rótulos premiados e produtos que refletem a diversidade de sua produção, reforçando sua estratégia de expansão comercial e de aproximação com consumidores e parceiros no Espírito Santo. O Estado figura entre os maiores consumidores de vinho do país, com média de 2,12 litros per capita por ano. Para a Cooperativa Vinícola Garibaldi, a região Sudeste respondeu por cerca de um quarto do faturamento da marca em 2025, com destaque para os espumantes e o suco de uva integral. Entre as novidades está o recém-lançado Vinhas Vivas, um vinho branco levemente frisante elaborado com as variedades Trebbiano e Prosecco. Produzido pelo método tradicional de vinificação em branco e amadurecido em tanques de aço inox, sem passagem por madeira, o rótulo preserva o frescor, a leveza e a expressão frutada das uvas, características que harmonizam com o clima litorâneo da capital capixaba. Outro destaque é a linha Garibaldi Harmonia, que reúne dois vinhos barricados desenvolvidos para valorizar o equilíbrio entre tradição e inovação. O Garibaldi Harmonia Chardonnay é resultado do blend de duas barricas de carvalho francês de primeiro uso, com diferentes níveis de tosta, proporcionando maior complexidade aromática e sensorial. Já o Garibaldi Harmonia Corte I combina as variedades Merlot, Tannat, Ancellotta e Marselan, cultivadas na Serra e na Campanha Gaúcha. O vinho passa por 24 meses de maturação em barricas de carvalho francês, americano e croata, todas de primeiro uso, resultando em um rótulo marcado pela integração entre diferentes variedades, safras, madeiras e terroirs. No segmento de espumantes, a Cooperativa Vinícola Garibaldi aposta na linha premium Garibaldi VG, composta por três rótulos elaborados pelo método Charmat Longo, com 12 meses de maturação sobre as leveduras. Entre eles está o premiado VG Extra Brut, elaborado com Chardonnay e Pinot Noir, que apresenta coloração amarelo-palha, perlage fina e persistente, além de aromas de abacaxi, baunilha e delicadas notas de pão tostado. Em boca, destaca-se pela cremosidade, boa estrutura e acidez equilibrada. Também integram a linha o Garibaldi VG Nature Blanc de Blanc, produzido exclusivamente com uvas Chardonnay cultivadas em espaldeira, sistema que favorece uma maturação mais lenta e preserva o frescor e a acidez da fruta, e o Garibaldi VG Brut Rosé, elaborado com Chardonnay e Pinot Noir, que reúne aromas de framboesa, morango, pão tostado e frutas secas, oferecendo cremosidade, acidez vibrante e final elegante. Consolidada como uma das principais feiras de negócios do setor no Brasil, a Expovinhos Vitória reúne produtores, importadores, distribuidores, especialistas e consumidores, promovendo oportunidades de negócios e ampliando a visibilidade do mercado brasileiro de vinhos no cenário nacional e internacional.
De Lisboa a Vitória: pai e filha preservam a tradição da azulejaria portuguesa
Rachel Martins Há histórias que atravessam oceanos e gerações. A de Vitor Manuel Alves Francisco reúne as duas. Aos quase 90 anos, o português, nascido em Lisboa, continua produzindo todos os dias em seu ateliê, na Serra. Trabalha em silêncio, criando lindas peças de cerâmica com a precisão de quem passou mais de seis décadas aperfeiçoando o ofício, encarando cada nova obra com a delicadeza que sempre esteve em sua alma. Ao seu lado está a filha, Liliana Alves Francisco, mais conhecida como Lana, que herdou não apenas a profissão, mas uma forma de enxergar o mundo através da arte. Juntos, eles transformaram uma pequena loja, em Jardim da Penha, em Vitória, a Gres Arte Cerâmica, em um espaço onde a tradição da azulejaria portuguesa continua viva, agora reinterpretada com cores, paisagens e influências brasileiras. “Meu pai é uma formiguinha. Trabalha da manhã até o fim da tarde, todos os dias. É um exemplo de dedicação e de paixão pelo que faz”, conta Lana. Uma vida inteira pela arte da cerâmica Vítor nasceu em Lisboa, em 1936. Ainda adolescente, emigrou para o Brasil, em 1950, tornando-se brasileiro poucos anos depois. Em 1957, iniciou sua trajetória profissional na cerâmica, em São Paulo, na Hauner Cerâmica, onde aprendeu com o mestre italiano Angelo Taccari. Foi nessa época que também conheceu o artista português João Martins, conhecido também como João Ninguém, outro apaixonado pela arte cerâmica. Desde então, Vitor nunca mais deixou o que mais ama fazer: a cerâmica. Ao longo da carreira, trabalhou com revestimentos, esculturas, louças, painéis, objetos decorativos e, principalmente, azulejos pintados à mão. Sempre buscando novas soluções, tornou-se pioneiro em diferentes áreas da indústria cerâmica. Foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento de fornos de passagem rápida sobre rolos para queima de azulejos, tecnologia que acabou sendo estudada e reproduzida por fabricantes de equipamentos do setor. Também esteve entre os primeiros profissionais a produzir pisos vitrificados no Brasil, ainda na década de 1960, quando esse tipo de acabamento praticamente não existia no país. Mais tarde repetiria a inovação em Portugal. “Nunca tivemos medo de experimentar. Se víamos uma técnica diferente, observávamos e estudávamos até descobrir como fazer”, conta Lana. Essa curiosidade permanente moldou toda a trajetória da família. Ao contrário de muitos artistas, Vitor e Lana nunca dependeram de outra profissão. A cerâmica sempre foi a única fonte de renda da família. Eles viveram da própria produção artística no Brasil e também em Portugal. Não enriqueceram, como fazem questão de dizer, mas colecionaram experiências que poucos artesãos podem contar. “Nunca fomos ricos, não acumulamos bens. Mas vivemos da nossa arte durante todos esses anos. Isso é algo de que temos muito orgulho.” Essa dedicação também influenciou Lana. Embora sempre gostasse de desenho e pintura, foi convivendo diariamente com o pai que descobriu seu caminho profissional. Sem frequentar cursos formais, aprendeu observando, desenhando, testando e repetindo o processo inúmeras vezes. Hoje, ela é responsável principalmente pela pintura, decoração e identidade artística das obras produzidas pela dupla. “Meu pai pertence a uma geração autodidata. Aprendeu lendo livros e fazendo. Eu também aprendi assim. Sempre acreditamos que olhar atentamente para uma peça pode ensinar muito”, ressalta. De Lisboa ao restauro dos grandes painéis portugueses Anos depois de construir uma sólida carreira no Brasil, pai e filha voltaram às origens. Durante oito anos viveram novamente em Portugal. Lá trabalharam em um dos períodos mais intensos de restauração do patrimônio histórico português, impulsionado pela revitalização dos centros urbanos e pelo crescimento do turismo. Participaram de mais de cinquenta projetos de restauração de painéis históricos, atuando em edifícios tradicionais de Lisboa e em locais emblemáticos como o Miradouro de Santa Luzia, próximo ao Castelo de São Jorge. “Também produzimos reproduções fiéis de painéis clássicos portugueses em azul e branco para clientes brasileiros e estrangeiros. Foi uma experiência que aprofundou ainda mais o vínculo da nossa família com uma tradição artística iniciada há séculos”, lembra Lana. A tradição portuguesa com alma brasileira Embora preservem as técnicas clássicas da azulejaria portuguesa, o trabalho desenvolvido por Vitor e Lana, hoje, em Vitória, ganhou identidade própria. As influências vão muito além dos antigos painéis portugueses. Nas obras aparecem referências de artistas como Cândido Portinari, Manuel Cargaleiro, Jorge Colaço, Querubim Lapa, Pablo Picasso e Joan Miró. “Mas há também elementos da cultura brasileira, das cores tropicais e das paisagens capixabas. É justamente essa mistura que torna cada peça única. A tradição portuguesa permanece presente, mas dialoga naturalmente com a identidade brasileira. É um pequeno ateliê que guarda uma grande e rica história”, explica. Depois da pandemia de Covid-19, problemas pessoais fizeram com que Vitor e Lana encerrassem a empresa que mantinham em Portugal e retornassem definitivamente ao Brasil, para Vitória, para recomeçar. Hoje, trabalham em um pequeno ateliê instalado em uma antiga banca de revistas na Avenida Dante Michelini, em frente ao restaurante Tarrafas. Quem passa pelo local encontra muito mais do que peças de cerâmica. Encontra histórias. Cada azulejo pintado à mão carrega décadas de conhecimento, técnicas transmitidas entre gerações e a certeza de que o artesanato continua sendo uma das formas mais bonitas de preservar a memória de um povo. “Enquanto muitos processos se tornam automatizados, meu pai continua pintando, modelando, esmaltando e queimando cada peça como sempre fez. Aos quase 90 anos, ele mostra que algumas tradições sobrevivem porque alguém decide, todos os dias, continuar fazendo”, conclui Lana. É exatamente isso que acontece naquela pequena loja e no ateliê de Vitória, onde Portugal e Espírito Santo se encontram por meio da arte centenária da cerâmica. Serviço A Gres Arte Cerâmica funciona na Avenida Dante Michelini, em frente ao restaurante Tarrafas, em Jardim da Penha, Vitória. O espaço abre de quarta-feira a sábado, das 10h30 às 17h, e aos domingos, das 10h30 às 15h.
Obras no Canal da Costa avançam com instalação de galerias na Avenida Champagnat
As obras de macrodrenagem e implantação do Parque Linear do Canal da Costa, na Praia da Costa, em Vila Velha, avançaram para uma nova etapa com o início da instalação das galerias de drenagem no trecho da Avenida Champagnat onde a antiga ponte foi demolida. As estruturas estão sendo implantadas no interior do canal e vão ampliar a capacidade de escoamento das águas pluviais. De acordo com a Prefeitura de Vila Velha, a instalação das duas galerias e a concretagem da estrutura devem ser concluídas nos próximos 15 dias, prazo que poderá variar conforme as condições climáticas. Após a finalização dessa fase, o trânsito no trecho interditado da avenida será liberado. A nova travessia seguirá o mesmo padrão das pontes já entregues nas avenidas Castelo Branco e Dom Jorge de Menezes, construídas durante as obras de tamponamento do Canal da Costa. Enquanto isso, as intervenções de urbanização do futuro Parque Linear também seguem em andamento no trecho entre a região do Exército e a Avenida Champagnat, conforme o cronograma do empreendimento. Trânsito A Avenida Champagnat permanece interditada entre a Rua Inácio Higino e a Rua São Paulo. Durante a execução das obras, continuam valendo os desvios implantados pela prefeitura para garantir a circulação de veículos. A orientação é que os motoristas redobrem a atenção à sinalização e utilizem as rotas alternativas disponíveis.
Mais de 500 produtos do ES passam a ser taxados pelos Estados Unidos com tarifas de até 37,5%
A tarifa adicional de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros começa a valer nesta sexta-feira (24). Somada à alíquota de 25% anunciada anteriormente, em 15 de julho, a medida pode elevar a tributação para 37,5% sobre mais de 480 produtos exportados pelo Espírito Santo ao mercado norte-americano. Ao todo, mais de 500 itens da pauta exportadora capixaba passam a ser atingidos por pelo menos uma das duas tarifas. O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, destaca que a entidade, em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), segue monitorando os desdobramentos do novo ciclo tarifário adotado pelos Estados Unidos. Segundo ele, o Espírito Santo está entre os estados brasileiros mais dependentes das exportações para o mercado norte-americano, que continua sendo o principal destino dos produtos capixabas. “Em 2025, 27% das exportações do Estado tiveram como destino os Estados Unidos, o equivalente a US$ 2,8 bilhões”, afirma. Baraona ressalta que a saída mais adequada para a situação é a construção de um entendimento entre os dois países. “O melhor caminho é o diálogo técnico e diplomático entre os países, com negociação e previsibilidade, para preservar a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.” O presidente da Findes acrescenta que a entidade continuará trabalhando para ampliar a presença dos produtos capixabas em outros mercados internacionais e reduzir a dependência de um único parceiro comercial. “Ao mesmo tempo, seguiremos trabalhando para diversificar a pauta exportadora capixaba, ampliar a presença do Espírito Santo em outros mercados e proteger a competitividade da nossa indústria.” Observatório Findes avalia impactos das novas tarifas Levantamento realizado pelo Observatório Findes analisou os possíveis efeitos das medidas anunciadas pelo governo norte-americano sobre as exportações capixabas realizadas em 2025. O estudo utilizou dados do Comex Stat e as listas oficiais divulgadas pelos Estados Unidos, identificando quatro cenários distintos para os produtos exportados pelo Espírito Santo. Cenário 1 – Produtos sujeitos às duas tarifas (37,5%) Neste grupo estão os produtos atingidos simultaneamente pelas tarifas de 25% e de 12,5%, resultando em uma tributação total de 37,5%. Mais de 480 produtos se enquadram nessa situação. Em 2025, eles responderam por US$ 231,6 milhões em exportações, o equivalente a 8,2% das vendas capixabas destinadas aos Estados Unidos. Entre os principais itens estão: Rochas naturais, como granitos, mármores e outras pedras de cantaria; Ovos; Chocolates. Cenário 2 – Produtos tributados apenas em 12,5% Um total de 18 produtos será afetado exclusivamente pela tarifa adicional de 12,5%. Apesar da quantidade reduzida de itens, eles representam cerca de US$ 850,7 milhões em exportações, correspondendo a aproximadamente 30% de tudo o que o Espírito Santo vende aos Estados Unidos. Entre os principais produtos estão: Pedras de cantaria e outras rochas naturais; Minério de ferro; Alguns tipos de celulose (exceto o principal produto do setor); Determinados pescados. Cenário 3 – Produtos tributados apenas em 25% Esse cenário reúne 12 produtos da pauta exportadora capixaba que permaneceram sujeitos apenas à tarifa de 25%. Em 2025, esses itens movimentaram cerca de US$ 19,6 mil em exportações, participação considerada praticamente irrelevante na pauta destinada ao mercado norte-americano. Entre eles estão: Açúcares; Sementes; Legumes. Cenário 4 – Produtos isentos das duas tarifas O levantamento também aponta que 160 produtos permanecem fora das duas novas tarifas anunciadas em julho de 2026. Esses itens somaram aproximadamente US$ 915 milhões em exportações no ano passado, representando quase 33% de todas as vendas do Espírito Santo para os Estados Unidos. Entre os principais produtos isentos estão: Celulose semibranqueada (principal produto do setor); Petróleo; Café não torrado; Café solúvel; Motores elétricos; Gengibre. Setor do aço continua sujeito à tarifa de 50% Embora diversos produtos tenham sido enquadrados nas novas medidas anunciadas em julho, o setor siderúrgico continua submetido a uma tarifa específica de 50%, em vigor desde 2025. Segundo a Findes, essa cobrança não está relacionada às tarifas adicionais impostas ao Brasil em julho de 2026 e decorre de uma política tarifária específica dos Estados Unidos para o setor do aço. Em 2025, os produtos siderúrgicos representaram aproximadamente 30% das exportações capixabas destinadas ao mercado norte-americano, movimentando cerca de US$ 862 milhões.
Empresários de Vila Velha se reúnem para ampliar parcerias e fortalecer negócios
Empresários de diferentes segmentos econômicos de Vila Velha terão um momento dedicado ao relacionamento, à troca de experiências e ao fortalecimento do ambiente de negócios no próximo dia 31 de julho. A Associação dos Empresários de Vila Velha (ASSEVILA) realiza, às 8 horas, no auditório da CDL Vila Velha, o Conecta ASSEVILA, evento voltado exclusivamente para associados e mantenedores da entidade. A iniciativa tem como objetivo aproximar os integrantes da associação, ampliar o networking entre as empresas participantes e apresentar, de forma mais detalhada, as ações, projetos e iniciativas desenvolvidas pela ASSEVILA em benefício do setor produtivo e do município. Durante o encontro, os participantes conhecerão os principais projetos conduzidos pela entidade, os resultados alcançados e as oportunidades de participação nas atividades promovidas ao longo do ano. A proposta é incentivar a integração entre empresários, estimular novas parcerias e fortalecer o diálogo entre diferentes segmentos da economia local. Segundo o presidente da ASSEVILA, Éder Lemke, o evento reforça o compromisso da entidade com a construção de um ambiente empresarial mais colaborativo e participativo. “A ASSEVILA tem como missão conectar empresas, lideranças e iniciativas que contribuam para o crescimento de Vila Velha. O Conecta é um momento para apresentar nosso trabalho, ouvir os associados e fortalecer essa construção coletiva”, destaca. A ASSEVILA reúne empresários de diversos setores da economia e atua na promoção de debates, iniciativas e ações voltadas ao desenvolvimento econômico de Vila Velha. A entidade também busca fomentar parcerias institucionais, incentivar o empreendedorismo e ampliar a participação do setor produtivo nas discussões sobre o futuro do município. Serviço Conecta ASSEVILA Data: 31 de julho Horário: 8h Local: CDL Vila Velha Público: associados e mantenedores da ASSEVILA
Vegetação queimada e lixo chamam atenção na Pedra da Sereia, em Vila Velha
Quem passou pela Pedra da Sereia, na Praia da Costa, em Vila Velha, na manhã deste sábado (25/07), encontrou uma cena preocupante. Parte da vegetação que cobre o monumento natural estava queimada, enquanto o local também apresentava grande quantidade de lixo espalhado, incluindo garrafas de cerveja e diversos cacos de vidro. Em meio ao movimento de turistas e famílias que visitavam o ponto turístico, a presença de vidros quebrados representava risco, especialmente para crianças que circulavam pela área. Ainda não havia informações sobre quando a queimada ocorreu ou o que teria provocado o incêndio na vegetação. A situação reforça a necessidade de apuração por parte dos órgãos ambientais competentes para identificar as causas dos danos e avaliar os impactos ao local, além de intensificar ações de fiscalização e conscientização para preservar um dos cartões-postais mais conhecidos do litoral capixaba.
João Gualberto – “O café conillon capixaba”
Muitas vezes, quando nos deparamos com o progresso do Espírito Santo, não paramos para pensar como tudo isso foi construído em tão pouco tempo. Quando comparamos essa trajetória com a dos países europeus, onde as atividades produtivas em larga escala datam de séculos, é que nos damos conta do quanto avançamos. No caso específico no norte do Estado, hoje tão próspero, isso é ainda mais evidente. A região se constituiu como é hoje praticamente no século XX, sobretudo impulsionada pela cafeicultura, com plantio em massa do café arábica. Foi essa atividade que determinou a construção da Estrada de Ferro Vitória-Minas, concebida no final do século XIX para transportar o produto até o Porto de Vitória, e que começou a operar nos primeiros anos do século passado. Ela estimulou a construção de toda a malha urbana da região, inclusive de sua cidade-polo, Colatina, onde foi construída uma estação ferroviária, responsável pela própria existência da cidade e de sua potência. Como toda a região se desenvolveu com base na economia cafeeira, a política do governo nacional de erradicação dos cafezais, a partir de meados dos anos 1960, foi um desastre para todos. Os proprietários que aderiram ao processo de indenização para extrair os cafezais do solo, em boa parte deixaram a região. Mas, como a política determinava que, em lugar do café deviam ser cultivados pastos ou mamoeiros, deixou de haver trabalho para os meeiros. Foi a ruína geral da economia capixaba como um todo, especialmente nas terras do norte do Estado. Éramos praticamente apenas produtores de café, e a sua retirada deixou o vazio. Quando veio a política de substituição dos antigos plantios, ela deixou de fora as terras abaixo de 400 metros de altitude. Nesse momento, surge, mais uma vez, a figura gigantesca do imigrante polonês e grande empreendedor Eduardo Glazar, sobre o qual falei em artigo recente. Em seu livro Brava Gente Polonesa, ele registra que o plantio de um café mais adaptado às terras quentes só começaria em 1971, em São Gabriel da Palha, contando com todo o seu incentivo e com o prefeito de São Gabriel. Os primeiros registros da produção local são de 1974, na sua segunda gestão. Ele próprio já vinha fazendo experimentos com o café em sua propriedade há alguns anos. Essa produção quase artesanal, em sua propriedade, produziu um conhecimento: nos primeiros quatro anos do plantio, ele viu que a produção se iniciava mais cedo, alcançava maior produção por pé e por área, além de ser mais resistente às pragas. Como prefeito, Eduardo Glazar passou a distribuir mudas, sem qualquer apoio em políticas públicas nacionais. Em determinado momento, as lideranças do município — a câmara municipal, a prefeitura e os empresários — estavam engajadas na produção de mudas em viveiros, para ampliar a produção. A pedra de toque, entretanto, foi o fato de os produtores de São Gabriel tomarem conhecimento de que o grande exportador de café Jônice Tristão estava construindo uma fábrica de café solúvel em Vitória. Jônice abraçou, de imediato, o plano daqueles produtores e passou a comprar o café conillon produzido em São Gabriel da Palha. Desde o início dessa nova epopeia do norte capixaba, os governadores Christiano Dias Lopes e Arthur Gehardt ficaram solidários ao esforço daqueles abnegados produtores de São Gabriel da Palha. O resultado todos conhecem hoje: o Estado venceu aquela quadra de dificuldades e se instituiu como grande produtor nacional. O aprendizado que esse fato histórico nos dá é que não só de políticas econômicas se faz o progresso de uma região. Em determinados casos, ocorre o contrário, como na erradicação dos cafezais capixabas, responsável pelo atraso e pela desolação, pelo crescimento desorganizado das maiores cidades do nosso Estado e por graves consequências, como, por exemplo, na segurança pública. Somente a capacidade empreendedora instalada em um território pode determinar a prosperidade, assim como é o papel de lideranças responsáveis que produzem o progresso. Eduardo Glazar, Dário Martinelli e outras lideranças de São Gabriel da Palha construíram um exemplo capixaba de superação da crise, graças ao plantio em larga escala do café conillon. :::writing
Ferraço participa de convenção do PSB e destaca continuidade do projeto iniciado por Casagrande
Evento homologou a candidatura de Renato Casagrande ao Senado e reuniu lideranças políticas no Espaço Patrick Ribeiro, em Vitória O governador Ricardo Ferraço (MDB) participou, na manhã deste sábado (25), da convenção estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB), realizada no Espaço Patrick Ribeiro, em Vitória. O encontro homologou os candidatos da legenda para as eleições de outubro, entre eles o ex-governador Renato Casagrande, que disputará uma vaga no Senado Federal. Durante o evento, Ricardo Ferraço reafirmou o compromisso de dar continuidade ao projeto político liderado por Casagrande e disse que pretende preservar os princípios que, segundo ele, contribuíram para o desenvolvimento do Espírito Santo nos últimos anos. “Tenho muito orgulho de ser pré-candidato do nosso sempre governador Renato Casagrande. Me comprometo com todo o Espírito Santo a manter os mesmos valores e princípios, a seguir governando com humildade, com diálogo e respeito a tudo o que estamos construindo. Vou manter o Espírito Santo longe dessa briga ideológica que não nos leva a lugar nenhum. Somos 100% Espírito Santo e vou colocar toda minha energia para seguir transformando este Estado”, afirmou. O governador também ressaltou que recebeu um Estado com as contas organizadas e capacidade de investimento, cenário que, segundo ele, permitirá ampliar as entregas à população. “Recebi esse Governo organizado e com capacidade de investimento e, desta forma, poderemos ir ainda mais longe. Juntos, vamos seguir transformando o nosso querido Espírito Santo”, declarou. Em seu discurso, Renato Casagrande afirmou que o Espírito Santo inicia um novo ciclo político sustentado pelo diálogo, pelo equilíbrio e pela capacidade de construir consensos. “Estamos abrindo um novo ciclo neste Estado e esse começo tem muita dedicação às pessoas. Queremos nosso Estado cada vez mais alto e com muito mais conquistas. Nossa premissa foi ter equilíbrio, diálogo e capacidade de juntar, e isso propiciou que pudéssemos chegar a esse ponto de sermos referência em diversas áreas”, disse. Casagrande também destacou o reconhecimento conquistado pelo Espírito Santo em nível nacional ao longo dos últimos anos. “Conquistamos para este Estado uma posição de respeito, de protagonismo. Por onde vamos fora do Espírito Santo, quando dizemos que somos daqui, vemos nos olhos das pessoas o quanto elas nos respeitam. Saímos da invisibilidade e hoje mostramos ao Brasil que existe uma outra forma de trabalhar que não seja dividindo.” Ao encerrar a fala, o ex-governador ressaltou a parceria construída com Ricardo Ferraço durante o último mandato. “Sempre tive a ajuda valorosa dos meus vices e, junto de Ricardo, fizemos neste último mandato uma transformação neste Estado”, concluiu. Fotos: Rodrigo Zaca