Em entrevista ao News Espírito Santo, o ex-deputado estadual e ex-secretário de Estado da Saúde Anselmo Tozi relembrou um dos períodos mais turbulentos da história política capixaba: a crise institucional vivida pela Assembleia Legislativa em 2003. Ele descreveu aquele momento como um ambiente de forte tensão política, marcado por disputas judiciais, mobilização popular e tentativas de impedir mudanças na condução da Casa. Eleito em seu primeiro mandato justamente naquele contexto, Tozi afirma que a população pressionava por uma renovação da política capixaba e por medidas de combate a privilégios e irregularidades. Segundo ele, a nova legislatura promoveu cortes de benefícios, extinguiu regalias e reorganizou a administração da Assembleia, em um processo que, nas palavras do ex-parlamentar, enfrentou forte resistência interna. Ao longo da entrevista, Tozi também fez um balanço de sua atuação na saúde pública, destacando a implantação do Samu 192, a modernização da rede hospitalar e a criação de programas como a Farmácia Cidadã. Hoje filiado ao PSD e pré-candidato a deputado estadual, ele defende avanço na conexão entre o Parlamento e as demandas da sociedade, especialmente nas áreas de saúde, mobilidade e segurança. A entrevista foi concedida ao diretor de Conteúdo do News ES, Eduardo Caliman. Confira os principais trechos: Entrevista | Anselmo Tozi News ES: A Assembleia Legislativa está com uma exposição pelos 190 anos da Casa. Gostaria de começar relembrando aquele período tenso de fevereiro de 2003, quando uma eleição da Mesa Diretora foi contestada na Justiça e havia deputados afastados por suspeitas de irregularidades. Como o senhor viveu aquele momento? O senhor estava no plenário quando oficiais de Justiça tentavam entrar para notificar a Mesa Diretora. Como foi aquele dia e aquele período para a história política do Espírito Santo? Anselmo Tozi: Foi um momento muito conturbado. Aliás, aquele período foi precedido por um grande movimento da população em favor da mudança da situação da Assembleia. A campanha foi marcada por muita mobilização nas ruas, com as pessoas pedindo mudanças e empurrando a gente para esse movimento, assim como o então governador Paulo Hartung. Aquele dia foi um dos mais difíceis que vivemos dentro da Assembleia. Estávamos acompanhando tudo lá dentro, enquanto a população estava na galeria e do lado de fora. As notícias chegavam a todo momento, muitas vezes desencontradas. Havia deputados experientes, que viviam aquela situação e conheciam bem o funcionamento da Casa, tentando criar um ambiente conturbado. Só fomos perceber uma reversão da situação quando houve a decisão judicial e a composição que permitiu que assumíssemos a Assembleia para fazer as mudanças que o povo e a sociedade pediam. Era o seu primeiro mandato como deputado estadual. Como foi chegar à Assembleia justamente nesse ambiente? Eu tinha uma inexperiência muito grande do ponto de vista da participação político-partidária. Nunca tinha sido deputado. Fui eleito pelo PPS, juntamente com César Colnago, e chegamos num momento muito difícil. Não havia nada mais difícil para enfrentar do que aquela situação, tentando evitar que o retrocesso continuasse na Assembleia. Foi uma experiência muito grande e muito positiva. Depois, conseguimos fazer as mudanças que pensávamos para a Assembleia e, posteriormente, para o governo do Estado. De lá para cá, a Assembleia conseguiu sair das páginas negativas dos jornais. Como o senhor viu essa reconstrução? Anselmo Tozi: Acho que o primeiro passo foi o que nós fizemos lá. Havia muitas penduricalhos, coisas que hoje são muito discutidas no país. Existiam auxílio-paletó, seguros, aposentadorias e outros benefícios. Nós acabamos com tudo isso. Havia também uma situação absolutamente fora de qualquer padrão: toda a parte de compras e licitações da Assembleia era feita pela associação dos servidores, a Arsal. Tivemos que assumir o controle disso e acabar com esse modelo. Também havia muita pressão para manter o famoso esquema das diárias e passagens. Muita gente não viajava, mas recebia as diárias. Muitas pessoas que estavam ali vinham do sistema anterior e queriam manter aquelas regalias. Nós tivemos que enfrentar isso. Não foi fácil. Conseguimos economizar recursos, enxugar o orçamento e devolver dinheiro ao governo do Estado. Naquela época, o Espírito Santo vivia uma situação muito difícil, com salários atrasados e dificuldades de investimento. Aos poucos, fomos acertando a Assembleia e o governo foi acertando o Estado como um todo. O senhor participou da Mesa Diretora como primeiro-secretário, função tradicionalmente responsável pela gestão administrativa e financeira da Casa. Exatamente. O primeiro-secretário era o ordenador de despesas, mas dividíamos as responsabilidades com o segundo-secretário, que era Paulo Foletto, e com o presidente Cláudio Vereza. Funcionávamos como uma espécie de triunvirato, assumindo a responsabilidade pelas despesas e pelas principais decisões da Casa, sempre ouvindo o Colégio de Líderes e os deputados. Foi uma gestão muito importante para uma Casa que estava em situação complicada. Não foi fácil, porque havia muitas práticas arraigadas, regalias, facilidades, pessoas em cargos e funções que simplesmente não cumpriam suas atribuições. Tivemos que fazer cortes e uma limpeza administrativa. Sofremos muita resistência e represálias, mas fizemos aquilo que prometemos na campanha e para o que fomos eleitos. A política mudou bastante desde então, com as redes sociais e a polarização. Como o senhor vê a atuação parlamentar atualmente? Mudou muito. Hoje há muita coisa instantânea e muita crítica. As pessoas falam mal umas das outras, mas muitas vezes não apresentam soluções ou não sabem fazer. Acho que a primeira coisa importante é que quem exerce liderança pública, seja gestor ou parlamentar, precisa saber debater os temas, apontar os problemas e indicar soluções, mesmo que não seja o responsável direto por executá-las. Nós fomos para a Assembleia e para o governo com a proposta de reorganizar o Espírito Santo, tirá-lo das mãos da corrupção e do crime organizado. Depois fui convocado para a Saúde e vimos isso também na gestão pública. Depois da Assembleia, o senhor assumiu a Secretaria de Estado da Saúde, num momento importante para a implantação do Samu 192 e a construção de grandes hospitais. Eu já tinha sido secretário de Saúde de Vitória durante oito anos e meio. Estruturamos a atenção primária e a saúde
Grand firma parceria com a Cervejaria Caliman para operação da choperia do Taj Home Resort
A Grand Construtora anunciou a Cervejaria Caliman como parceira oficial da choperia do Taj Home Resort. A marca capixaba será responsável pela operação do espaço, levando aos moradores uma seleção de chopes artesanais e ampliando as opções de lazer e conveniência do empreendimento. Fundada oficialmente em 2020, a Caliman nasceu da paixão pela produção artesanal de cervejas e se consolidou no mercado com foco em qualidade, autenticidade e desenvolvimento de receitas próprias. “Fazer parte do projeto do Taj Home Resort representa um importante marco para a cervejaria Caliman. O empreendimento oferece um conceito diferenciado de lazer e bem-estar, alinhado à nossa proposta de proporcionar experiências memoráveis por meio da cultura cervejeira artesanal”, afirma Breno Caliman, sócio da marca. A choperia contará com opções como Pilsen, Session IPA, American IPA, Red Ale, Porter, Pale Ale e Coffee Lager, além de estilos sazonais e receitas exclusivas desenvolvidas para os moradores. A novidade integra o planejamento da Grand para a reta final das obras do Taj Home Resort, cuja inauguração está prevista para novembro deste ano. “O Taj foi projetado para oferecer comodidade e experiências autênticas. A chegada da Cervejaria Caliman reforça esse conceito ao agregar uma marca reconhecida pela qualidade e pela tradição familiar”, destaca o presidente da Grand Construtora, Rodrigo Barbosa. Com cerca de 21 mil metros quadrados de área, o Taj Home Resort aposta em um modelo de hospitalidade integrada, com serviços e experiências voltados ao lazer, ao bem-estar e à convivência dos moradores.
Modal Expo movimenta R$ 110 milhões e reforça protagonismo logístico do ES
A Modal Expo 2026 encerrou sua segunda edição com números recordes e consolidando-se como um dos principais eventos de logística, transporte e comércio exterior do país. Realizada entre os dias 16 e 18 de junho, no Pavilhão de Carapina, na Serra, a feira superou a meta de R$ 100 milhões em negócios projetados e alcançou R$ 110 milhões, crescimento de 69,2% em relação aos R$ 65 milhões registrados em 2025. Ao longo dos três dias, mais de 8 mil visitantes passaram pelo evento, um aumento de 15% na comparação com a edição anterior. A feira reuniu representantes de mais de 20 estados brasileiros, visitantes internacionais dos Estados Unidos e Paraguai e 120 marcas expositoras, alta de 20% em relação ao ano passado. A programação contou com mais de 70 especialistas e painelistas debatendo temas como infraestrutura, comércio exterior, expansão portuária, inteligência artificial, reforma tributária, sustentabilidade e inovação. Além disso, foram realizadas 143 reuniões de negócios em parceria com o Sebrae e visitas técnicas que reuniram mais de 60 participantes. Para o presidente do Sindiex, Sidemar Acosta, os resultados refletem o potencial do Espírito Santo para ampliar sua participação no setor logístico nacional. Já os representantes do Sincades, Transcares e das empresas realizadoras destacaram a qualidade do público, o ambiente de networking e a geração de oportunidades de negócios. Promovida pelo Sindiex, Sincades e Transcares, com realização da Milanez & Milaneze e da Liga de Marketing, a Modal Expo reforçou o posicionamento do Espírito Santo como um dos principais polos logísticos do país e uma plataforma estratégica para atração de investimentos e novos negócios. Modal Expo 2026 em números • Mais de 8 mil visitantes • Crescimento de 15% em relação a 2025 • Representantes de mais de 20 estados brasileiros • Visitantes internacionais dos Estados Unidos e Paraguai • 120 marcas expositoras • Crescimento de 20% no número de expositores • Mais de 70 painelistas • R$ 110 milhões em negócios projetados • Crescimento de 69,2% em relação a 2025 • 65% dos visitantes participam de decisões nas empresas onde atuam • 143 reuniões de negócios realizadas • Mais de 60 participantes nas visitas técnicas
Efervescência destaca conexões humanas como diferencial dos negócios na era da IA
As conexões humanas, a autenticidade e a construção de experiências marcaram os debates do Efervescência 2026, evento gratuito que reuniu cerca de 150 empresários e gestores nesta quinta-feira (18), no Clube Saldanha da Gama, em Vitória. Com palestras, cases de sucesso e experiências imersivas, o encontro discutiu como as marcas podem se diferenciar em um cenário cada vez mais influenciado pela inteligência artificial. A programação foi aberta por Rafael Phoca, especialista em live marketing e idealizador do evento. Em sua apresentação, ele compartilhou uma experiência vivida durante uma viagem a Atenas, na Grécia, para refletir sobre o papel da autenticidade nos negócios. Segundo ele, em um ambiente marcado pela automação, o diferencial competitivo está justamente naquilo que torna as pessoas únicas. “Como faremos para sermos insubstituíveis quando a palavra que mais nos atormenta é substituição? A resposta é simples: ser autêntico é ser humano”, afirmou. A visão ganhou dimensão global com a participação de Tim Leberecht, fundador da House of Beautiful Business. O especialista defendeu que a transformação das pessoas e das organizações acontece por meio de experiências compartilhadas e conexões emocionais, e não apenas pela exposição a dados e indicadores. “As pessoas não mudam apenas porque são expostas a fatos e números. Elas mudam por meio de emoções compartilhadas e experiências”, destacou. Os conceitos apresentados ao longo do evento foram reforçados por cases de empresas que utilizam o chamado Brand Experience como estratégia de relacionamento e posicionamento. Em painel mediado por Wilson Ferreira Júnior, presidente do Conselho da Associação de Marketing Promocional (Ampro), representantes da Pettrus e da High Company compartilharam suas trajetórias. A CEO da Pettrus, Ednara Alcantara, mostrou como propósito, sustentabilidade e relacionamento contribuíram para projetar internacionalmente a marca capixaba de rochas ornamentais. “Não vendemos apenas um produto, mas uma visão de mundo”, resumiu. Já Juliano Pinto apresentou a experiência da High Company na construção de uma comunidade em torno da moda, da música e do skate. Segundo ele, o crescimento da marca está ligado à capacidade de compreender as aspirações e os valores do seu público. “O segredo do sucesso da High é pensar além da caixa e construir uma história relevante para as pessoas”, afirmou. Além das palestras, o Efervescência promoveu uma série de experiências interativas para estimular a troca entre os participantes. Clube do vinil, degustação de chá-espumante sem álcool, dinâmicas com realidade aumentada e uma atividade surpresa com jogadores de basquete fizeram parte da programação. Encerrado ao pôr do sol com um happy hour voltado ao networking, o evento reforçou uma mensagem recorrente ao longo de toda a programação: em um mundo cada vez mais tecnológico, o fator humano continua sendo um dos principais diferenciais para pessoas, marcas e negócios. Como resumiu Rafael Phoca, “apostar que o futuro é humano”.
Empresários da Serra debatem projetos estruturantes com o prefeito
A Associação dos Empresários da Serra (Ases) promoveu, nesta quinta-feira (18), um encontro entre empresários associados, o prefeito da Serra, Weverson Meireles, e integrantes do secretariado municipal para apresentar projetos estruturantes em andamento na cidade e ampliar o diálogo entre o setor produtivo e a administração pública. Realizada na Casa do Empresário, a reunião reuniu lideranças empresariais e representantes da gestão municipal. Participaram os secretários Alexandro da Vitória (Meio Ambiente), Izabela Roriz (Obras), Márcia Lamas (Desenvolvimento Econômico) e Enivaldo Dias (Serviços), além da diretoria da Ases, liderada pela presidente Leonelle Lamas. Durante o encontro, o prefeito apresentou as principais iniciativas previstas no programa Serra 44+, que reúne ações voltadas ao desenvolvimento do município. Entre os destaques estão investimentos em mobilidade urbana, infraestrutura, desenvolvimento econômico e sustentabilidade. Entre as obras e projetos apresentados estão a Rodovia ArcelorMittal, o Contorno de Jacaraípe, a ligação da região de Civit à Avenida Mestre Álvaro e a ampliação dos acessos entre os eixos Norte e Sul da cidade. Também foram abordadas intervenções para melhorar a fluidez do trânsito, além de ações relacionadas à arborização urbana, saneamento básico, esgotamento sanitário e ordenamento territorial. A reunião também marcou a apresentação oficial do novo secretário municipal de Meio Ambiente, Alexandro da Vitória. Segundo ele, a gestão pretende manter o foco em políticas que conciliem crescimento econômico, planejamento urbano e preservação ambiental. Outro tema em pauta foi a Reforma Tributária e seus possíveis impactos para os municípios e para o ambiente de negócios. A Serra participa do Conselho da Reforma Tributária, acompanhando as discussões sobre a implementação do novo sistema e seus reflexos na competitividade das cidades. Para a presidente da Ases, Leonelle Lamas, o encontro reforça o papel da entidade como interlocutora entre o empresariado e o poder público. “Nosso compromisso é promover um diálogo qualificado que permita aos empresários acompanhar de perto os projetos que impactam o desenvolvimento da cidade. A Serra vive um momento importante de crescimento e essa aproximação é fundamental para que esse avanço aconteça de forma planejada, sustentável e gerando oportunidades para todos”, afirmou. O prefeito Weverson Meireles destacou a importância da participação do setor produtivo na construção das políticas públicas e no desenvolvimento do município. “A Serra vive um dos melhores momentos da sua história, com indicadores positivos e reconhecimento crescente como uma cidade cada vez melhor para viver, investir e empreender. Seguiremos avançando com planejamento, diálogo e responsabilidade, fortalecendo a infraestrutura, melhorando a mobilidade e criando um ambiente favorável para quem gera emprego e oportunidades”, declarou. A iniciativa faz parte da agenda permanente da Ases de fortalecimento da representatividade empresarial e de aproximação dos associados das decisões estratégicas que influenciam o ambiente de negócios e o futuro da Serra.
Copa do Mundo vira ferramenta de aprendizagem em escola da Serra
O clima da Copa do Mundo tem ultrapassado as quatro linhas do campo e chegado às salas de aula da rede municipal da Serra. Na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Professora Iolanda Schneider, em Porto Canoa, o torneio tem servido de inspiração para atividades pedagógicas que estimulam a participação dos estudantes e tornam o aprendizado mais atrativo. Uma das iniciativas é o projeto “Álbum da Turma: Contextos Históricos e Vivências”, desenvolvido pela professora de História Luciana Andrade. A proposta consiste na criação de um álbum coletivo, no qual os alunos conquistam figurinhas com as fotos dos próprios colegas por meio da participação em pesquisas, desafios e atividades realizadas em sala de aula. Segundo a educadora, a dinâmica fortalece o protagonismo estudantil, incentiva a cooperação e contribui para a construção de vínculos entre os alunos, transformando o processo de aprendizagem em uma experiência mais colaborativa e envolvente. Nas aulas de Língua Portuguesa, a professora Cristina Oliveira também aproveitou o entusiasmo dos estudantes com a competição. Os alunos dos sextos anos produziram cartinhas ilustradas com jogadores da Seleção Brasileira e registraram, no verso, adjetivos relacionados às características e qualidades dos atletas. O material foi utilizado na criação de um jogo educativo voltado à revisão gramatical. Para a diretora da escola, Cynthia Segundo, iniciativas como essas mostram como temas presentes no cotidiano dos estudantes podem ser incorporados ao ambiente escolar. “Isso torna a aprendizagem mais dinâmica, participativa e conectada à realidade das crianças e dos adolescentes”, destacou. Foto: PMS
Gustavo Varella – “Surpresa! Ou: o brasileiro que se escandaliza de manhã e confraterniza à tarde”
Pare de fingir que você não sabia. Não da forma técnica, não com número de processo e nome de operação — mas sabia. Sabia do jeito que se sabe dessas coisas no Brasil: pela reputação que antecede a denúncia, pelo vocabulário elogioso que a classe média e a elite reservam para quem “conhece o jogo”, “tem trânsito”, “sabe se virar”. Antes de virar réu, o personagem já era aquele. E aquele era admirado. O espanto que vem depois é mentira. Não inocência — mentira. Calculada, funcional, socialmente útil. Quem se escandaliza em público está executando um rito de absolvição: ao vituperar contra o réu da vez, sinaliza que está do outro lado, que sua indignação é prova de sua distância moral do esquema. O escândalo vira espelho em que ninguém se reconhece — e é exatamente isso que ele precisa ser para funcionar. Não serve para iluminar. Serve para absolver. A plateia se lava na lama do réu e sai limpa. É um negócio conveniente para todo mundo. Para o sistema, porque o ciclo de indignação substitui a transformação — drena energia que poderia virar pressão real e a converte em barulho controlado, com prazo de validade. Para os próximos réus, porque o escândalo de hoje é o ensaio geral da impunidade de amanhã: o antecessor foi pego, processado, sobreviveu, voltou a circular — a lição não é “não faça”, é “não se exponha tanto”. E para a plateia, que é a parte mais cínica dessa equação, porque após o pico de indignação vem o que sempre vem: a normalização silenciosa, o acordo fechado longe das câmeras, o próximo escândalo tomando o lugar, e o réu de ontem voltando a ser recebido nas mesmas mesas, com o mesmo aperto de mão, e às vezes com mais respeito — porque sobreviveu. Isso não é fraqueza de caráter. É cultura. É ethos. É o produto de um país que nunca separou de verdade o público do privado, que foi construído sobre a gestão dessa fronteira por quem tem acesso a ela, que tem no “jeitinho” não um traço pitoresco mas uma tecnologia social de captura — captura do Estado, das instituições, das consciências. A corrupção no Brasil não é anomalia. É, em boa medida, um dos sistemas. Paralelo, complementar, às vezes mais eficiente que o oficial. O que muda a cada ciclo não é a prática. É o elenco. E o elenco se renova porque a plateia deixa. Não por ingenuidade — por cumplicidade ativa. Porque no Brasil há um vocabulário inteiro, rico e sofisticado, para descrever com admiração disfarçada de ironia o talento para a pilantragem ainda não processada. “É esperto.” “Sabe o que faz.” “Conhece todo mundo.” Tradução: este aqui tem perfil, tem vocação, tem a arquitetura moral necessária — só ainda não teve a oportunidade de deflagrá-la formalmente. Quando tiver, o espanto será o mesmo. A indignação, idêntica. E a confraternização subsequente, inevitável. O problema do brasileiro não é que tolera a corrupção. É que a tolera depois de se indignar com ela — o que é moralmente mais grave, porque acrescenta ao conivente a pose do indignado. É a hipocrisia como estilo de vida coletivo. É a consciência que sabe, vê, nomeia — e no dia seguinte estende a mão. O espanto não é o começo de uma reação. É o fim dela. É onde a reação vai para morrer com honras de virtude. *Gustavo Varella é advogado, jornalista, professor e mestre em Direitos e Garantias Fundamentais pela FDV
BID libera mais US$ 13 milhões para modernização do sistema prisional do ES
Programa Moderniza-ES teve indicadores validados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento A Secretaria da Justiça (Sejus) concluiu com sucesso a revisão de carteira do Programa de Ampliação e Modernização do Sistema Prisional do Espírito Santo (Moderniza-ES), durante reunião realizada nesta terça-feira (16), na sede do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Brasília. O encontro teve como objetivo avaliar os resultados já alcançados pelo programa e alinhar as próximas etapas de execução. A apresentação foi conduzida pelo coordenador-geral da Unidade de Gestão de Projetos (UGP) do Moderniza-ES, Vinícius Teixeira, diante de representantes do BID e do Governo Federal. Participaram da reunião o chefe de Operações do BID no Brasil, Rodolfo Stucchi, e o especialista setorial sênior em Segurança Cidadã e Justiça do banco, Rodrigo Pantoja. Durante a revisão, foram apresentados os principais avanços, entregas e resultados obtidos ao longo da execução do programa. Também foram discutidos o desempenho financeiro, as metas para os próximos meses e a previsão de um novo desembolso de US$ 13 milhões por parte do BID. Todos os indicadores apresentados receberam validação do banco e do Governo Federal. Segundo Vinícius Teixeira, o programa entra agora em uma fase considerada estruturante. Entre os próximos passos estão a definição dos projetos de duas novas unidades prisionais, denominadas Centros Integrados de Ressocialização, além da implantação do Centro Integrado de Operações do Sistema Penitenciário, modelo considerado pioneiro no País. “Apresentamos o status do Moderniza-ES com transparência e fidelidade aos avanços alcançados e aos desafios enfrentados até aqui. Nos próximos seis meses, o programa avança para uma etapa decisiva, com projetos estruturantes que vão fortalecer a gestão, a infraestrutura e as ações de ressocialização”, destacou Teixeira. Responsável pelo acompanhamento da execução física e financeira do projeto, Rodrigo Pantoja avaliou positivamente o andamento do programa. Segundo ele, houve avanços importantes nos processos de licitação, aquisições e assinatura de contratos, garantindo o comprometimento de parcela significativa dos recursos já disponibilizados. “A reunião foi um sucesso. Recebemos elogios da equipe do BID e os resultados demonstram que o programa está bem encaminhado, com ações estruturantes em andamento e recursos assegurados para a próxima etapa”, afirmou. Moderniza-ES Com investimentos previstos de US$ 102,9 milhões, financiados pelo BID, o Moderniza-ES é considerado uma das principais iniciativas de modernização do sistema prisional capixaba. O programa está estruturado em três eixos estratégicos: fortalecimento dos programas de reinserção social, modernização da gestão e da tecnologia e melhoria da infraestrutura penitenciária, incluindo a construção de dois Centros Integrados de Ressocialização.
Inadimplência cai pelo quinto mês seguido e quase 39 mil capixabas saem do vermelho
Redução do número de devedores fortalece o consumo, amplia o acesso ao crédito e melhora a saúde financeira das famílias no Espírito Santo A inadimplência voltou a recuar no Espírito Santo e alcançou, em abril, o menor patamar dos últimos cinco meses. Cerca de 39 mil capixabas conseguiram regularizar suas dívidas em atraso no período, contribuindo para a redução da taxa de inadimplentes para 32,6% da população, segundo levantamento do Connect Fecomércio-ES, com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice representa uma queda de 0,9 ponto percentual em relação a março e reforça uma trajetória positiva para a economia estadual. Além de aliviar o orçamento das famílias, a redução da inadimplência contribui para diminuir os gastos com juros, ampliar o acesso ao crédito e estimular o consumo, beneficiando diretamente os setores de comércio e serviços. De acordo com o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, os efeitos da redução vão além da reorganização financeira das famílias. “A queda da inadimplência melhora a capacidade financeira dos consumidores, reduz despesas com juros e libera recursos para outras despesas e para o consumo. Além disso, quem regulariza sua situação tende a recuperar o acesso ao crédito, fortalecendo a atividade econômica”, destacou. A melhora foi mais expressiva entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, faixa em que a inadimplência caiu de 38% para 36,8% entre março e abril. Já entre os consumidores com renda superior a esse valor, o índice permaneceu em apenas 8%, demonstrando maior estabilidade financeira. A confiança na capacidade de quitar as dívidas também apresentou avanço. Entre as famílias de menor renda, 16,6% acreditam conseguir pagar integralmente suas contas em atraso. Entre aquelas com renda acima de 10 salários mínimos, esse percentual chegou a 50%, indicando uma percepção mais positiva sobre a própria situação financeira. “Esse aumento na expectativa de pagamento é um sinal importante de melhora. Mostra que parte dos consumidores já percebe condições mais favoráveis para reorganizar suas finanças e retomar o equilíbrio do orçamento”, avaliou Spalenza. Endividamento apresenta leve recuo A pesquisa também apontou uma pequena redução no nível geral de endividamento das famílias capixabas. Em abril, 87,5% dos lares possuíam algum tipo de dívida ou compromisso financeiro parcelado, percentual ligeiramente inferior aos 87,8% registrados em março. Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, o endividamento alcançou 88,8%. Já entre aquelas com renda superior, o índice ficou em 78,5%. O cartão de crédito segue como a principal modalidade de endividamento, presente em 92,9% das famílias de menor renda e em 97,5% das famílias com renda mais elevada. Também aparecem entre as principais modalidades o crédito pessoal, o crédito consignado, o financiamento de veículos e os carnês. Entre os consumidores de maior renda, o financiamento imobiliário se destaca, alcançando 15,9% dos entrevistados. Os dados revelam ainda diferenças importantes na capacidade de pagamento entre as faixas de renda. Enquanto 25,8% das famílias com renda de até 10 salários mínimos comprometem mais da metade dos rendimentos mensais com dívidas, entre as famílias de renda superior esse percentual é de apenas 8,3%.
Shopping Vila Velha promove evento gratuito de K-pop e celebra cultura coreana
Grupos de dança cover podem se inscrever para participar da programação que reúne apresentações, música e experiências inspiradas no universo asiático Os fãs da cultura pop sul-coreana terão um encontro especial no Shopping Vila Velha no próximo dia 28 de junho. A partir das 14 horas, a praça principal do empreendimento recebe o K-Party SVV, evento gratuito dedicado ao universo do K-pop, com atrações voltadas para admiradores da música, da dança e da cultura coreana. A programação contará com apresentações de grupos de dance cover, performances temáticas e um show especial do grupo cover de Guerreiras do K-Pop, proporcionando ao público uma experiência imersiva em um dos fenômenos culturais mais populares da atualidade. Além de acompanhar as atrações, grupos de dança cover também poderão participar do evento. As inscrições são gratuitas e estão abertas para quem deseja se apresentar durante a programação, ampliando a interação entre artistas e fãs da cena K-pop capixaba. Outro destaque será o meet & greet com o grupo cover de Guerreiras do K-Pop. Os participantes terão a oportunidade de tirar fotos e interagir com os artistas. Os ingressos para essa atividade são gratuitos, mediante retirada antecipada pela plataforma de inscrição do evento. Festival Japão-Coréia amplia experiência cultural Quem visitar o Shopping Vila Velha também poderá aproveitar o Festival Japão-Coréia, que segue em funcionamento até o dia 31 de julho. Instalado em frente ao Cinemark, o espaço reúne produtos e gastronomia inspirados nas culturas japonesa e coreana. Entre as atrações estão diferentes tipos de lámen, bebidas típicas e produtos que ganharam popularidade nas redes sociais, incluindo a bebida fermentada comercializada em garrafa com formato de mamadeira. O festival acompanha o horário regular de funcionamento do shopping e oferece aos visitantes uma oportunidade de conhecer tendências e sabores que fazem sucesso entre os admiradores da cultura asiática. Serviço K-Party SVV Data: 28 de junho Horário: a partir das 14 horas Local: Praça Principal do Shopping Vila Velha Festival Japão-Coréia Local: Em frente ao Cinemark, no Shopping Vila Velha Período: até 31 de julho Horário: conforme o funcionamento do shopping